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Signor Antoine de Saint Exupéry !

o principizinho esta da volta

 

 

 

1.A transição

 

De súbito tudo ficou muito quieto. Havia somente uma pequena brisa silenciosa. No entanto suficiente para erguer o pequeno príncipe. Muito calmamente. Muito cautelosamente. Era como se o tempo tivesse parado. Tudo era um

pouco estranho mas, no entanto, muito verdadeiro. O engraçado era que, aquilo que o pequeno príncipe experimentou, não parecia novo. Era um pouco como um regressar a casa... um sentimento familiar, por conseguinte.

O facto de não ser atirado para o espaço, maravilhou o pequeno príncipe. Por baixo, via claramente o turbilhão de

areia do deserto e o seu corpo, imóvel. Assim como um homem, em farda de piloto, em grande tristeza, que parecia contemplar ora o pequeno corpo ora as estrelas. Como teria gostado de poder confortar aquele homem. Parecia como

se o seu sofrimento impedisse o pequeno príncipe de continuar a sua viagem. Apesar da dor física de à pouco ter desaparecido completamente, a tristeza daquele ser humano ali em baixo era tão forte que atraía o pequeno príncipe

e o impedia de dar um novo passo. Bem, “passo” era uma grande palavra para alguém que naquele instante tinha

deixado o seu corpo. E, no entanto... apesar de ver o seu próprio corpo ali imóvel, havia ainda algo de

“uma presença”. Mais tarde o pequeno príncipe iría ouvir que ele agora somente um corpo astral tinha.

E que, a partir daquele momento, fazia parte do mundo astral.

Ele fez o melhor que podia para se libertar daquela cena entristecedora lá em baixo. Mas como faze-lo. Como?

Se a raposa ali estivesse, teria decerto muito bons conselhos a dar ao pequeno príncipe. De facto, parecia como

que se a raposa estivesse ali perto dele. Não, não parecia, estava mesmo.

 

 

 

 

-Olá amigo, disse a raposa.

-Olá amigo, disse o novo príncipe, com um grande ponto de interrogação maravilhado no fim dos seus pensamentos.

-Chamaste-me?.. Perguntou a raposa.

O pequeno príncipe ficou boquiaberto. Ele tinha pensado muito na raposa, mas mais não.

-Então chamaste-me, disse a raposa, que aparentemente podia ler os pensamentos do pequeno príncipe.

O pequeno príncipe não parava de se admirar. A partir daquela data iría ter mais cuidado com o que pensava. Por um momento vaguearam os seus pensamentos de novo para a Terra... Imagine-se que os habitantes da Terra soubessem dos pensamentos uns dos outros; ninguém mais se atreveria a mentir. Na realidade, um pensamento muito bom, achou o pequeno príncipe. A raposa sorriu abertamente em acordo.

-Tens razão, disse a raposa. Se todas as pessoas na Terra estivessem convencidas de que só se pode ver as coisas claramente quando se deixa falar o coração, então, dentro de pouco tempo a Terra se tornaria um céu. E se isto te pode servir de algum conforto, neste momento existem já muitos habitantes da Terra que conseguem comunicar uns com os outros sem precisarem usar uma única palavra sequer. É a telepatia, disse a raposa. Nada mais do que a transferência de sentimentos, sem que para tal seja necessário falar.

 

O pequeno príncipe sentia-se cada vez mais embaraçado. Aquilo estava-se a tornar mais engraçado, achou ele. Morrer não significava mais uma coisa estranha e aterrorizante, como ele sempre havia pensado.

-Se eu estou a entender bem, disse o pequeno príncipe, quando morremos deixamos talvez o nosso corpo para trás, mas o nosso ser mantém-se o mesmo. No entanto, sinto que as pessoas na Terra só vêm as coisas a preto e branco e que agora estamos numa situação onde milhões de cores existem.

-Isso é uma maneira interessante de explicar que alguém que morre se muda para uma outra dimensão, disse a raposa.

-Fantástico! Gritou o pequeno príncipe. Não preciso pensar em seja o que for que não apareça logo. Só tenho que pensar naquele rei mimado que no seu minúsculo planeta procurava súbditos sem qualquer esperança de os encontrar...

O pequeno príncipe nem conseguira terminar a sua frase. Encontravam-se já numa espécie de túnel, em que as paredes eram como se fossem umas telas de filme gigantescas, onde os pensamentos e as memórias do pequeno príncipe passavam. Ele havia somente pensado no rei fanfarrão e ali estava ele na parede do túnel.

-Apresento-te o filme da tua própria vida passada, ria a raposa, que muito parecia se divertir com o que o pequeno príncipe só agora estava a descobrir.

-O que queres dizer com isso, perguntou o pequeno príncipe, que começava a gostar de tudo aquilo.

-Escuta, disse a raposa, e de súbito tornou-se sério. Na parede deste túnel vais ver tudo de novo o que experimentaste na tua vida passada. Na Terra, os homens gostariam ou não, ou iríam gostar mesmo nada disso... mas aqui não fazemos julgamento destas coisas. Estas coisas aconteceram simplesmente. Nada é bom e nada é errado. Ninguém foi bom e ninguém estava errado. A partir de agora, esse tipo de coisas deixará de existir. O que interessa é o que experimentaste e o que com essa experiência pudeste aprender. Lembra-te daquela serpente no deserto...

Na tela de parede do túnel apareceu de imediato a perigosa criatura. Contorcia-se traiçoeiramente em redor do tronco da árvore desprovida de folhas, para de seguida passar ao ataque, e infligir ao pequeno príncipe a mordedura mortal. O pequeno príncipe olhava sem respirar, como se viu cair, lenta e silenciosamente. O estranho disto tudo é que ele não se sentiu de alguma forma triste, ou com medo, ou zangado. Pelo contrário. Ele passou pelo necessário para poder presenciar isto, caso contrário não estaria morto e teria, talvez, de esperar anos antes de poder ver todas aquelas cores em seu redor. Ou passar para outra dimensão, como a raposa havia descrito. Não, raiva não sentia ao presenciar aquela pequena cena no deserto. Ao invés, poderia mesmo chamar-lhe de gratidão, e um “perdoar”... Estes pensamentos preencheram-no de um sentimento de benefiçência que todo seu ser revestiam como um edredão ultraleve, quente e cheio de luz. E assim continuou, enquanto ele observava o filme da sua vida passada. Ao ver a sua rosa, compreendeu bem quão único tudo e toda a gente de facto é. E que de verdade o melhor é sermos capazes de aceitar as nossas responsabilidades. Era simplesmente necessário escolher tal. Sem que se aprecebesse bem, já havia andado muito no túnel. Fora da presença da raposa, apercebia-se agora da presença de outras almas. Eram por vezes um pouco fôscas e revestidas de uma luz clara mas suave. O pequeno príncipe sentou-se perto delas e calmamente as observou. Parecia que ele planeava contar algo de importante, e a raposa espetou as orelhas para não perder fosse o que fosse.

 

2. Um veículo como qualquer outro

 

- Por conseguinte, estou “morto”. Disse o pequeno príncipe, resoluto. Soara até um tanto ou quanto dramático. “Morto, portanto”... repetiu, como se se quisesse convencer a si próprio? E, no entanto, assim não parece... eu ainda estou aqui. Posso observar coisas. E, no entanto, vi-me mesmo agora, ali deitado na areia, imóvel... como um invólucro vazio.

A raposa deleitara-se a observar tudo aquilo, e tomou da palavra:

-Um invólucro vazio... isso não é assim uma descrição tão má, disse. Imagina que tinhas vivido toda a tua vida num automóvel. Desde o teu nascimento. E desde que te podes lembrar, nunca saiste dele. Por outras palavras, a carrossaria foi durante toda a tua vida, o único elo de ligação com todo o resto. Com as pessoas, animais, plantas, água, fogo, a terra e o ar... Tudo o que vias e sentias era através do esqueleto metálico do carro, das janelas, e dos pneus... Com o tempo aprendeste a lidar com aquele veículo. Por vezes até fora muito interessante, por vezes aborrecido, mas por vezes até incomodativo. Quando tinhas um pneu furado, por exemplo. Ou uma pedrinha batia no pára-brisas. Mas, na maior parte das vezes, estavas tão familiarizado com o funcionamento do veículo, que o sentias como uma espécie de prolongamento de ti próprio. E com o tempo –que aqui não mais existe- começaste a fundir-te com ele e as fronteiras entre os dois começaram a dissipar-se. Com o tempo, começaste a pensar que eras o carro... bem, é isso que acontece quando se vai para a Terra e se ocupa um corpo humano. Esse corpo humano era, de dia, o teu veículo, o teu prolongamento, uma pequena ajuda para trocares de pneu furado ou para sentires aquela pedrinha contra o pára-brisas. O teu meio de comunicação com outras pessoas, animais.. Mas, de noite, acontecia que as portas do teu veículo, sem te aperceberes, se abriam, e tu partias a reconhecer o teu ambiente. E então acontecia por vezes que visitavas o ‘outro mundo’, o mundo astral, digamos. Por essa razão é que, á pouco, mesmo quando acabaras de morrer, tiveste a sensação de chegares ao lar.

-Chegar ao lar, é isso mesmo; disse o pequeno príncipe. Não consigo encontrar uma palavra melhor para isso. Chegar ao lar.

O pequeno príncipe olhou em redor e reparou que cada vez mais daqueles espíritos começavam a aparecer. Parecia como se a luz ao fundo do túnel começava a aproximar-se cada vez mais e o túnel, propriamente dito, começava a dissipar-se. Ele tinha visto todo o filme da sua vida e o que mais achou engraçado em todo aquele espectáculo foi que nunca havia de ser punido. Porque, como disse a raposa: nada era bom ou mau. Morrer não era assim tão mau; achou o pequeno príncipe.

Mais ainda, ele até o aconselhava a todas as pessoas.

 

2.Uma nova visão

 

Entretanto muita luz tinha aparecido de todos os lados, pois que no mundo astral não há qualquer sombra. Em qualquer lugar. Tudo parecia feito de uma espécie de madrepérola, de uma matéria que ilumina. E o maravilhoso era que tudo não sómente dava luz como era feito de luz. Talvez por essa razão a raposa chamasse a isto o mundo astral. Pois que astral significa “como uma estrela” e uma estrela é, por definição algo que dá luz na noite... os espíritos disposeram-se na linha de separação do caminho de luz e o pequeno príncipe podia ver aqui e ali uns contornos de faces. De súbito, reconheceu a face do acendedor de lanternas. E parecia muito feliz. De compreender, pois que todo aquele trabalho de acender e de apagar lanternas não era mais necessário. Ali, no mundo astral não existia algo como o dia ou a noite.. sómente luz de diferentes intensidades e tonalidades.

-Aquilo para o qual eu gostaria de alertar, disse a raposa subitamente, é que, ao contrário do que se passava na Terra, as coisas que vês aqui não se tornam mais pequenas quando as observamos de uma grande distância. A partir de agora poderás ver todas as coisas de todos os lados e ao mesmo tempo.

-Isto parece-me um pouco confuso. Disse o novo príncipe. E de imediato imaginou um ponto de interrogação....

-É verdade, disse a raposa, principalmente no começo. Pois que depois, as coisas que conhecias antes, tornam-se irreconhecíveis. Mas a isso também te vais habituar depressa, e na totalidade, isto tem a ver com a maneira como vês as coisas pessoalmente. Mas isto não é tudo, acrescentou a raposa. Neste momento aguardou um pouco, a fim de dar ao pequeno príncipe uma oportunidade de reagir. Mas ele estava descansado. Nada mais o podia perturbar. Pois que ali tudo era possivel. E isso era bem claro. Por conseguinte, ele disse:

-Não querias falar das côres? E da música, também há muita coisa a contar.

A raposa sentou-se ao pé dele.

-Como sabias que eu ía falar disso, perguntou ele.

-Telepatia, disse o pequeno príncipe um tanto ou quanto complacente. Telepatia. Sabes: a comunicação de sentimentos, sem que para tal seja necessário proferir uma palavra. Eu sou apenas um principiante na matéria, mas estou a praticar intensamente, como vez. Uma resposta assim fez com que a cauda da raposa se encaracolasse de prazer. O pequeno príncipe não era sómente um bom aluno, ele também tinha humor. Na Terra as pessoas talvez achassem uma resposta assim, um tanto ou quanto arrogante, mas como fora dito, no mundo astral não existem pensamentos de julgamento. Por conseguinte, a raposa continuou com o que tinha começado.

-As côres, portanto. Disse a raposa resoluta, como era o seu hábito. Cores. Como já te pudeste apreceber, as côres aqui não têm comparação com a reduzida palete de côres que se tem na Terra. Os que aqui se encontram, após uma estadia na Terra como pintores, têm agora uma maior palete de côres. Aqui podes dar asas à tua criatividade. Sem restrições.

Por um instante, o pequeno príncipe pensou naquele piloto maluco que, durante a sua estadia na Terra deixou passar uma carreira de pintor, pois que na Terra existem tantas restrições. As leis, as regras. Mas, visto que no mundo astral não haviam julgamentos de juízo, o pequeno príncipe largou aquele pensamento. E continuou a ouvir o que a raposa tinha para lhe contar.

-As côres aqui são mais do que meras côres. Elas não só são mais radiantes do que as côres na Terra, como também mais vivas... eu vou explicar isto de outra maneira: aqui as côres vivem. Elas são uma forma de comunicação. Por outras palavras, o que há pouco chamava-mos de telepatia, podiamos chamar de uma comunicação através das côres. Cada qualidade que se tem, ou emoção que se sente, ou um traço de carácter, pode ser colorido com aquela palete infinita que aqui dispomos. Cada pensamento que tens atraiçoa-se a si mesmo, através dos balões coloridos que, por assim dizer, saem da tua cabeça astral. Para mim nada tens a esconder. Portanto, toca a colorir o meu dia e começa a pensar em algo engraçado...

-Música, pensou o novo príncipe, podias falar também de música.

-Precisamente, disse a raposa a alta-voz; a música também tem o poder de colorir o meu dia. Pois que aqui é possivel não só ouvir-se música como também vê-la. Certas formas dão a entender um determinado estilo, e côres contam-nos algo sobre emoção na música.

-Então e aqui não se precisa trabalhar, perguntou o pequeno príncipe, cuidadosamente. Pois, pelo que ouço, tudo aqui é por assim dizer perfeito...

-Não como voçês faziam na Terra. Pois que o dinheiro aqui nada significa. A única coisa que tens para fazer aqui é criares aquilo que sentes necessidade de criar. A melhor coisa que possas imaginar, tudo aqui pode ser criado. Também te podes candidatar para fazer trabalho útil nos “serviços”, pois que os teus irmãos e irmãs, tanto no mundo animal como no humano, gostam de um pequeno incentivo nosso.

 

O pequeno príncipe tornou-se muito silencioso. Durante a sua estadia na Terra tinha experimentado certas coisas que, por assim dizer, bem mais precisavam do que um mero “incentivo”. Se dele dependesse, começava já a trabalhar. Agora que via as coisas de uma certa distância, parecia o trabalho mais urgente e importante, o clarificar a ignorância humana. Dar simplesmente a conhecer às pessoas que as coisas podem ser de outra maneira. Que toda a gente tem a capacidade de tratar de si próprio sem que para tal seja necessário atribuir as responsabilidades aos outros. E o medo, que de momento paraliza 99% das pessoas na Terra... aí precisa mesmo que se trabalhe. Uma ofensiva caridosa começou lentamente a tomar forma no pequeno príncipe. Ele queria começar naquele instante. Olhou para a raposa e procurou as palavras certas, para lhe dizer o que sentia, mas, visto que a raposa tinha ôlho para as maravilhosas côres que envolviam o pequeno príncipe, não eram necessárias quaisqueres palavras. A raposa aproximou-se cautelosamente, pousou as suas patas dianteiras nos ombros do pequeno príncipe e deu-lhe um caloroso abraço .

 

 

 

3.Segue o guia

 

 

Como deves saber, o tempo aqui não existe. Portanto... aqui não é possivel perder tempo. Para nada necessitas te apressar. Aqui não tens que ter a sensação que tens de correr. Só há apenas uma coisa a ter em atenção: ir para a luz. O resto vem por si. No caminho verás como podes sempre ter ajuda. Dos teus guias, por exemplo.

-E quem são eles? Perguntou o novo príncipe, pois que nunca tinha encontrado um. Nem agora nem quando ainda andava no mundo material.

-Guias são seres astrais que foram escolhidos para prestar serviço e por conseguinte –como fôra dito antes- dão ajuda às pessoas e aos animais. Mas quase sempre nunca se deixam ver. Portanto é muito normal que nunca tenhas visto um. Com excepção para o guia que está diante do teu nariz.

Para o pequeno príncipe, todo aquele puzzle começava agora a tomar forma. No entanto ele ainda tinha algumas questões... mais ou menos umas cem mil questões. E a primeira questão era:

-Os guias parecem-se todos como tu?

-Podia-te dar uma longa resposta a essa pergunta ou uma curta. Vou começar com a resposta curta. Na verdade, eu pareço como tu queres que eu pareça. Declaro mais. Um guia é alguém que tem de inspirar confiança. Há que confiar nele. Cegamente. Na tua existência na Terra desenvolveste um relacionamento tão fantástico com a raposa que me, subconscientemente, atribuiste a imagem daquilo que com confiança associas. E para ti isso é uma raposa. Poderia ser um rei, mas a tua experiência com reis não é dessa natureza, que os podes seguir cegamente. Pois que... diz-me tu agora, nem todos os reis são de confiança.

-Por conseguinte... disse o pequeno príncipe cuidadosamente, eu próprio estou em estado de te tornar como eu desejo. Uma espécie de livro de côres onde se pode ir para além das linhas... E talvez te pareças para um novo recém-chegado como a sua mãe ou avó, ou uma bondosa e especial professora? Ou... como uma rosa! Interpolou o pequeno príncipe...

-Vejo que te posso poupar a longa resposta, disse a raposa, pois que reparo que o compreendeste. Mas, naturalmente, a maior parte das almas são aguardadas por familiares mortos. Quando uma nova alma está para chegar, elas são avisadas e lá estão com sinos e campainhas a dar as boas vindas ao recém-chegado.

-Com sinos e campainhas? Perguntou o pequeno príncipe com alguma descrença.

-Pode bem ser, isso depende do que a nova alma espera encontrar. Seja como for, elas rodeiam-te para te dar as boas-vindas. E que tudo está bem, tal como é. No teu caso, visto não teres laços muito grandes com alguém da Terra que tenha ido para outra dimensão... apesar disso para aquele piloto, em termos terrestres, não vai durar muito tempo... ele será recebido ao fim do túnel por seres, que como poderei chamar, são a tua família verdadeira. O teu grupo de almas, como também é denominado. E no teu caso estas vêm de Arcturus. E estas almas caridosas levar-te-ão para o teu lugar.

-Nem posso esperar, disse o pequeno príncipe com alguma ansiedade.

 

-Nunca te esqueças, acrescentou a raposa, que aqui não há razão para pressas. Tudo acontece precisamente quando o tempo para tal é certo ....

 

 

 

 

5. Notícias de Antoine

 

O pequeno príncipe ficou um pouco aturdido com tudo aquilo. Ele nunca tinha pensado que aqui pudesse ter uma “família”. Aquela ideia continuou a assolá-lo. Uma ideia absurda. Imagine-se... enquanto ele se ocupava com aquele piloto, da rosa, do rei, do bêbado e de todas aquelas personagens mais ou menos agradáveis, tinha ele uma família que tampouco conhecia. Talvez tivesse exercido ali antes uma ou outra função de relevo, e as pessoas o tinham entitulado de “Príncipe”... enquanto ele se embriagava de tantos pensamentos, um pouco mais à frente, a raposa sentou-se. Entretanto, aproximara-se. O pequeno príncipe de imediato se apercebeu que algo importante iría acontecer.

-Escuta, amigo, disse ele, escuta... eu entrei à pouco em contacto com Ashtar e ele estava preparado para a tua vinda.

-Ashtar... repetiu o novo príncipe, e quem é Ashtar?

-Ashtar é aquele que lidera o comando que tem como função a protecção e o desenvolvimento do planeta Terra. E de ainda muito mais coisas, mas isso agora não importa.

-Esse Ashtar é portanto um pouco um príncipe, pensou o pequeno príncipe.

-É uma maneira de ver as coisas, sim, mas, na realidade, isso não é verdadeiramente importante. O que é importante é que ele deseja te conhecer e que sobretudo te quer pedir um grande favor.O pequeno príncipe, deixou de se sentir assim tão pequeno, como o seu nome fazia crer. Alguém com um função tão importante a nível intergaláctico pedia ao ‘grande’ novo príncipe, por assim dizer, que lhe fizesse um favor.

-Manter-se humilde, pensou o pequeno príncipe... principalmente não começar a correr ao lado dos sapatos. Caso contrário aquela lição com o rei mimado teria sido em vão. O pequeno pequeno príncipe fez-se um pouco mais pequeno, baixou até um pouco a cabeça e disse em tom sole

-Estou a escutar.

-Deixa-me primeiro fazer um esboço da situação em que o planeta Terra neste momento se encontra. Desde a tua morte, que, em termos terrestres, passou muito tempo. O piloto que encontraste no deserto, entretanto, já faleceu. Para os seus conterrâneos parece que ele desapareceu do fundo da Terra. E é mesmo isso que aconteceu. Antes dele morrer, deixou um livrinho escrito onde relata o vosso encontro e os momentos magníficos que passaram juntos no deserto. O livrinho foi traduzido em inúmeras línguas e todo o planeta, entretanto, tem conhecimento da informação importante que foste executar na Terra.

-Eu não estava ciente de que iria ter tal importância. A única coisa que fiz foi ser amável em todas as circunstâncias, disse o pequeno príncipe, inocente.

-Precisamente, disse a raposa, e para uma criança não é importante em que forma algo é contado, mas o que é contado. Para a humanidade parece que a forma exterior é mais importante do que o conteúdo e por conseguinte... isso é o mal de tudo, que as pessoas todas leram efectivamente o livrinho mas que, na realidade, tudo aquilo entre os livros das suas prateleiras o encafoaram, onde, agora, lentamente, no esquecimento ameaça cair. Portanto: da grande lição de como se deve olhar para as coisas com o coração, já eles entretanto se esqueceram.

-Estão as coisas na Terra assim tão mal, perguntou o novo príncipe.

-Se realmente queres saber... disse a raposa, e inspirou bem fundo, como alguém que necessita manter a cabeça debaixo de água por muito tempo ...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

6. A situação na Terra

 

-Posso-te por desta maneira: os reis ficaram dez vezes mais mimados e corruptos do que no teu tempo. Os cientistas agora ainda não compreenderam que o coração é mais entendido que o cérebro, os números estão a governar o mundo, generais ávidos de guerra encontram as armas mais sofisticadas, e quem as tem tem tudo a ver com o dinheiro que se tem nas contas bancárias. De resto passam o tempo a lamentar-se de como Deus é vingativo e cruel e abusam das pessoas sensíveis e amáveis para fazerem delas santos que, por sua vez, fazem girar um negócio de velas, estatuetas e imagens. A raposa estava a ficar sem fôlego. Continuou de novo no seu raciocínio.

-E ainda nem falei das crianças. Que são ainda consideradas menores, tal como as mulheres em certas culturas. Sabias que as pessoas inventaram um aparelho para infuenciar os fenómenos naturais e o tempo? Sim senhor pequeno príncipe, eles têm agora meios de fazer cair raios onde quiserem. Mas também de causarem tremores de terra, tsunamis e erupções vulcânicas. Nos laboratórios fabricam vírus que astuciosamente, através das vacinas, infectam a população. Os aviões pulverizam toneladas de produtos venenosos nos ares e nas praias morrem milhares de aves e peixes por razões sem explicação...

 

O pequeno príncipe tinha ouvido o suficiente. Apertou as mãozinhas com força contra as orelhas para não ouvir tanta desgraça. Isso era o sinal para a raposa parar. Digamos, para fazer uma grande pausa... depois, e numa voz suave, continuou.

-Compreendes que a Terra e os seus habitantes que tenham boas intenções não irão deixar as coisas assim. De acordo com Ashtar, o sistema irá se degradar ainda mais e, esse momento, que não é mais suportável, aproxima-se cara vez mais. Quando isso acontecer haverá o caos e as pessoas designar-se-ão umas ás outras. Por conseguinte, é importante que haja cada vez mais uma maior colaboração. As pessoas terão que se haver umas com as outras, uma vez que o sistema deixe de existir para as ajudar. Quando o sistema monetário desabar, quando os salários não forem pagos, quando os supermercados deixarem de estar cheios... Estarão as pessoas preparadas para cuidar de toda a gente? Isso será o grande desafio. Não é necessário que vivam em pânico devido a este cenário, mas devem visualizar como vão ajudar toda a gente. Haverá necessidade de uma liderança, as pessoas que se atrevem assumir as responsabilidades. Compaixão e acompanhamento serão necessários, pois que haverão pessoas em panico uma vez que percam as suas certezas. Uma nova comunidade com nova energia será criada onde as pessoas viverão em ambundância. O que as irá ajudar será a ideia de unidade. As pessoas saberão intuitivamente o que fazer. O telefone e a internet não serão mais necessários pois que as pessoas, depois de algum tempo irão comunicar entre si telepaticamente. Portanto, como vez: não há razão para ter medo. Está tudo em ordem. Mas para que tudo tome o caminho certo, necessitamos dos líderes... e aí apareces tu em cena, o senhor pequeno princípe. Caso escolhas para aceitar tal... chamemos-lhe uma missão, Ashtar e os seus ajudantes dar-te-ão uma formação para te preparar para a função de liderança, colaboração, intuição, confiança e compaixão. O comando de Ashtar, composto de seres proveniente das Pleiades, Arcturus, Sírius e outros membros da federação Galáctica ajudar-te-ão a qualquer altura. Mas antes disso, tens tu que escolher... Tens todo o tempo ...

 

7. É feita a escolha

 

Segue-se um grande silêncio. Podia-se ouvir uma núvem a cair... Na realidade, para o príncipe tudo estava claro à bastante tempo. Ele tinha feito a sua escolha. Na sua aparição terrestre isso era claro de se ver. Mas agora teria de novo que escolher.

-As coisas não estão assim tão boas no planeta Terra, começou o pequeno príncipe, cuidadosamente.

-Depende de que perspectiva é que se vê, disse a raposa. Mas atenção, ninguém te pode obrigar. A liberdade de escolha é algo que aqui é respeitado acima de tudo, e não obstante a tua resposta, essa será a boa. Tu não és, por assim dizer, o único a quem Ashtar dirigiu a pergunta. Neste momento milhares de entidades de Sírius e Arcturus estão a ser enviadas para a Terra. E cada uma delas recebeu uma tarefa específica. Tu, decerto não estarás só. Todas aqueles novas crianças que agora nascem terão, de acordo com as normas terrestres, dons espectaculares. Alguns serão campeões. Na Terra chamam a estas crianças de indigos. Mas também há aqueles que agem de pura caridade e que pensam, sentem e fazem as coisas do coração... A telepatia será para eles algo banal, como sentir o que outra pessoa sente.

-Eu compreendo que isso será muito interessante, mas será que na maior parte dos casos não se torna muito pesado?

-Isso claro que sim... algumas crianças estarão em estado de continuar e enviarão amor e outras reagirão de outra maneira. Frustradas, por não serem compreendidas...

-E poderão até tornar-se agressivas... acrescentou o pequeno príncipe.

-Ou então escolhem regressar a casa...

-Mas como está assim tão mal com os habitantes da Terra. Da minha última visita, achei que as pessoas crescidas comportavam-se de uma maneira infantil. Sem serem crianças de verdade.

-Pouco mudou desde essa altura, disse a raposa; pelo menos não no sentido positivo. Sabes como é que os esquimós apanham um lobo?

-Agora estás a dar um salto que eu já não consigo acompanhar, disse o príncipe.

-Calma, disse a raposa, num instante tudo se vai tornar claro. O esquimó esfrega uma adága afiada com sangue, sangue de um outro animal; coloca a adága lá fora onde tudo congela. De seguida, esfrega outra camada de sangue e depois outra e por aí afora. Finalmente, planta a adága na neve com a ponta para cima. O lobo cheira aquele sangue. De noite, o lobo aproxima-se. Pois para aquele animal, a adága parece-se mais como um gelado, um delicioso gelado de morango. E no escuro começa a lamber o sangue da adága. Ele começa a gostar do sabor e com a fome que tem continua a lamber. A uma certa altura aparecem os cantos afiados da lâmina, mas o lobo não tem mão na sua gula. O animal ainda fica mais guloso. Sente que o sangue começa a tornar-se morno. Mas não compreende que está a cortar a sua própria língua. Isto quer dizer que a partir deste momento começa a comer o seu próprio sangue. Mas continua. Pois que a gula não conheçe fronteiras. De manhã o lobo é encontrado pelo esquimó, sangrado até à morte.

-E assim se está a passar nesta altura com as pessoas?

-Sim, penso que se não tiverem cuidado e não se aperceberem rapidamente da sua arrogância extrema, padecerão da mesma maneira.

-Vou faze-lo! Disse o príncipe resoluto. Vou faze-lo!!

Uma vez mais a raposa se aproximou, pousou as patas dianteiras nos ombros do novo príncipe e deu-lhe um abraço

caloros o de gratidão .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

8. Uma nova mudança

 

E este foi o momento em que o pequeno príncipe sentiu onde tudo aquilo ía. Ele foi como que absorvido, pela suave luz que o havia rodeado todo aquele tempo. Ele próprio se tornou na luz. Era um sentimento que não podia ser descrito por palavras. Uma força extraordinária que dele saía. Nada agora o poderia deter. Quando se libertou do abraço da raposa, reparou que a raposa não era mais a raposa. No seu lugar, o pequeno príncipe viu apenas uma lágrima gigante, tão grande como ele e toda transparente. A palavra lágrima talvez não fosse muito boa escolha, pois que quando numa lágrima se pensa, pensa-se em tristeza ou algo do género... e disso não havia qualquer indício. Pelo contrário, de súbito tudo em redor dele era felicidade. E a partir da lágrima, explodiram, por assim dizer, as côres mais maravilhosas... O grande momento da comunicação telepática havia chegado... E ele próprio não se parecia como o pequeno príncipe. Não... ele também havia tomado a forma de uma daquelas lágrimas.

A grande tarefa podia agora começar .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

9. Ashtar fala aos missionários

 

-Irei ser sucinto, disse Ashtar a um grupo de entusiastas, que haviam sido escolhidos para regressarem de novo à Terra e encarnarem. Todos vós fazeis parte de um puzzel, e cada um com a sua peça. Cada um de vós tem a sua própria missão. Por conseguinte, vivam a vossa própria missão, foquem-se nela e tenham confiança. Um irá talvez escrever livros, outro irá fazer algo em redor do ensino. No campo da medicina, precisamos também de algumas pessoas, mas também precisamos de artistas, cantores, gente do teatro, jornalistas e criadors de moda. Enquanto as pessoas da Terra tiverem comer para poder viver, podemos também fazer uso de padeiros e carniceiros com aquela pitada de sensatez. Precisamos de todos para poder realizar esta transformação que se aproxima. Estamos em 2012 e não há mais tempo para protelar esta missão. Tem que acontecer agora. Podes começar por seguir o teu próprio coração. Não te deixes influenciar na Terra por todas as ideias sobre crises, poupanças, custos de seguros de doença e contas de energia. Não é isso que se pretende. Como pessoa, não necessitas de tanto, o possuir é uma ilusão. Tirarás o melhor partido da vida se seguires o teu próprio coração.

-E seremos nós ajudados pela vossa presença? Perguntou o pequeno príncipe, que também se estava a acostumar à sua nova responsabilidade. Como poderemos saber que voçês lá estarão?

-Ao sentirem a nossa energia, o contacto telepático, lembras-te? Tu determinas o quanto a desejas utilizar. Nós estamos sempre à tua disposição.

E nós gostamos de todos; vós sois muito amados. E uma vez mais o repito: tenham confiança. As certezas terrestres cairão por terra, mas essas são certezas fingidas. Agora terão que realizar tudo uns com os outros. No momento certo receberão a directiva certa intuitiva. Cabe a vós a seguirem. Não tenham medo, pois que é tempo de se deixarem ver. Vós próprios sois aqueles por quem têm esperado. Vós sois muitos, vivam a vossa missão nos vossos meios, não necessita ser grande, não necessita ser através da política, não precisam apoiar grandes causas, mas façam-no, vivam a vossa missão. Não esperem pelos outros. Façam-no voçês mesmos.

Algures próximo do pequeno príncipe, pensou-se numa pergunta, em como e quando os habitantes da Terra iríam reagir a esta leva de novas crianças. Ashtar continuou, como se a pergunta tivesse realmente sido feita.

-Os habitantes da Terra chegarão à conclusão que os sistemas vingentes não mais funcionam; mas têm medo de deixar estes sistemas. Existem grandes interesses por trás de tudo aquilo e as pessoas não se querem separar deles. Os problemas, por conseguinte, aumentarão até que essa prontidão exista, ou o sistema demoronar-se-á, seguido de um período de caos. Os habitantes da Terra decidirão isto. Ou trabalham na sua consciência, e acabam com o abuso da Terra, ou não o fazem. Muitas pessoas já estão cientes disto, muitas ainda não. Catástrofes ambientais fazem com que as pessoas acordem para a realidade. Não seriam necessárias, mas de momento ainda o são. O Comando Ashtar nas suas dimensões superiores, nada mais pode fazer que observar, proteger e inspirar. É a tarefa dos representantes encarnados, como vós, para pôr as coisas em marcha na Terra. O pequeno príncipe tentava imaginar tudo aquilo. O seu novo papá e mamã e talvez até um irmãozinho ou irmãzinha... imagine-se que ele iria parar a um meio onde as pessoas ainda se agarram a velhas tradições, como aquelas inerentes a certas religiões... e que eles lá em casa nunca tivessem ouvido falar de consciência, sem falar do termo ‘crianças da nova era’... Então estaria ele completamente só... Ashtar continuou o pensamento do pequeno príncipe:

-É importante que as pessoas achem os seus próximos e que trabalhem com eles, disse ele resoluto. Só, é mesmo só. É bonito começar uma missão e mais tarde, talvez, começar uma prática própria, mas liguem-se a outros. Atirem a bola uns para os outros. Usem as qualidades uns dos outros e trabalhem em conjunto. Andem, literalmente, um dia com um outro. Partilhem conhecimento, sabedoria, capacidades. Juntos podemos mudar o mundo, nunca foi intenção de o fazerem sozinhos... Achem-se uns aos outros, vão ao encontro uns dos outros, trabalhem uns com os outros. Todos vós possuem uma parte da verdade, poucos têm uma idéia do todo. Trabalhem juntos no puzzel e aumentem a vossa introspecção.

O pequeno príncipe olhava em redor. Eram mesmo muitos. E todos juntos não passariam despercebidos... ‘Se eu conseguir seguir o meu coração’ pensou o pequeno príncipe. O resto virá por si.

 

 

 

10. Encarnar; a primeira lição

 

 

Num ápice o pequeno príncipe ficou pronto para que a sua próxima encarnação na Terra prosseguisse da melhor maneira. Um dos colaboradores próximos de Ashtar esclareceu-o de que, ao entrar num corpo humano no planeta Terra, tudo fica de repente mais pesado. O próprio corpo, por si só, já está a mais, pois que constantemente impede o desejo de liberdade. O homem comum naturalmente nunca conheçeu outra coisa, pois que desde o seu nascimento foi envolvido numa espécie de véu, que o impede de ver claramente o seu mundo de experiências restringindo-o aquilo que a matéria consigo interage. Para os pequenos recém-chegados este véu é ainda mais ténue, e em certos casos quase inexistente. Isto torna possivel que os colegas do pequeno príncipe leiam os pensamentos, ou se sintonizem com aquilo que os seus amigos terrestres sentem... pelo que vão sentir o mesmo. Para alguns, e para completar as coisas, deve ser dito que, na maioria dos casos as crianças não estão bem preparadas para tal. Imagine-se o que para eles significa, sentarem-se numa sala de teatro, cercados de centenas de pessoas cada qual com a sua mochila de miséria. Decerto muito difícil para uma criança da nova era... na melhor das hipóteses, a criança escolherá ela própria abandonar a sala. Mas, claro, como se explica uma coisa destas ao papá e à mamã, para quem isto uma saida à noite significa, para a qual se tinham preparado há muito. Muitas destas crianças estão em estado de se proteger, ou de... o que ainda é mais engraçado, de abandonarem os seus corpos. Sair do corpo, quer dizer. Nunca viste uma fotografia onde aparecem umas manchinhas vermelhas? Destas manchinhas, que pensas: mas que pena, agora a minha foto ficou estragada. Mas se observares bem, são muito mais do que simples manchas. Na realidade, cada uma daquelas manchas significa a presença de uma consciênçia. De um vivo ou de um falecido. Existem algumas crianças deficientes que com os seus corpos terrestres a lado nenhum podem ir, mas que estão em estado de fazer grandes viagens com as suas consciências. E dessa maneira também conseguem influenciar outras pessoas. Caso essas estejam abertas a tal, claro. Em Inglês este fenómeno é chamado de ‘orbs’. Em Françês, é algo mais: ‘ des sphères de conscience énergetique’... Desde que a criança tenha um nome... dizem os cientistas

 

11. Google Earth...

 

O pequeno príncipe tinha como costume recente observar com muita atenção a vida no planeta Terra. A vida continuava como de costume. Guerras travavam-se sem tréguas. Os pais achavam que as crianças não deviam ser tidas seriamente e na escola, essas mesmas crianças, ali estavam sentadas a aborrecerem-se desesperadamente. Uma dessa crianças era Germaine. (Um nome Françês que se pode dividir em germe e ainé, o que significa literalmente, ‘semente matura’)

Ela exercia uma grande influência nele. Ela tinha algo em comum com o pequeno príncipe. Algum tempo atrás, a Germaine tinha, em termos terrestres, simplesmente cerca de 7 anos, e deu-se que a pequena rapariga de súbito deu um grande salto do degrau de cima para o degrau de baixo da escada da escola. A professora ficou muito assustada. Ficou também um pouco zangada, pois que a Germaine poder-se-ia ter magoado bastante. A Germaine não conseguiu explicar o que aconteceu naquele momento. Fosse como fosse, a professora nunca o compreenderia. Mais tarde, nesse dia, quando estava com a sua avó, decidiu explicar-lhe o que nesse dia havia acontecido precisamente. Quando apenas se tem 7 anos, uma tarefa difícil.

“Esta manhã” disse ela com a sua vozinha, “havia algo em mim que me convenceu do facto de que poderia voar, e que o poderia provar hoje”. A boca da avó abriu-se um pouco de espanto, sorriu discretamente e fez um gesto, dando a entender á Germaine que poderia continuar com a sua explicação. A avó também tinha sido jovem e os relatos da sua pequena netinha eram sempre uma lufada de ar fresco na sua existência por vezes solitária.

Continuou então a Germaine, “queria que eu –nas escadas da escola, esta manhã- o tentasse. Fechei os olhos com muita força e fiz o meu primeiro teste de vôo. E mesmo nesse momento que saltei, senti o vento debaixo da minha saia como se me quisesse levantar, e a minha saia ficou toda aberta como se fosse uma espécie de pára-quedas vermelho, e então, quando abri os olhos de novo, já estava no último degrau da escada; como se tivesse aterrado suavemente; como uma borboleta numa flôr...” A avó adorava o relato. “Fantástico”, deixou-se levar pelo entusiasmo. “também eu vou ter que experimentar isso um dia destes”...

“Vês como a minha avó compreende”, murmurou entre dentes ao seu amigo, que para a avó, infelizmente, era invisível. “Todos os outros adultos ter-se-íam rido de mim”. No seu ouvido esquerdo escutou de imediato um comentário ao acontecido. “Se eu fosse a ti, aguardava um pouco mais com as experiências de vôo” disse uma vozinha clara de um rapazinho; “mais tarde iremos ajudar-te, mas espera mais um bocadinho”.

Aquela vozinha era nas últimas semanas mais regular, principalmente nos momentos em que Germaine, de uma ou de outra maneira, se metia em sarilhos. Para a pequena rapariga não era de todo claro o que se podia ou não podia contar aos adultos. Por experiência própria, sabia que era melhor não contar tudo o que via, ouvia e sentia. Os adultos são, muitas vezes, frágeis e é melhor não os assustar.

Mas, claro, ela não podia deixar de de vez em quando sentir muito fortemente uma presença. Nessas alturas falava em silêncio com uma vozinha muito suave ou uma espécie de voz interior. Quando tal acontecia, fingia que estava sentado ou deitada a dormir, para, desta forma, poder comunicar de uma maneira melhor. E se uma tal conversação se desse na escola, fingia sempre que tinha dor de cabeça e então a professora sentava-a nas carteiras de trás onde podia descansar com a cabeça nos braços cruzados. Desta forma mantinha cada vez melhor a ponte entre os dois mundos. De tal maneira que a uma certa altura era mais do que óbvio que não era evidente poder continuar a funcionar tão coordenadamente. Pois que ao brincar com os seus colegas, acontecia, por vezes, que observava coisas que para os outros meninos não existiam.

Uns anos mais tarde, as coisas ainda ficaram mais congestionadas. Mesmo quando estava sozinha, havia sempre a visita de faces e de espíritos em seu redor. Não que se importasse muito. Muito pelo contrário, pois que, na maior parte das vezes, traziam bons conselhos que ela naquele momento bem precisava. Poucos anos mais tarde ela até conseguia ver os pensamentos das pessoas em redor dos seus corpos... na maior parte das vezes, pensamentos negativos, que primeiramente pareciam pairar um pouco mas depois estagnavam e se tornavam maiores para, no final, atacarem o seu próprio criador como que se de um veneno se tratasse.

De vez em quando, ela tentava ver aquelas coisas nela própria, também. Mas não funcionava. Ela até tentou com um espelho, mas a única coisa que podia ver, era o seu próprio semblante. A frágil e pálida rapariguinha de quem o médico havia dito ter uma predisposição para sofrer de anemia ...

 

 

 

12. O grande carimbo

 

Em Landsirius (também existe Vissirius) havia um sistema de almas que estava a fazer as suas últimas preparações para a sua nova missão terrestre. A maior parte deles havia tido contacto com os seus pais futuros. Na sua maioria eram conhecidos de outros tempos, de outras vidas, com quem ainda tinham uma ou outra coisa a fazer. Ou então eram pais cujo crescimento tinha já evoluido de tal maneira que reconheceriam os recém-chegados como crianças das estrelas e os tratariam dessa maneira. Estas crianças tinham escolhido uma forma tradicional de encarnação. Para o pequeno príncipe isso seria um pouco mais complexo, pois que havia escolhido definitivamente que seria uma espécie de visita. Ele tinha tido o pressentimento que a Germaine, que já havia conhecido antes, estava ali por alguma razão.

O pequeno grupo que estava a pontos de partir, encontrava-se muito animado e contente. Estavam todos bem cientes que as suas encarnações não seriam simples. Cada alma tinha as suas expectativas, outras esperança, e outras então tinham valores que de uma maneira ou de outra eram evidentes para a maioria dos habitantes da Terra. Eles colmatariam essas diferença com uma boa dose de humor, controle e despego. Eles sabiam ao que íam, que cedo estariam na Terra presos num corpo físico e que tudo aquilo seria diferente de agora. Teriam um grande peso sobre eles. Mas tinham toda a confiança nisso e estavam resolutos manterem-se fiéis aos seus objectivos, para os quais partiram para a Terra.

Entretanto, Sephir chegara. Sephir veio, de facto, de Arcturus, mas ele passava regularmente por Landsirius para dar formação aos candidatos a novas encarnações. Os habitantes de Landsirius aparentavam ter uma grande afinidade para com a Terra e enviavam cada vez mais novas crianças para este planeta.

 

 

 

Sephir tinha tomado o seu lugar e dirigiu os seus pensamentos à multidão ávida de aprender à sua frente. “Se tiverem a noção”, disse ele com uma voz doce mas decerto resoluta, “que se voluntariaram completamente livres para iniciarem este próximo passo. Aqueles que os antecederam, e foram muitos, têm todos as suas informações consigo. Logo que ocupem um corpo, pode ser que esta informação não esteja disponível por algum tempo, mas na altura certa, estas crianças serão consideradas jovens adultos, pelas normas terrestres, um pouco estranhos ou geniais.

Daqui enviamos regularmente nova informação a essas pessoas, para os quais, naquele pequeno corpinho pode tornar-se muito apertado. A informação que estas crianças terrestres podem suportar com moderação, proporcionará a outros, na sua maioria pessoas adultas, uma posição de julgamento. E o que vou dizer disto é certamente a vós dirigido: não entendam estes julgamentos nunca como coisas pessoais, mas compreendam que os seus programas ainda não aceitam as suas aplicações. Isto diz algo sobre os seus próprios programas, não dos vossos. Voçês seguem o vosso programa, cada um segue o seu, portanto respeitem todas as crianças, mesmo que essas sigam um outro caminho”.

O pequeno príncipe repetiu isto em silêncio, para ter a certeza de que não se esquecia. “Tenho respeito por todos os outros, mesmo que sigam um outro programa...”

Sephir fez uma pequena pausa, olhou para o pequeno príncipe sorridente e fez sinal que sim com a cabeça. Depois continuou. “Eu gostaria agora de falar do que na Terra se tem como círculos nos campos de cereais. Mas primeiro quero falar de outra coisa, para que possais compreender mais facilmente a origem dos círculos nos campos de cereais. A Terra como as pessoas a observam, encontra-se num grande campo electromagnético. Este campo tem uma certa vibração. Na realidade, tudo é uma vibração. Tudo os que as pessoas na Terra sentem com os seus sentidos tem uma vibração. Quanto mais a matéria é sólida, mais baixa esta vibração. Mas paralelamente há ainda muito mais que eles com os seus sentidos não podem captar. Visto estas formas de energia terem uma outra vibração, de facto muito maior, não são visíveis directamente, mas podem ser sentidas por alguns. Podem comparar com um rádio. Para algumas pessoas na Terra, um meio ultrapassado, mas ainda suficientemente popular para fazer a comparação que pretendo. Se puderem imaginar, que todas aquelas pessoas na Terra são um receptor de rádio. E que estão em estado de captar certos programas ou frequências, pois que estão sintonizadas para eles. Mas existem muito mais programas. Mas esses infelizmente não são recepcionados pelos senhores e senhoras da Terra... o que não quer dizer que esses programas não existem. E tenham em atenção! Pois que, na realidade, isto tem agora a ver connosco. Pois que nós nos encontramos numa vibração que eles ainda não podem captar. E isso também é válido para os nossos veículos. Por vezes, as pessoas se perguntarão o que são aquelas bolinhas brancas pequenas que as lentes das suas camaras digitais captaram. Nós já sabemos o que isso é. Os orbs, lembram-se. Muito bem.

 

 

 

 

Há pouco disse que a Terra se encontra um grande campo magnético. Isto não é assim tão pouco importante se lhes disser que, nós fazemos aqueles círculos nos campos de cereais com a ajuda de um carimbo magnético. Direi de outra maneira ainda: Nós trabalhamos com feixes de energia que possuem uma frequência que os habitantes da Terra não conseguem ainda captar. E direccionamos estes feixes para diferentes lugares na Terra. Estes locais bem conhecidos têm eles mesmo já uma frequência que é superior à do meio e por conseguinte, podemos desta forma nos conectar-mos com estes locais, por assim dizer. Ao sintonizarmos estas frequências mais altas terrestres conseguimos mantermo-nos mais perto da Terra por mais tempo. Tenham em atenção que cada local na Terra pode ser utilizado para este tipo de trabalho. Mas posso aconselhar uns certos locais no sul da Inglaterra. São locais de uma forte energia. Quando carimbamos um círculo daqueles na superfície da Terra pode bem ser que os olhos humanos o possam observar. Há também que ter em atenção que lá em baixo não se danifiquem as coisas. Por outras palavras, os cereais ficarão dobrados, nunca partidos. Devido a temperaturas superiores, próprias do carimbar, as células dos cereais dilatam-se. As pessoas que tudo isto observam lá de baixo no seu mundo, também puderam observar que rapidamente que dentro dos círculos, os cereais têm o caule mais longo que fora dos círculos. E que, logo após a formação de um círculo nos cereais, dentro dos círculos podem ser medidos vestígios de altas temperaturas. E mais ainda, mas isso não pode ser medido pelos cientistas no local, é o facto da Terra, onde um tal círculo é formado, se libertar de todas as suas memórias. Isto significa que naquele local, no ano seguinte, algumas culturas irão crescer melhor do que antes. Isto soa talvez estranho, mas também a água, as pedras e a terra conservam as suas lembranças. Na realidade, tudo é energia...”

“Mas então o que acontece precisamente, quando é feito um tal carimbo?” perguntou o pequeno príncipe de imediato.

 

“Escuta, na realidade, é criada uma imagem tridimensional através de uma projecção fotográfica. Na Terra já foi inventada para isso a palavra holograma. Nós enviamos esses hologramas através da atmosfera terrestre. E estas energias são então chupadas por outras energias terrestres para a superfície terrestre. Como se de um íman se tratasse, digamos assim... e através do choque destes hologramas com a Terra, surgem os carimbos que na Terra são chamados de círculos nos campos de cereais.”

O pequeno príncipe ficou ainda um pouco sedento, e disparou uma nova pergunta.

 

“Essa carimbação tem de facto algum propósito? Quero dizer... o que é que as pessoas podem fazer com aquilo. A grande maioria está convencida de que de noite um exército de rápidos pequenos homenzinhos com tábuas sob os pés, se põem a pisar a palha.”

“Visto insistires, mas na realidade eles lá em baixo não têm que saber isto. Eu declaro nada. Cada um experimentará todo o processo da sua própria maneira. De facto, é uma tentativa de espalmar todo o conhecimento humano, juntamente com o trigo. Tem a ver com as emoções. A partir do coração. Pois que ao pensar, as pessoas vão começar a argumentar. Claro que isto é pertinente mas não por muito tempo. Para além do mais, algumas coisas não podem ser explicadas por palavras, pois que não existem palavras para as exprimir. Não se esqueçam de que o processo de evolução dos humanos está a atingir um novo nível e por conseguinte têm que se libertar ainda do seu funcionamento analítico... Isso é uma necessidade absoluta, caso as pessoas desejem crescer para atingir uma consciência superior. Para mais vemos que cada vez mais confusão reina na Terra, mais caos, medo, insegurança e cansaço... isto tudo nada é bom, mas necessário para que possam atingir o seu crescimento. De qualquer das formas, nós estaremos lá. Para dar alguma ajuda aqui e ali. Pois que nos círculos dos cereais existem códigos, por assim dizer. Estes códigos são reconhecidos pelo subconsciente como sendo um pedacinho do ‘lar’ e são detectados. Desta forma as pessoas sentem um pouco de segurança, confiança e reconhecimento. Assim elas sentem-se um pouco em casa nelas mesmas. Atravéz destes círculos e dos códigos que neles se encontram incorporados, as pessoas ganham uma espécie de confiança e ficam a saber que não estão sós... Para mais, cada círculo tem o seu próprio código, mas muitos dos círculos têm o mesmo efeito. Dado que os habitantes da Terra todos têm proveniências diferentes e os seus próprios programas que são únicos, precisam pois de códigos diferentes. Mais ainda, os códigos são captados também pela própria Terra. Claro está, a Terra também ela é um ser vivente.

Uma energia viva... Têm mais perguntas ? "

 

 

13. Vitória! É um rapaz

 

Para a Germaine não havia muita coisa que a pudesse surpreender. Acontecia muitas vezes que de vez em quando, ela tinha uma espécie de halucinações, onde se via do lado de fora. Como se estivesse ao lado do seu próprio corpo. Ela, entretanto, já tinha ficado mais velha alguns anos e era muito feliz no seu casamento com Tony, um piloto da Air France. Eles tinha um menino a quem tinham chamado Victor. Victor significa à letra: campeão. Eles tinham escolhido esse nome porque devido à doença de sangue de Germaine, ela tinha sido aconselhada a não ter filhos. Mas ela sobrepujou o seu temor e Victor foi o resultado. Desde o nascimento do pequeno rebento que lhe tinha acontecido deixar o seu corpo. Antes tinha tido a experiência de como se estivesse ao lado do seu corpo, mas as coisas agora eram mais frapantes. A primeira vez foi a mais assustadora. Pois que quando ela viu o seu corpo debaixo dela, sem movimento, sobre a cama, começou a ficar convencida de que nunca mais conseguiria entrar nele. Talvez fosse isto... o morrer, pensou ela. Agora já começa a compreender melhor as coisas e sabe que, após cada uma das suas pequenas viagens, sempre e sem problemas regressa ao seu corpo. De vez em quando tem a sensação de que algo espectacular e extraordinário irá acontecer numa das suas saidas. Algo que os seus horizontes irá abrir. Algo que a fará ver as coisas ainda mais longe... Mas de momento, limitam-se os seus passeios ao planeta Terra. Assim ela aprendeu a lidar com as subtilezas do seu corpo, para viajar à velocidade do pensamento e poder brincar de uma maneira particular com as partículas que emitem luz vindas dos corpos dos seres viventes. Regularmente, nas suas saidas, encontrava outros seres que, da mesma maneira que ela, viajavam. E já se tinha dado umas quantas vezes que havia encontrado Victor, o seu próprio filho, no seu caminho. Um acontecimento, que os laços com o seu filho no mundo material iría embelezar e tornar mais intenso. A Germaine estava apaixonada pela vida. Ela amava acima de tudo o seu esposo, mesmo tendo ele uma visão mais sóbria da vida. O único momento que ele se desprende da Terra, é quando ganha o seu pão na Air France. E depois, naturalmente, existe o Victor... um rapazinho onde ela se reconhece. Não somente quando ele era pequeno, mas ainda agora. Cada dia que ela pode passar com ele, parece que um novo livro cheio de aventura e sabedoria é aberto. Ela pouco lê. Isso fez muito quando era jovem. Não, agora ela começou a agir. Ela aprende agora a conhecer as pessoas. As suas psicologias, as suas convicções, os seus costumes... Ela sente todo aquele amor por eles, ainda antes de os conhecer. Ele não sente quaisqueres preconceitos. Ela não tem quaisqueres expectativas. Por conseguinte não tem desilusões. Ela deixa que a vida se desdobre diante de si e não tem qualquer ideia de que, entretanto, alguém a observa. Tudo aquilo que faz... quando prepara o comer, ou constroi miniaturas de aviõezinhos para o Victor, pois que ele os adora... uma paixão que, por certo, herdou do seu pai... Perto dela encontra-se alguém que, através da sua pessoa, por sua vez, descobre a Terra e os seus habitantes. Por vezes ela pode sentir a sua presença, mas então esse pressentimento desaparece rapidamente. O pequeno príncipe começa cada vez mais a ver as coisas através dos olhos de Germaine. Isso parece ser a maneira ideal para, da melhor forma experimentar as coisas. É mesmo como se ele estivesse a ver tudo pelos seus próprios olhos. A única coisa de que é poupado é do mundo emocional de Germaine.

 

14. A última ronda de preparação

 

 

 

Para o nosso príncipe tudo se passa muito rapidamente. Ele próprio com um número de outros candidatos a viajantes observadores, têm agora bastantes sessões informativas para tratar, pois que o mais pequeno detalho pode ser super importante. O facto de que emprestas o corpo de um outro não significa que tens acesso a todo o conhecimento que pode ser adquirido através de uma existência terrena. Assim, e para começar, ele tem que aprender a aprender a falar uma das línguas do planeta Terra da maneira mais articulada. Para atingir este objectivo, pode utilizar um sistema, que através de uma espécie de ‘injecção’ e de acordo com as necessidades próprias, toda a espécie de dados irá descarregar no seu corpo. Ele pode escolher se o vocabulário é de uma natureza técnica, por exemplo, ou mais literário. Tudo coisas que agora têm de acontecer, pois que, uma vez na Terra, não haverá mais tempo para tal. Este download de dados leva muito pouco tempo, certamente quando comparado com o tempo que se teria que ter para um estudo deste tipo na Terra. Na Terra, a matéria de aprendizagem armazena-se somente no cérebro. Nesta –tão previligiada- posição, a informação é absorvida por todo o corpo. Mas claro que há muito mais que o nosso pequeno príncipe necessita estudar. Ele precisa, mais concretamente, de estar impregnado do passado do seu futuro corpo. Entretanto conseguiu conhecer toda a família e conhecimentos de Germaine. Ele conhece os seus costumes e a sua maneira típica de viver a vida. Fá-lo feliz saber que a sua família futura e a maioria dos amigos uma ajuda serão em vez de obstáculos.

Existem momentos em que passeia com eles nas suas actividades quotidianas, uma questão de se familiarizar melhor com a vida e a situação. A sua atenção especial é para com Victor. Com ele tem já uma espécie de laço. Coisa que não pode ser explicada de imediato, mas mais tarde. Victor tem uma alma antiga e possui já uma grande sabedoria, pelo menos nas normas da Terra. Para o pequeno príncipe ele é uma espécie de ‘conhecimento de longa data’... Dentro em pouco isso ser-lhe-á claro, a razão porque Victor expressamente nasceu de Germaine e de Tony.

Ele compreende entretanto que o corpo que irá habitar de facto não lhe pertence, e que muitas mudanças que não são de desprezar se terão de dar. O que de momento para Germaine parece ser óbvio, poderá ser duro para ele, pois, de vez em quando pode ser que ele por um instante tenha que fugir da vida na terrena. Principalmente nos momentos em que aquele mundo de dualidades lá em baixo, lhe pregue partidas. Quando te encontras noutros mundos, como em Sírius, extremos como ‘bom’ e ‘mau’ não existem. Todos evoluem ao ritmo da sua própria alma e espírito. Todos ajudam e nunca impedem. Todos aceitam-se a si próprios como são até ao dia da última união em si, da luz e da escuridão...

O pequeno príncipe encontra-se agora num quarto onde uma música serena e quase inaudível produz uma grande harmonia em todos os participantes. Os corpos subtis do grupo, pairam como se numa completa coreografia através do quarto onde a luminosidade suavemente decresce, de forma que a grande bola como que transparente ao meio, cada vez mais luz radia. A um determinado momento, uma espécie de tela de projecção torna-se visível, onde todos os participantes podem ver imagens visionárias, que têm que ver com o que se passou com eles nas suas vidas passadas. De repente, torna-se claro ao pequeno príncipe o papel que a Germaine e a sua família, nas suas vidas passadas desempenharam. Tudo parece ligado entre si. Nada é coincidência. Também não o facto de ele se tornar a mãe do pequeno Victor, dentro em breve. O que lhe vai acontecer brevemente tras consigo um sentimento de unidade consigo. Uma unidade dentro da dualidade. Simplesmente maravilhoso. Cada ser humano está ligado a outro, mas não tem consciência disso. Essa consciência está como se tolhida, dormente e não permite experimentar naquele mundo de dualidade, o facto de que a humanidade um todo é. Mesmo apesar de, algures um ser humano sofrer dôr, o corpo subtil de cada outro ser sentirá esta sensação. Nenhuma alegria, nenhuma onda de tristeza se perde...

De súbito no quarto, torna-se visível um holograma de um instructor que se dirige a todos os presentes. “O plano é o seguinte”, disse ele na sua voz clara, “Quando se aproximarem da Terra, todos terão uma espécie de caixas consigo que precisam usar em certos precisos locais. Caixas com características poderosas. Estas caixas têm, por assim dizer, a capacidade de purificar toda uma região, com o propósito de criarem portais, uma espécie de passagens para o cosmos. Elas possuem também a propriedade de reparar fracturas provenientes de choques terrestres. O campo magnético que aqui é criado não terá somente uma função protectora, como também uma função de receptor e emissor. Isto decerto é devido ao grande concelho de planetas que fazem parte da federação Galáctica, com o propósito de facilitar os contactos e de estimular a abertura de espírito dos seres que de momento naqueles locais evoluem. Eu desejo-vos indicar que a instalação destes portais tem também as suas contra-indicações. Os portais que são abertos desta maneira, não se fecham assim simplesmente. Há que ter em atenção que através deles, energias destructivas também poderão passar, que por sua vez evoluirão...

Mas é certo que a luz sempre atrai a sombra, ou, posso mesmo dizer,que a luz a si própria um lado de sombra engloba através do qual obtém a possibilidade de se abraçar e de se tornar consciente.

Na tela toda a gente observa agora uma espécie de mapa do planeta Terra. Neste mapa, ve-se pulsar uma pequena luz, uma linha que liga os países e os continentes. Uma espécie de rede energética complexa onde estão marcadas as pirâmides mas também o templo de Angkor Vat, no Camboja, vários edifícios Maias, o templo de Borobodur, em Java, assim como também um número de locais aparentemente desconhecidos. O instructor toma de novo a palavra:

 

“Este caminho iluminado necessita decerto de uma palavra de explicação. Alguns destes lugares aparentemente não importantes, estão ligados por uma única energia e têm, para mais, um ponto em comum que não é de negligenciar: Eles eram, são ou serão lugares na Terra de onde a luz dos homens emanará. Estes lugares tiveram através da sua própria história, um papel inicial que de momento é continuado em relação com as suas condições presentes. As pessoas que são atraídas para lá não é por coincidência. A sua maioria está –ou estará- em harmonia completa com aquilo que é libertado daqueles lugares. Eles podem, por conseguinte, aumentar a sua energia umas dez vezes, o que pode estar ligado ao propósito para o qual vieram à Terra. Podes, por conseguinte, compreender que muitos atrairá... mas, finalmente, haverão somente uns quantos que farão a grande limpeza que lhes é proposta. Nestes lugares encontramos sempre um par de espécies que se encontram fora da sociedade e fora de todas as normas, mas cujos corações abertos vos chamarão à atenção...

Um pouco mais tarde, o instructor propõe um curto intervalo, o que torna possivel para o pequeno príncipe de observar bem os seus companheiros de viagem. Eles fazem todos parte, de uma ou de outra forma, de um futuro próximo ou de um passado distante. Todos eles, de uma forma ou de outra, tiveram, sem excepção, diversas missões e tantas quantas vidas e estão agora prontos de novo para uma nova aventura. Ao desempenharem estas missões, encontraram-se decerto por diversas vezes. Há um deles, o maior do grupo, que se pode chamar de especialista no que respeita a religiões. Ele estudou todas as formas de religião e de crenças à lupa. As suas convicções e atalhos e principalmente o que os habitantes da Terra passaram, nada tem para ele qualquer segredo. O seu propósito nesta encarnação nua é de encontrar um meio de convencer todos os veículos na Terra de que têm de parar com o grande truque de separar as pessoas, e ai invés disso se unam, não obstante a via que quiserem escolher. Para eles será um grande desafio psicológico, baseado numa visão clara e consolidado no grande entendimento dos mecanismos que ‘dividem’, em vez de unirem. Na sua função, será ajudado por membros de um grande conselho de sábios, que, regularmente entrarão em contacto consigo. Isto dar-se-á por meio de sonhos, intuição ou sinais que ele poderá interpretar ou não como tal. Ele é o único com esta tarefa. Há ainda muitos no seu caso. Com a mesma função e portadores das mesmas energias. Eles operarão em diferentes lugares da Terra e encontrar-se-ão muito provavelmente pouco ou nunca. É uma missão muito pesada que a que têm nos seus ombros. Para ser realizada num relativo curto periodo de tempo terrestre.

 

E depois há ainda outros que têm como propósito espalhar um novo conceito da ciência médica e uma outra idéia do aparecimento e da existência do fenómeno doença. A sua missão é tornar o homem consciente para a existência de corpos subtis e dar instrução sobre os mesmos. Mas também espalhar conhecimento sobre novas formas de curar, mas sobretudo onde o coração terá o seu lugar. Ele será ajudado por outros cientistas da Terra que, entretanto, estarão mais conhecedores da física quantica, graças à sua lembrança da sabedoria das estrelas.

De repente uma grande dúvida toma conta do pequeno príncipe. Cada participante terá a sua tarefa neste acontecimento. Ele também, portanto. Reconhecer-se-ão uns aos outros quando estiverem na Terra, haverão certos pontos de reconhecimento, ou serão eles simplesmente os outros, aqueles que escolherão...

 

O instructor toma de novo a palavra e dirige-se ao pequeno príncipe. “Temes não mais te conseguires encontrar no outro? Ou que te vais perder? Sabes tão bem quanto eu que a essencia do nosso ser sempre a acompanha, seja onde nos encontremos. O resto é somente bagagem, que mais ou menos pode ser útil, dependendo das circunstâncias e das necessidades. Mas não te preocupes. Esta dúvida é normal. Começas a ficar sintonizado às sensibilidades que reinam na Terra, e que lentamente vão viver em ti. O momento da grande mudança, da grande transmigração aproxima-se cada vez mais e tu irás ter por um tempo uma outra cara. Um outro papel na grande peça. Como um verdadeiro actor, irás entrar na pele de uma outra personagem... até ao fim da peça... até ao momento que o pano de novo cai ...

 

 

 

15. Bugarach, ponto de chacra da Terra

 

 

 

A partir do momento que a Germaine começou a ter as suas experiências fora do corpo, muita coisa começou a mudar para ela. Para ela, o corpo tornou-se um meio de ter experiência com a matéria, devido ao qual, ela, entretanto, certamente se convenceu, de que, de vez em quando, se tem que mudar de facto para conseguir continuar a desempenhar a tarefa. Podes dizer dificilmente que para ela tudo é claro, e ela tem ainda muito que aprender, pois que sente que ainda muitas portas se têm que abrir... mas de qualquer forma, em Sírius todos estão descansados.

Naquela manhã ela acorcou com o sentimento como se tivesse feito discursos toda a noite, sem se lembrar tampouco de fosse o que fosse. A não ser que se tinha que deslocar a um certo sítio... um destes dias. Como daquela vez, quando estava de visita ao México e ouviu dos habitantes locais que, precisamente no local onde se encontrava, havia regularmente notícia de visitas de seres extra-terrestres. Notou como todas aquelas pessoas, com a maior da naturalidade, e totalmente calmas, falavam daqueles assuntos, os quais nos Países Baixos e na França raramente se atreviam a falar e que quando acontecia, era com o maior dos cuidados, como se se tratasse de algo suspeito, e por conseguinte melhor nada dizer.

 

Germaine observa-se atenciosamente ao espelho. Ela aparenta estar cansada. Mais pálida do que na maioria das vezes. Será que se irá atrever a escalar a grande subida de Bugarach? Ela sempre o quisera fazer. Victor ficou uns dias com a avó e o avô, por conseguinte estava seguro e bem. E caso houvesse algo, ela o sentiria. Ela tinha tais laços com aquela criança. E o Bugarach não se sobe todos os dias. Disseram-lhe que era uma montanha especial com uma forte energia purificadora. Era muito referido quando se falava das profecias Maias em relação a 2012. Tony foi com ela até à aldeia, mas não estava interessado em cansar-se, para ir ver algo que para ele era algo do dia a dia. Algo que Germaine compreendera e respeitara. Ele esperaria por ela na aldeia; desejou-lhe sucesso e disse-lhe para ter cuidado. Ela sorriu agradecida; olhou-o uma vez mais nos olhos azuis de aço e deu-lhe um beijo tranquilizador na ponta do nariz. Ele ficou mais um tempo a desfrutar o momento até que ela lhe acenou com a vara de caminhante, desaparecendo depois da curva.

O sopé da subida é muito sossegado, como que um passeio. A seguir a um lago, através de um maravilhoso bosque... para finalmente continuar em terreno mais agreste, onde o verdadeiro trabalho começa. Ela escolheu tomar este caminho que por sinal é o mais difícil. Algures a meio encontra-se no caminho de uma janela ou ‘la voie de la fenêtre’ como os Franceses o chamam. Quem sobe a esta montanha pela primeira vez, é melhor dar a volta neste local e escolher um outro caminho. É o que é aconselhado aos principiantes, mas Germaine não se deixa intimidar, abotoa o casaquinho ao meio e desabotoa ainda um par de outros botões extra da sua camisa de algodão Indiano. Disseram-lhe que a energia da montanha pode ser bastante forte, pelo que alguns são levados a desistir a meio. Mas pelos vistos a montanha decide quem pode subir e até onde, decisão que ainda não tomou neste caso. Nãp é por acaso que é dito que esta montanha é um lugar de energia, um ponto de chacra do nosso planeta, onde uma espécie de canal cósmico de ligação –digamos um vórtex- se forma. Bugarach é tido como um lugar de forças, como Montségur, mais mais forte. Também se diz que seres extra-terrestres escolheram este local para uma espécie de lugar de aterragem... mas por agora não há algo que indique tal.

O calor começa a apertar. E a escalada torna-se mais íngreme e pesada. Os seus esforços são recompensados com as maravilhosas paisagens que se desenrolam magicamente ao seu redor. Parecia como que se a elevação arborizada estendesse os seus braços de uma canto a outro de vales eternamente verdes. Tudo sob o olho vigilante dos Perinéus... como estando ali à mão. Havia um vento frio que cada vez mais nuvens azul escuro acinzentado trazia. Aqui e ali a Germaine escorregava de pedras soltas. Felizmente que pensou em levar a vara de caminhante, pois que sem esta já por certo teria desistido. Cada vez ficava mais frio. Os botões da sua camisa foram de novo abotoados e ela vestiu de novo o seu casaquinho. O vento fica cada vez mais forte, e pela tarde a Germaine perde o seu equilíbrio o que a obriga a continuar utilizando as mãos e os pés. Nada simples com aquela vara. Sob os seus pés é espiada por um precipício de aproximadamente 1000 metros. Ela agarra-se a tudo o que lhe aparece. E não é muito. Resolve fazer uma curta pausa, de uma certa distância, estudar o caminho a seguir, e continuar então, metro a metro até à tal famosa janela. Trata-se de uma saliência pequena e algo perigosa, que tem de atravessar. Isto trata-se de verdadeiro trabalho. Quase a pique. A meio do caminho olha de relance para baixo. Uns suores frios assolam-na. A saliência onde se encontra não tem mais que uns 10 centímetros de largura. Parece que aquilo é mesmo o fim da sua viagem. Ela não consegue ir mais longe, mas também não consegue regressar... Parece que a montanha está a tomar uma decisão. Não pensar muito, passa-lhe pela mente. Pois que pensar só trás medo consigo e o medo paraliza. Isso é algo de que pode prescindir. Mas então, fazer a vontade à montanha e voltar. Centímetro por centímetro. Cada plantinha, cada pedra, cada insecto é por ela visto e na sua memória guardado. O aqui e agora nunca esteve tão perto. Finalmente conseguiu chegar ao lugar que tinha visto. Senta-se e contempla os arredores. Um panorama de se tirar o chapéu. Ela diz a alta voz ‘obrigado’ por toda aquela beleza, fecha os olhos humildemente e permite-se a entrar em contacto com aquela parte de si mesma, ao que experimenta toda uma série de estímulos e formigueiros. Sensações que o mundo material não se encontra em estado de a permitir experimentar.

Entretanto, o pequeno príncipe afastara-se algo. Ele ouviu o instructor a dar mais umas quantas indicações, mas estas não o atingem por completo. Um pequeno descanso... pouco... antes da tempestade. Não é na verdade um descanso físico o que ele agora necessita, mas um silêncio interior completo, para que possa experimentar tudo o que possa acontecer. Ele sabe que a partir de agora tudo irá muito rápido e é subitamente assolado por um sentimento de que ainda se lembra da sua anterior encarnação, quando se despediu da sua rosa e se sentou à espera de um bando de aves, que o levariam no seu vôo para lugares desconhecidos. É um sentimento estranho. A unidade que ele ultimamente havia podido experimentar e que agora lhe aparecia como uma certeza, uma unidade com ele mesmo, uma unidade com tudo o que existe tomou o lugar de um sentimento estranho de separação... E é a voz suave e resoluta do instructor que o trás de volta à realidade de o que está prestes a acontecer: “ Meu querido amigo, o teu ‘alter ego’ encontra-se neste momento num lugar no sul da França, no Bugarach. Um lugar poderoso que neste momento está a fazer o seu trabalho. Ela está a experimentar a vida dela como se fosse a tua. Voçês conheceram ambos naquela vizinhança uma encarnação e essa é a razão de termos escolhido este local como o locar mais apropriado para a grande troca. Mantém-te principalmente calmo. Tudo decorre como planeado. Tu rapidamente reconhecerás o local. É um local regular de contacto, tanto nosso como para os terrenos. Muitas das crianças astrais foram venerar as a humanidade com uma visita a esse local. A Terra empresta-se por meio do seu campo magnético, nesse local, e através de câmaras desconhecidas sob a terra. Regularmente encontram-se naves espaciais nestes locais sagrados estacionados, prontos para serem activados a qualquer altura.”

 

O pequeno príncipe senta-se direito. Completamente presente neste momento. A partir de agora não quer perder uma palavra que seja do que for dito. De olhos fechados conecta-se com o seu instructor, para melhor se prepara para a última fase da sua pequena viagem interplanetária. Ele vê-se completamente como se estivesse na Terra, num veículo físico que o aguarda e que é completamente diferente daquele onde agora se move. Ele está mais que consciente do facto que certos acontecimentos na Terra poderão ter uma outra importância e impacto, dali de onde se encontra agora. O principal objectivo desta viagem é espalhar em seu redor uma energia que a consciência da sua vizinhança vá fazer acordar. Ele tem que conseguir que as pessoas fiquem convencidas dos presentes que se encontram encerrados em experiências aparentemente dolorosas. Elas devem de uma vez por todas parar de olhar com desdém e arrogantemente para outras, devido aos seus talentos dons que estes hajam dominado. Todos se encontram a ponto de descobrir a verdade que escapara a centenas de milhares de anos de atenção da humanidade, um segredo que estivera escondido bem profundamente na realidade ilusória da terceira dimensão. Essa verdade inclui a essência do verdadeiro amor, do que é e do que não é. O amor como foco externo, algo que é procurado fora do homem sempre criará um sentimento de

fragilidade, pois que o ego procurará sempre a confirmação de algo ou de alguém. O amor não é um sacrifício ou uma oferenda, onde se dá tanto de nós próprios que se perde a própria identidade. Toda esta sabedoria preenche o pequeno príncipe de força sem precedentes. Parece como que se todas as suas células estivessem nisso submersas. Ele volta a levantar-se, cheio de uma imensa felicidade, e move-se para um cúpula gigantesca e transparente, todas as tonalidades de azul dele se irradiam. Junto com outros, entra num portal e chega a um grande espaço onde se encontra um número de estranhos aparelhos a piscar. O instructor toma a palavra...

“Partimos dentro de alguns instantes. Já uma equipa completa havia tomado lugar na nave mãe e voçês são os únicos que faltam.”

 

Algum tempo mais tarde, aparece um nave espacial com um ar de um azul aveludado, com uma equipa de seres a bordo dos quais o coração está repleto de felicidade e amor.

Para os habitantes da Terra isto não é fácil, como podem imaginar uma nave mãe. Neste caso é em tamanho comparável com uma pequena aldeia ou uma pequena cidade na Terra. Existem jardins com cascatas de água e flores com os cheiros e cores mais exóticos. Locais onde se pode descansar, mas também uma biblioteca, locais de reunião, uma espécie de restaurante e também quartos onde é possivel, atravéz de se sair de um fino corpo material, entrar em contacto com a progenitura na Terra. Em suma, tudo foi pensado para o deleite tanto do corpo como da alma. Em certos locais pode ouvir-se uma música contínua muito suave. Escolhida especialmente para acrescentar aquilo que alguns necessitam a certos momentos. O conhecimento da força e das possibilidades do som é usado há já algum tempo nestes planetas e para os viajantes não tem quaisqueres segredos.

Na Terra o homem vive ainda na convicção de que para uma nave espacial destas à velocidade da luz, levaria anos a atingir a Terra. No entanto isto são convicções inocentes, que o pequeno príncipe apura com um sorriso, quando pensa que naquele momento entraram na aura do planeta Terra. A enorme nave começa a sua manobra de aterragem. Diminui fortemente a sua velocidade, em parte causada pelas frequências mais baixas onde se encontram agora. Toda a equipa de viajantes terrenos prepara-se para fazer o transbordo para um outro veículo mais pequeno. A expressão: o tempo é certo, nunca teve para o pequeno príncipe um significado tão profundo ....

 

16. O interior da Terra

 

Germaine levanta a cabeça devagar e abre os seus olhos. Entretanto começou a escurecer sobre Bugarach. Perto uma trovoada ameaça. De repente um intenso raio atravessa as nuvens, o que torna a sua aventura mais emocionante e completa. E é devido ao som interminável do trovejar que ela começa a acordar de novo. Se não encetar a sua viagem de regresso arrisca-se a nada mais poder ver. Principalmente a parte do bosque deve estar já quase no escuro. Ela gostaria de poder ficar um pouco mais ali sentada a recuperar do estranho sonho que havia tido. Ou seria um daqueles momentos em que saira do corpo, ultimamente cada vez mais frequentes, e que a fazem experimentar coisas fascinantes. Esta vez desceu a uma espécie de câmaras que se encontravam sob o solo... mesmo sob Bugarach. A atmosfera era húmida e quente e não se ouvia qualquer som. Durante todo o tempo havia andado com os olhos colados ao chão, principalmente para não escorregar, mas agora tinha tempo para observar bem o espaço em seu redor. Mesmo não havendo qualquer luz, conseguia ver claramente numa das paredes uns desenhos, uma espécie de fresco. Ali se via o retrato de um homem vestido em estranhos adrajes, que descansava as suas mãos no volante de uma espécie de veículo completamente desconhecido para ela. De súbito parecia como que se tudo em seu redor se impregnasse de vida. Tudo começou a mover-se, a rodar. Era tão surpreendente que ameaçara Germaine de perder todo o controle. Como que se apanhada por uma imensa tontura, teve a sensação de fazer parte de uma espécie de espiral que a transportava e a projectava para o interior do fresco, onde tudo se havia tornado vivo. De súbito tudo ficou sossegado em seu redor. Um silêncio estranho. Ela encontrava-se imóvel perto de um ser que pousava as suas mãos no leme de uma espécie de pequena nave espacial, e tinha os olhos direccionados para o que na Terra denominamos de painel de instrumentos. Durante um tempo que para ela não pode ser determinado, dispararam pelo espaço e voaram sobre as paisagens mais maravilhosas, mas principalmente sobre uma série de pirâmides. Divertido, o piloto interplanetário tinha-a debaixo de olho. Em condições normais, ela teria feito pergunta atrás de pergunta, mas no entanto ali estava, em silencio... quase que imóvel a observar as coisas que lhe aconteciam. De repente um clarão de luz... e descobriu que ainda se encontrava em Bugarach, com a trovoada ali perto.

O caminho para baixo, desde que possivel, é ainda mais difícil e mais cansativo do que a escalada. Tem de ser feito a passo de caracol e ela agarra-se à sua vara como se fosse ela que lhe indicasse o caminho...Ela foca-se no caminho que atrás dela, onde o céu agora é negro, e não vê a grande luz oval que entretanto apareceu e que cada vez mais da Terra se aproxima...

 

 

O pequeno veículo não encontra a mínima dificuldade em atravessar a matéria, e parece com a maior das facilidades tornar-se visível ou invisível, ou maior ou muito mais pequeno...tudo dependente dos pensamentos daquele que o conduz. Perfura uma passagem através do penhasco gigantesco para entrar numa câmara subterrânea. Com a maior das destrezas aproxima-se do fundo, como se para tal fosse feito. Nada vibra, nada treme. Tem simplesmente um toque terno. Uma porta abre-se e os passageiros saem. Estão vestidos com uma espécie de fato espacial de um material macio e brilhante, destinado a proteger os seus corpos das radiações da atmosfera terrestre às quais estavam agora expostos.

O espaço de aterragem não tinha assim por dizer um aspecto muito acolhedor. Era frio, escuro e de uma certa forma sem vida. O instructor fez sinal para que o seguissem. E o pequeno grupo pos-se em marcha em direcção da abertura na rocha de onde uma luz suave os acolhia. Os viajantes atravessam a abertura e descobrem por tráz uma sala mais pequena, iluminada pelas próprias paredes. Estas são sãs, polidas e luminosas. Não é trabalho de homens, isso é claro... parecem pensar todos em côro. No centro do espaço paira uma pequena bola entre o céu e a Terra, como se pode encontrar em certas salas de informação em Vénus. Ao contrário do espaço de à pouco, aqui é agradável estar. Uma suavidade, um calor, uma vitalidade abraça os corações dos recém-chegados.

 

De súbito chegam seis seres como se tivessem saido da parede. Seja como for, não pode ser vista qualquer abertura. Estão vestidos de longos adrajes, fechados por um cinto. Parecem-se um pouco como os habitantes da Terra mas as suas peles tem uma outra cor que não pode ser descrita. Um deles toma a palavra.

“Gostaria de lhes desejar as boas-vindas. Não somos estranhos para o vosso instructor, mas a nosso pedido, ele sempre manteve secreta a nossa existência.

Para tal a nossa gratidão. Nós estamos aqui para vos ajudar na vossa missão.” Este ser que lhes desejou as boas-vindas, mostra grande afabilidade e irradia também uma grande bondade. Dos seus acompanhantes irradia a mesma espécie de energia. Um deles, com uma pele cor de azeitona, continua.

“Na realidade, não somos o que pode ser chamados de habitantes da Terra, mesmo sendo esta Terra a nossa casa. Vivemos em locais dos quais o homem não tem qualquer suspeita. Dantes, há tanto tempo que na Terra não existe mais qualquer indício, viviamos à superfície. A nossa civilização tinha uma tecnologia que em nada se pode comparar com a presente evolução na Terra. O coração dos homens tornou-se entretanto muito mais frio e duro e a sua avidez para o poder impregnou entretanto todas as suas células... até à sua alma, infelizmente... Nós rapidamente descobrimos que esta situação significaria a morte da nossa civilização, caso nada fosse feito para a alterar. A Terra teria de ser de novo construida de forma a ocupar o seu lugar entre os planetas deste sistema solar... e isso levaria um longo tempo, que na memória da humanidade não deixaria o mínimo dos indícios de como havia sido antes. Para contornar este cenário catastrófico, decidimos, juntamente com o grande conselho dos sábios, resguardar uma grande parte da nossa sabedoria, indo habitar o interior da Terra. O planeta Terra tem um grande número de lugares subterrâneos escondidos. Nós aprendemos a conhecer as veias da Terra e as suas artérias que nos trouxeram até ao seu coração. Também aqui existe um sol e um céu que permitem as nossas presenças quando tal é necessário. Abandonámos por conseguinte a superfície terrestre para aqueles para os quais a fome de poder se tornou grande, que prometemos a nós próprios nunca mais nos intrometer-nos com aqueles aqui em cima, enquanto os seus corações se continuam a mover na corrente do querer e do medo e da subserviência. Nós estamos ainda prontos a dar tudo para os ajudar naquilo que parecer necessário, de acordo com o pacto dos planetas da aliança. De momento, a Terra encontra-se numa altura de mudança sem precedentes. Este acontecimento tem a nossa atenção completa e requer a colaboração de tudo o que vive no nosso sistema solar. Enquanto a raça humana continuar a brincar às guerras, por pensar que têm de acreditar nos interesses da própria terra, um ideal de uma religião, outras alianças serão fundadas, ou quebradas que nada têm a ver com estes tais interesses dos habitantes da Terra. Estas criaturas, que habitam a superfície do planeta, não têm a mínima consciência do que de momento se está a passar. Os seus interesses são opressivamente banais e têm raramente ou nunca a ver com um ideal de empenho por um todo. O homem desde longa data que desconhece o que o levou a agir desta maneira e continua sem escrúpulos a manipular e a ser manipulado.”

A ser que estas palavras profere não tem a mínima forma de desdém na sua voz. Pelo contrário. Ele constata, de uma maneira clara, o historial da Terra e dos seus habitantes. De seguida um outro toma a palavra.

 

“E posso assegurar-vos de que ele é manipulado. Pois que não tem a menor idéia de que existem pensamentos que rasgam a sua energia e que, por outras palavras, o parasitam. Estes pensamentos sugam-no completamente e transformam-no num prisioneiro, independentemente da pouca energia que ele possa apurar. Se eles ali em cima entenderem finalmente que têm que pensar por eles próprios, poderemos falar de um primeiro passo na boa direcção. Como vós já sabeis, temos sempre tido contacto com as estrelas e planetas do nosso sistema solar. Neste momento estamos mais do que prontos para os ajudar, pois que também as condições da nossa vida são postas em causa. Não pensem que somos movidos por egoismo. Sabemos bem que as grandes lições não podem ser aprendidas com a ajuda de outros mas aprendendo com os nossos próprios erros.”

No nosso pequeno grupo existe uma entidade especializada na história secreta do planeta Terra e os nossos hóspedes inspiram-no, aparentemente, para tomar da palavra.

“A partir deste momento que haveis entrado neste espaço, compreendi que vós sois o que nós inter-terrestriais chamamos... e que as vossas vidas se situam onde o que alguns habitantes da Terra chamam de Terra ôca. Nós ouvimos muitas vezes falar da vossa história e sabemos que, entre outras coisas, mantêm uma certa banda com aqueles que vivem à superfície e sabemos da vossa busca por um grande segredo relacionado com a transformação da matéria. Em conexão com a alquimía ainda têm, de uma certa forma uma certa ligação com alguns dos habitantes da Terra. Nesse aspecto são voçês uns mestres, e eles ali em cima que o chumbo, que as suas almas carrega, em ouro desejam transformar, pertencem ao grupo dos vosso discípulos mais leais, mesmo não estando na realidade cientes da vossa presença física.”

 

Um terceiro habitante da Terra ôca que esteve todo o tempo a contemplar a bola luminosa, e que provavelmente dela retirou informação, toma agora da palavra.

“Os habitantes da Terra têm, de facto, nenhuma lembrança das factos por eles perpetrados, que tiveram como consequência a desertificação total da maior parte dos locais verdes do seu planeta. Profundamente neles continua a reinar um temor e ao mesmo tempo uma sede de poder, mas por outro lado também existe uma grande necessidade do fundo dos seus corações para ver a paz desabrochar. E com isso quero dizer não só a paz entre os homens, como também aquela do universo e das estrelas, esta paz divina que não tem fim e que se arrasta em cada ser.”

Este foi o momento em que se interrompeu a si próprio. Seguiu-se um curto intervalo, onde começou a rastrear os novos recém-chegados, um por um. Ao chegar ao pequeno príncipe fica pendurado e faz um sinal para que o siga. O instructor acompanha-os. Os três chegam a um corredor estreito de algumas centenas de metros, para finalmente sairem num outro espaço pequeno em que a única mobília é uma cama de pedra, coberta de um pedaço de tecido e uma grande almofada. A pedido do homem, o pequeno príncipe deita-se na cama e os dois homens sentam-se perto dele sobre duas almofadas enormes que servem de cadeira.

“Quero elucidar-te bem do que se vai passar de imediato.” Disse o homem. “O teu corpo, que tem uma certa dose de memórias, tanto físicas como psíquicas, será guardado com o maior dos cuidados no seio de um secreto e, principalmente, sagrado lugar aqui na Terra. Isto aqui é simplesmente o lugar onde a transmigração irá acontecer. O teu corpo será de seguida levado, para longe daqui, onde será guardado no sossego mais completo, a aguardar um possivel despertar. Muitos corpos são assim guardados, aguardando a sua reactivação.”

O instructor que está sentado atrás dele, pos-lhe, entretanto uma mão sobre o ombro e oferece-lhe uma bebida cor de madre-pérola que ele bebe lentamente e de olhos fechados. Depois estende-se na cama, tenta descontrair-se o mais possivel e ouvir o que o seu anfitrião tem para lhe dizer.

 

“Nunca te esqueças de que ninguém te pode compelir a fazeres o que decidiste empreender e que o resultado, na sua maior totalidade, só depende de ti. O que te pedimos para concretizar é uma tarefa muito especial e seja qual for o resultado, isso nunca te será deitado em cara. Há muito poucos que se dispõem a realizar este tipo de desafio. Já por si, o facto de teres aceitado esta tarefa, é um acto de amor maravilhoso. Digo-te isto para que não sejas muito exigente de ti mesmo em momentos ou em circunstâncias que te sejam difíceis... Alguns dos que te antecederam desejaram saber quanto tempo viveriam num corpo que não era o deles. Bem... O tempo que passa será sempre o vosso obstáculo... até ao momento que te ofereces de completo à situação da Terra e dos seus limites. Nunca definiremos de antemão um determinado tempo. Mas não te preocupes. A tua vida irá desenrolar-se entre os homens, com tudo o que possivelmente os leva a enganos e aprendizagens, que por vezes te trarão um certo sentimento de culpa, enquanto, na realidade tu és simplesmente um ser que aprende e troca informação. O que irás experimentar dentro em pouco, irá fazer-te rico. Descer num corpo adulto é muito mais difícil e requer um maior empenho do que quando a alma habita um corpo à nascença. Irás, por conseguinte, perder alguns anos de experiência, mas estes para ti não são necessários. Aquilo que escolheste antes, não necessita de infância, ou adolescência para ser realizado. Aquilo que saberás da tua vida na Terra, saberás através daqueles que te deixaram o corpo dela. Irás decerto fazer as maiores asneiras, pois que não estás à altura das simples coisas quotidianas do dia-a-dia na Terra e não é de estranhar que o teu espírito regularmente seja tentado a deixar o seu corpo. Saberás instantâneamente que te sentirás separado de ti mesmo. Um pouco de ti ficará agarrado à Terra e uma outra parte sentir-se-à ligada às estrelas. O trabalho mais difícil que terás de realizae será: a reunião destes dois aspectos, aqueles que em ti habitam, e amá-los. Sem fazer julgamentos. Irás vestir as roupas de uma outra pessoa, e serás essa pessoa, sem que sejas essa pessoa. Até ao momento que tenhas redescoberto a tua própria identidade numa espécie de fusão divina, onde finalmente serás tu mesmo, e somente tu mesmo nas roupas de outra pessoa. Num destes momentos a Terra ser-te-á leve, pois que não a experimentarás fora de ti mesmo.

O pequeno príncipe, quase não ouviu estas últimas palavras. Entrou numa espécie de nevoeiro, um sono profundo... Saindo do seu corpo, fazia agora uma última etapa para um corpo que não estava par do que estava prestes a acontecer.

 

17. A transmigração

 

Não muito longe dali, Germaine procurava um caminho na escuridão. Entretanto, a escuridão é completa e as únicas luzes são provenientes de fogos fátuos, que anunciam o fim da trovoada. Está completamente ensopada e desesperadamente em busca de um ponto de reconhecimento. Deve-se ter metido por um trilho errado e tema agora a impressão com os seus olhos fechados, de andar em círculos. Exausta, descansa contra uma árvore. Um sentimento de frustração apodera-se dela. Nela fervilha uma raiva. Sente que não tem controle de seja o que for e com a força do desespero tenta de novo por-se de pé. Mas não compreende que é precisamente esta luta que torna tudo mais pesado. Não existe ali quem a possa ajudar. Tem a sensação de estar a ficar louca. E é precisamente nesse momento que do fundo do túnel ouve uma espécie de murmúrio... parece-se com uma voz. Ela parece até poder distinguir palavras, palavras que postas umas atrás das outras parecem ter um significado: Germaine pára de lutar, liberta-te, relaxa e escuta...

Apesar de o relaxar de momento não ser uma das possibilidades, a voz tem uma espécie de influência relaxante nela. E pouco a pouco torna-se mais e mais calma. Enrolou-se em posição fetal e escutou atentivamente, para saber se havia ainda mais algo.

“A tua partida está planeada para dentro de alguns instantes, como combinámos juntos. A tua vida irá continuar noutros níveis de existência, mas ficará, no entanto ligada à mim de uma forma subtil e sem qualquer obrigação. E até ao momento que eu também deixe o teu corpo físico. Dentro de alguns momentos, a troca prevista realizar-se-á. Por isso peço-te que deixes o teu corpo como o tens feito no passado, de forma a que eu possa tomar o teu lugar. Apesar do que foi combinado neste sentido ter sido há muito tempo, podes sempre dizer não...”

Um silêncio pacifico apoderou-se do coração de Germaine. Num relance, ela contempla de novo os encontros astrais, os quais a preparam neste momento.

Ela lembra-se também que tinha feito um compromisso, e uma grande felicidade apoderou-se dela. Do medo de há pouco não existe qualquer indício. A partir de agora: não há mais ombro onde descansar, nem aguarda conselhos de outros, ninguém que te possa ajudar...Do fundo da sua alma um grande ‘sim’ se forma, um ‘sim’ poderoso, um ‘sim’ de aceitação completa. A partir daquele momento, tanto o seu corpo como a sua alma se relaxam e o seu corpo entra num benigno e profundo sono.

 

Perto daquele corpo, as energias começam num forte rodopio e criam umas espirais impressionantes enquanto, pouco a pouco, o ténue corpo material de Germaine toma forma perto da sua concha física. Germaine observa com o maior prazer a pressão engraçada que agora é visível no seu corpo físico. De repente surge um grupo de pequenos seres que um pouco se parecem com elfos, anões e salamandras e que aparentemente aguardam perto do seu corpo por um sinal para entrar em acção. A silhoeta de algo que parece ser um ser humano aproxima-se cada vez mais e abraça com os seus braços de luz a jovem Germaine. Uma fusão curta mas intensa que deixa em redor um trilho de faíscas iluminantes de amor e vida... De seguida, a silhoeta apressa-se para o corpo abandonado, para assim tomar posse do seu novo veículo. Com grande cuidado e não menos respeito, estende-se sobre o corpo aparentemente sem vida. Tudo acontece sem esforço, como se de uma coreografia cuidadosa de um ballet de luz se tratasse. Para Germaine era como que se o tempo tivesse parado por momentos, enquanto se mantinha a observar fascinada o seu corpo. Esse fora o momento pelo qual as pequenas criaturas haviam aguardado. Entram agora em acção e isso é o mínimo que pode ser dito do que eles em conjunto vão fazer. Eles fazem uma espécie de restauro, que, por momentos, se parece com costura, adaptações que somente são aplicáveis ao seu nível, mas essencialmente necessárias para a troca que se havia dado naquele momento. Cada movimento é feito com grande precisão; eles vão e vêm com uma dexteridade estruturada, um pouco comparado com as abelhas em redor da colmeia.

Não obstante o facto de que trabalham por cima uns dos outros, não há um que choque contra o outro ou que impeça o outro nas suas tarefas. Parece como que se as suas acções fossem dirigidas por uma fonte de fora.

 

Germaine encontra-se ainda nas imediações do seu corpo e continua a seguir todo aquele trabalho com o maior dos interesses, ao mesmo tempo que uma paz imensa se apodera dela. Não somente uma paz como também felicidade. Pela primeira vez que se sente completamente livre! Livre de tudo. Todas as perguntas que tinha, desapareceram e não mais interessam. Era como se a essência das coisas fosse agora para ser procurada noutro local. O pequeno príncipe integrou-se completamente no corpo, que será dele/dela durante vários anos. Após abraçar Germaine, sentiu a experiência de ambas as suas vidas, que somente aparentemente são tão diferentes... Os primeiros momentos no novo corpo, trazem sempre alguma dificuldade. Parece como que se o fato tenha sido feito apertado demais. E também tudo pesa tanto... muito mais do que ela havia esperado. Fá-la abafada, como se tivesse ido com toda a força contra uma teia de aranha gigantesca e não se pudesse dela libertar. Por perto, nota a silhueta de matéria ténue de Germaine e questiona-se de quanto tempo irá realmente necessitar para se integrar nos átomos daquele corpo físico. O instructor mencionou uns sete anos terrestres, mas para esta nova Germaine isto bem que poderia ser um pouco mais rápido. As pequenas criaturas estão a dar uma última de mão na sua intervenção neste acontecimento e uma delas aproxima-se do seu ouvido e murmura o seguinte: “Tudo está a ir bem! Não te preocupes. Dentro em pouco, quando nos formos embora, ir-te-ás esquecer da maior parte do que se está a passar agora. Ainda tens decerto muito que aprender; mas não deves preocupar-te sobre coisas que neste momento são absolutamente irrelevante e sem utilidade.” Com um riso estridente, a pequena criatura continua o seu trabalho, mas ainda regressa para acrescentar uma pequena coisa: “Eu irei ajudar-te a esquecer estes momentos... tens somente que desejar ser forte.” O pequeno príncipe que a partir de agora simplesmente de Germaine iremos chamar, entrega-se a uma relaxamento total e observa como a figura do seu anterior habitante lentamente, como que uma névoa se evola. Mesmo antes de desaparecer totalmente, acena com a sua mão, um gesto terno de grande beleza adornado apenas por amor...

Apenas a algumas centenas de metros dali, Tony e um número de amigos, todos munidos de lanternas, passam o bosque a pente fino. Não duraria mais do que cerca de uma hora até que encontrassem o corpo encharcado e enregelado de Germaine. Todos juntos improvisaram uma espécie de maca primitiva levam-na com o maior dos cuidados para uma pequena casinha nas imediações. Um doutor foi chamado, mas tudo parece estar bem... De manhã, Germaine desperta de um sono profundo. Está deitada numa cama demasiadamente grande e afastou o edredão um bocadinho para o canto para poder respirar dos seus poros. Bem no fundo deseja que alguém rapidamente entre no quarto, alguém com uma cara amigável, conhecida... por outras palavras, alguém que a possa ancorar ao seu novo papel, para que possa deixar para trás este nascimento difícil de uma vez por todas. Ela tem necessidade de olhar naqueles olhos azuis de aço que tantas vezes viu durante o seu período de treino a partir de outra dimensão. Desta maneira espera poder conseguir mais facilmente fazer trégua com aquele sentimento de sufoco, que aquele corpo pesado neste momento lhe causa. Por momentos vêm-lhe ao pensamento algumas imagens de um passado recente, imagens do instructor, da nave, do corpo de Germaine, e do pequeno anão que a viria ajudar... Com a maior das atenções olha em redor e descobre, como se fosse um recém-nascido, o mundo que neste momento a cerca. O quarto onde está deitada é como se se tratasse de uma paisagem ainda por desbravar, com a cama, o papel de parede, os outros móveis, e a janela meio aberta que lhe providencia ar fresco e uma grande vontade de viver. Por detrás da janela, está uma figura a observá-la em silêncio. No momento que ela olha na sua direcção, ele inclina um pouco a sua cabeça para a direita e diz com uma voz colorida: Bem-vinda de novo, ao mundo dos vivos...

 

18. O mundo dos vivos

 

Germaine foi levada por Tony à guarida provisória de um jovem rapaz que vivia não muito longe de Bugarach, numa casinha perto do rio em Rennes Les Bains. Aimé de Wit. Tony tinha telefonado para o seu trabalho e havia pedido uns dias extra de folga. Desta forma, Germaine tinha tempo para calmamente recuperar as suas forças. Ela tinha ficado umas horas inconsciente. Mas agora parecia que tudo estava a regressar à normalidade. O doutor aconselhou-a a manter-se em descanso durante alguns dias, e Tony tinha-se ausentado por umas horas para ir buscar o menino aos pais de Germaine. Assim poderiam, a partir dessa noite, de novo desfrutar da companhia dos três. Entretanto, Germaine passara para uma espreguiçadeira no jardim, com vista para as montanhas de um lado e do outro lado para o Sals, um amável riacho que é algo largo mas pouco profundo. Cada cantinho da paisagem poderia servir de modelo para uma pintura. Aimé, o dono da casinha que melhor se pode descrever como sendo ‘a casinha das janelinhas azuis’, veio sentar-se perto dela. Ele estava lá quando Tony a havia achado e tinha de imediato proposto que ficasse alguns dias com ele. Uma proposta que Tony sem pensar em mais, aceitou. Aimé tinha posto o encosto da sua cadeira para a frente e usava agora o encosto para apoiar o queixo nos braços. Aimé era ainda um jovem rapaz e tinha olhos que suspeitavam um relacionamento com os anjos. Mas este pensamento a Germaine guardou, claro, para si. Levou algum tempo até que algo fosse dito. Foi Aimé quem quebrou o silêncio: “Tiveste muita sorte! Se não te tivessemos encontrado rapidamente, não mais habitarias um corpo.”

 

Germaine não sabia como havia de responder aquilo. Aquele rapaz tinha uma maneira estranha de descrever que ela talvez pudesse estar morta...

 

--“Habitar um corpo...” ecoou ela a alta voz para dar tempo a si própria de pensar algo com sentido.

-“Sim” disse Aimé, perforou como se fosse com os seus olhos até à sua alma. “Poucas pessoas estão conscientes de que na realidade não são o corpo, mas a alma que nelas habita. É por essa razão que a maioria das pessoas tem tanto medo de morrer. Mas o contrário também é verdade. Algumas almas levam bastante tempo, antes de tomarem a decisão de encarnar de novo”.

 

-“Tens uma maneira muito especial de começar uma conversa”, disse Germaine; “nunca tiveste a sensação de que as pessoas, com esse tipo de sinceridade, se desligam?”

-“Eu sinto-o rapidamente, com quem o posso fazer e com quem não posso e contigo soube-o de imediato...”

Em vez de completar a sua frase, mostrou um sorriso suave mas muito expressivo. Durante muito tempo houve de novo silêncio. Somente a natureza em seu redor se deixou ouvir...

-“Sinto que não é propriamente uma coincidência que eu me encontro aqui contigo...”O seu sorriso ficou ainda maior.

-“Tens problemas com isso?”

-“Oh não, de maneira alguma. Eu diria mesmo, pelo contrário. Não fazes a menor ideia de como estou contente por as coisas irem como vão. Somente sinto que as coisas que acontecem são combinadas de antemão. Mas isso é impossivel, visto que é a primeira vez na minha vida que te vejo.”

-“Qual é o teu trabalho?” Germaine tenta mudar de assunto.

 

-“Eu na verdade tenho muita sorte, em poder usar os meus talentos como ganha pão. Litoterapia, gemoterapia, purificação da memória celular, terapia musical cristalina e trabalho também com crâneos de cristal... mas se outra pessoa me faz essa pergunta, digo simplesmente que estou no mercado com pedras e cristais...”

Para Germaine tudo aquilo ia muito rápido. Ela nunca havia pensado que as coincidências na Terra pudessem ser daquela natureza, que ela se sentisse de imediato em casa. Inspirou fundo e expirou e fechou os olhos por uns momentos. Às apalpadelas procurou as mãos de Aimé e perguntou-lhe: “quem sou eu, de facto?”

-“Como toda a gente neste planeta, sou de momento o teu espelho. Portanto, a minha pergunta para ti é: quem sou eu de facto? Sabes dizer-mo? Mas não tens que realmente responder a esta pergunta. Primeiro vou-te contar o seguinte. Sabes que nesta Terra andam certas pessoas que permanentemente recebem tarefas do outro lado. Uma destas tarefas pode ser: levar almas falecidas para a luz, caso teimem apegar-se à Terra, ou a restauração de energias em campos de força, mas também pode ser que certas pessias recebam a tarefa de ter um papel nos sonhos de outros. Não para que os outros façam algo que não desejam fazer, isso nunca, nunca te esqueças de que eles no outro lado têm o maior respeito pelo livro arbítrio. Mas as pessoas que agem nos sonhos dos homens, podem sugerir certas escolhas, de uma maneira ou de outra, de forma que após acordarem, transportam consigo uma espécie de semente que no dia seguinte ou após alguns dias de súbito indicará algo importante. E isso é precisamente o que me aconteceu algumas noites atrás. Eu vi nos meus sonhos um homem numa farda de piloto. Um homem que me mostrou a penúltima página do livrinho que eu tenho aqui em casa. Eu penso até que em cada casa de França existe um exemplar deste livrinho. E nessa página está o desenho de um rapazinho que foi mordido por uma serpente no deserto e que lentamente cai por terra para nunca mais se levantar. Isto foi o que eu vi no meu sonho. E na noite seguinte descobrimos-te. Imóvel contra o tronco de uma árvore. Mas tu ainda estavas viva. E de repente veio-me ao pensamento aquela imagem daquele rapazinho, tal como havia sonhado... Eu ainda não consegui fazer a ligação contigo, mas sinto que há qualquer conexão.

-“O meu esposo é, naturalmente, um piloto” deixou a Germaine como se por acaso, deslizar. “e o meu menino adora aviões... Talvez seja esta a ligação...”

-“Eu ainda vou descobrir”, disse Aimé, “mas deixo-te por agora. Logo estarão o teu marido e o teu filho aqui e isso poderá ser extra cansativo para ti. Por conseguinte, desfruta um pouco do teu reposo...” Ele levantou-se, puxou a cadeira para trás de si, olhando para cima para as nuvens com a atenção, como se estas, uma por uma, algo lhe tinham para contar.

 

19. Rennes Les Bains dão sinais claros

 

Logo depois do meio dia chegaram Tony e Victor. Antes do carro estar bem estacionado, Victor saltou para fora e correu pelo trilho do jardim que dava para o pequeno varandim onde a Germaine se encontrava a desfrutar do morno sol de fim de ano. O seu coração batia-lhe na garganta. Ele havia no passado visitado o rapazinho regularmente nos seu sonhos, mas este primeiro encontro na matéria era por assim dizer algo diferente. A intensidade com que o pequeno correu para Germaine, fez libertar nela emoções claras. Quando Victo chegou perto dela, deteve-se. Sem fôlego ficou de pé ao lado da espreguiçadeira. Ela abriu os braços, pronta para lhe dar um caloroso abraço mas ele manteve-se imóvel e olhou para ela nos olhos, como Aimé havia feito, algum tempo antes.

-“Estou tão contente que vieste” disse Germaine.

-“Eu sei” disse Victor. “Eu também estou contente que vieste...Levou muito tempo mas estamos finalmente juntos de novo”.

 

-“Não foi assim tanto tempo”, disse Germaine insegura, “dois ou três dias não é assim tanto tempo”...

-“Eu não quero dizer isso” disse o pequenino, enquanto encostava a testa suavemente á de sua mãe. Isso ele nunca havia feito antes, mas, aparentemente, ele tinha uma intenção com isso. Como que instantâneamente, fez-se uma ligação telepática, e foram efectivamente trocados pensamentos com intensidade. Era como se ambos tivesse tido acesso a uma imensa biblioteca de informação. Lentamente e cheia de ternura, Germaine envolveu aquela maravilhosa criaturinha em seus braços. Entretanto, Tony havia se aproximado também. Ele ficou de joelhos perto do seu filhote e com os seus braços fez um círculo em redor. Alguém que fosse capaz de ver auras teria testemunhado de um maravilhoso espectáculo de cor, onde as auras dos três mortais se misturavam em completa harmonia. Não muito afastado dali, por detrás da pequena janela da cozinha com as pequenas portadas azuis, Aimé deleitava-se com este espectáculo maravilhoso e do sentimento de perfeita felicidade que o assolou. Aqui e agora! Germaine liberta-se do abraço e sente algo correr pela sua face. Estava prestes a limpar com os seus dedos, mas Tony antecipou-se. Uma chuva de lágrimas tinha que ser amparada. Tony levantou-se, num único gesto pôs Victor aos ombros e propôs fazerem um pequeno passeio pela aldeia. Ali poderiam procurar uma pequena pensão. Pois que para acolher três visitas, havia muito pouco espaço na casinha das janelinhas azuis.

-“Eu vou primeiro dar a conhecer a Aimé os planos”, disse Tony, enquanto punha Victor de novo em chão firme. “Partam voçês já, que eu apanho-os.”

Germaine e Victor olharam-se muito significativamente, deram as mãos e começaram a andar em silêncio. Até ao fim do trilho do jardim, passando o portão e depois para a direita em direcção ao centro. À sua esquerda, Germaine avistou algumas crianças que brincavam no pequeno riacho pouco profundo. Andavam todos a mover grandes pedras, com as quais estavam a formar uma pequena barragem quadrada, onde queriam reter a água do Sals. Um pouco mais à frente, à direita, estava um casal numa pequena esplanada de um primeiro andar a fazer os seus planos românticos. Na pequena ponte por onde tinham que passar, encontrava-se um rapazinho Indiano a tentar expressar as suas emoções na sua flauta. E depois chegaram à rua principal. A ‘grande rue des Thermes’. Por momentos, parecia que Germaine hesitava. Deviam ir para a esquerda ou para a direita, pensou.

-“Para a direita” disse Victor, e puxou-a para o lado indicado, como se, de súbito não houvesse tempo a perder. Umas dezenas de metros mais à frente, chegaram à ‘Place des deux Rennes’, uma pequena praceta que mais se parecia como um convite a uma pequena pausa. No lado oposto da praceta, encontrava-se o ‘café à l’or Loge kfé’, um local com uma esplanada, enfeitado de grandes parasóis cor-de-laranja. Numa das pequenas mesinhas estava sentado um homem já de alguma idade. Descalço. Mantinha os olhos quase fechados como se estivesse continuamente a olhar para o sol. Tinha vestidas uma espécie de calças de pescador Japonês, e a sua cabeça estava adornada de um chapéu engraçado com plumas. Assobiava uma modinha, a ‘Douce France’ de Charles Trenet e nada mais esperava da vida naquele dia. O dono do café foi lá fora com o jornal na mão e disse que tinha boas notícias para dar. Em Sumatra havia nascido um rinoceronte. O velho parou de assobiar por um momento, pelo que se fez silêncio no seu coração e olhou inconsciênctemente na direcção de Victor que continuava a sua modinha e começou a cantar: “Douce France... Cher pays de mon enfance... Bercée de tendre insouciance... Je t’ai gardée dans mon coeur ! » Naquele momento o papá chegou. Estava sem fôlego a escutar a serenada do seu filhote de três anos e desejava saber como é que um rapazito daquela idade parecia um cantor de rua diplomado, que com tanta destreza sabia interpretar o texto daquela pequena melodia de 1943.

-“Nada é mais fácil, disse o pequeno Victor. No tempo em que a França ainda estava em guerra, toda gente cantava aquela melodia. E eu fazia precisamente o mesmo que tu agora fazes: pilotar aviões. Vem, mamã, quero mostrar-te uma coisa.”Pegou na mão da mãe e dirigiu-a como se de um guia certificado se tratasse, até uma montra de uma loja, um pouco mais à frente, do outro lado da rua. Tony, que se começava a sentir um pouco a mais, chegou com uns quantos metros de atraso. Não cessavam as supresas. Victor tinha atingido a sua meta, assim o parecia. Como se fosse ali todos os dias, deteve-se mesmo antes da ‘passage des Escatades’ diante de uma enorme montra de uma loja onde só se vendiam DVDs. O interior da loja era iluminado por um daqueles baloiços que só se vê na época do Natal. Por detrás da montra só se viam caixas de DVDs que eram todas diferentes mas que se pareciam todas umas com as outras. Lá dentro havia umas filas de cadeiras, como se a cada momento pudesse entrar público.

Victor olhou para a sua mamã expressivo e disse ao seu papá:

-“Papá, eu acho que a mamã quer entrar aqui um bocadinho... quero dizer... não me perguntes porquê, mas eu sei que quer. Entretanto podemos nós, aqui um pouco mais à frente, ir ver de um quarto para esta noite.” A autoridade com que o pequenito se impôs era de uma pureza tão indiscutível que os seus pais simplesmente, sem pensar, faziam o que dizia. “Vem papá, um pouco mais adiante é o Hotel De France. Olha ali, aquele com as portinholas verdes.”

 

-“E qual é o problema com os outros hoteis? Como aquele ali com os parasóis brancos, ou a Résidence de la Reine?” perguntou Tony interessado.

 

-“Nada. De verdade. Mas se esta noite não quiseres pregar olho, por eu passar o tempo todo a conversar com aqueles que chamas os meus amigos imaginários, então acho que devemos escolher a Résidence de la Reine.”

 

-“Ainda tens problemas com isso?”

 

-“Não como dantes. Mas desde que a mamã me ensinou como levar as alminhas para a luz, não há mais problemas... ou não me acreditas?... Não digas mais, não acreditas em mim, eu ouço-te a pensar. Tenho que compreender que não é sempre fácil. Como daquela vez, há umas semanas atrás. Mas eram tantos. Uma caserna inteira de um campo de concentração. Imagina todos no teu quarto. Não era muito engraçado”...

Naquele momento entram no Hotel de France. Ainda te lembras, o hotel com as portinholas verdes. Germaine mal pode acreditar que esta pequena criança ainda nem quatro anos tem. Fantástico! Uma sorte... Ela pôs um grande sorriso nos lábios enquanto abria as pesadas portas de vidro das Debowska Productions .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Malgorzata Jadwiga Debowska

 

 

20. A coincidência não existe

 

O espaço onde se encontrava não tinha propriamente sido decorado com gosto. Centenas de caixinhas de DVDs aparentavam mozaicos, armazenados numa espécie de monstruário em prateleiras móveis e contra a parede. Esta última parecia-se um pouco com aqueles lugares em alguns cemitérios, onde existem muitos armários de parede onde são guardados os restos do que foram antes vidas humanas. Estes DVDs não são outra coisa. As paixões e as missões das vidas de inúmeras pessoas, encontram-se gravadas nestes discos. Os títulos somente fazem soar uma data de campainhas em Germaine e proporcionam-lhe a convicção de que todo a sua vida terrestre será direccionada em bons caminhos. Como o genérico da própria vida, os títulos vão passando: Mensagens de espíritos da natureza. O silêncio que nos une. As minhas viagens a cidades da terra interior. A realidade e a ilusão. Ciência e espiritualidade. Contos do além. Relatos de experiências próximas da morte: testemunhos. Os círculos no trigo. As novas crianças. A consciência de Arcturus. Principalmente dos últimos três, ela sente um grande calor interior. Isto é um pouco como se regressasse a casa. Ela precisa de se sentar. Cadeiras não faltam. Ela senta-se ao meio da primeira fila e deixa que a consciência de Arcturus descanse no seu colo. Neste preciso momento a dona das Debowska Productions entra no local. Ela quer de novo levantar-se, mas não consegue logo. As suas emoções são muito fortes. Ela tem rapidamente que fazer algo com isso, pensa, pois que não se quer tornar sua víctima. A senhora Debowska estende a mão para cumprimentar e pousa a outra mão nos ombros de Germaine. Com uma leve pressão empurra Germaine de volta para a cadeira.

-“Mantenha-se sentada, minha senhora. Posso oferecer-lhe um copo de água?”

Antes que Germaine pudesse responder, ela já tinha desaparecido. O que proporcionou a Germaine a oportunidade de voltar a si. As emoções pareciam mais fortes que ela e ser-lhe-á difícil controlar esta fraqueza humana.

 

-“Aqui estou eu de novo”, disse a senhora das Debowska Productions, enquanto entrava de novo por detrás de uma cortina fechada, como alguém que havia sido manequim numa vida passada. Ela coloca os pés de uma maneira mais afastada do que a maioria das pessoas que Germaine havia encontrado, entretanto. E quando está parada, cruza as pernas como alguém que está a pensar numa coreografia, mas se contém de repente.

-“Vejo que já achou qualquer coisa”, disse com uma boa dose de calor humano na sua voz. “A consciência de Arcturus... com Donald Doan. É um passeio do Quebec. Um fenómeno que para o público comum é totalmente desconhecido. Um passeio, quero eu dizer. Um passeio conhecido em França é o de Anne Givaudan. Ela até escreveu um livro sobre isso. Muito interessante. Mas não quero influenciá-la. Veja tudo à sua vontade. E se desejar posso lhe disponibilizar um catálogo, assim não precisa de estar o tempo todo de pé.“ A dona Debowska vira-se elegantemente nas pontas dos dedos dos pés e agarra numa pirueta arrojada uma lista no balcão e volta finalmente de novo aos seus calcanhares, entregando o papel a Germaine com um pequena vénia.

-“Mas eu ainda não me apresentei, mas que falta de educação a minha... O meu nome é Malgorzata... este é o meu nome. Sou de origem Polaca. Para alguns clientes, um nome que não pode ser pronunciado, eu compreendo, e por conseguinte pode chamar-me de Hedwige, que é o equivalente a Jadwiga, o meu segundo nome. Eu e o meu companheiro Konstanty, temos feito das simples reportagens da sabedoria de todas estas pessoas excepcionais uma espécie de missão das nossas vidas. Todas testemunhas vindas do coração, peça por peça encontros para nunca esquecer, uma espécie de mozaico de pequenos pedaços de vida numa vida... ou algo do género...” Ela fica por momentos em silêncio e observa com grande atenção um cliente enquanto inclina um pouco a sua cabeça para um lado. Ela senta-se ao pé. “O primeiro DVD da lista já não se encontra à venda. Esse das novas crianças, pois que a pessoa protagonista desta reportagem, escolheu outro caminho e pediu-nos que apagasse esse DVD da nossa colecção. O que decerto fazemos. Pois que o respeito está acima de tudo...”

Germaine bebe o último golo de água e coloca o copo na cadeira ao seu lado. Ela lembra-se que ainda não houvera dito fosse o que fosse, ao mesmo tempo que Hedwige lhe pergunta:

-“Como é que veio parar aqui, pois que tenho a impressão de a ter visto aqui antes? Decerto que não nesta vida”... acrescenta como por graça.

-“Na verdade foi o meu filho que me trouxe para aqui” disse cautelosamente, desconhecendo de que forma a verdade possa ser interpretada.

-“E como é que este jovem nos conhece” pergunta Hedwige com curiosidade.

-“ Não faço idéia. E penso que ele próprio também não o possa explicar. Estas crianças hoje em dia dizem com cada coisa, que por vezes acertam mesmo em cheio, mas de onde vem tanta sabedoria não conseguem explicar.”

-“Mas que benção, uma criança dos novos tempos!” deixa escapar Hedwige, e sente-se que ela o crê a 200 por cento.

-“Não faço idéia. Mas tenho toda a confiança que tenha razão. Tudo isto para mim é muito novo, compreende, e há muitas coisas às quais ainda me tenho que habituar.”

-“Penso poder ajudá-la”, diz Hedwige resoluta. Ela levanta-se e dirige-se para um carrousel sobre rodas, onde se encontram alguns DVDs pendurados. Tira dois deles. “Faça favor, estes são para si. ‘A águia branca’ um Indio que trás alguma consciência ao novo povo em matérias relacionadas com a natureza, e ‘Marie Françoise Neveu e a consciência de Arcturus’...Hedwige olha discretamente para o outro lado, como se nada tivesse visto. Olha de seguida par Germaine directamente nos olhos e faz a pergunta dos 10000 Euro: O que acha se nós fizessemos uma reportagem? Acabámos de nos conhecer mas a minha intuição diz-me que tem muito para nos contar. Agora ainda não... quando o tempo for certo”, acrescenta num tom confortante.

“Germaine inspira fundo. Tudo se passa muito rapidamente... pensa ela. Em pensamento agradece aos seus guias. Parece hesitar por um momento e diz: “Penso que o que sua intuição lhe diz seja verdade. Quero dizer... “ Naquele momento as grandes portas de vidro das Debowska Productions abrem-se de novo e Victor entra a correr. Chega um pouco antes do seu pai. Chega à sua mãe repleto de palavras: “então mamã, não tinha razão quando te disse que tinhas algo a fazer aqui?” Germaine nem teve tempo de responder. Victor salta para o seu colo e murmura no seu ouvido: “penso que ainda não percebeste que nas cadeiras de trás está sentado um exército dos meus amiguinhos imaginários. E estão todos a aplaudir muito entusiastas.” Salta de seguida do seu colo e dirige-se resoluto a Hedwige, dá-lhe uma mão e diz: “bom dia, minha senhora, o meu nome é Victor e a senhora... de onde é que a conheço ? "

 

21. Todos os dias são de festa, mas hoje é a maior

 

Em Victor tinha Germaine ganho a sorte grande, isso era certo.

 

Hoje tinha feito 4 anos o que no seu caso significava: a meia idade. Por outras palavras, com idade suficiente para saber o que pode ou não fazer, mas jovem suficiente para o fazer. Em suma, Victor era o exemplo frapante de uma criança da nova era que não se deixa intimidar por leis e regras. E também não pelas leis da gravidade. Podia por vezes acontecer que se via um vaso a fazer um passeio no parapeito. Ou que se deitava na sua cama e fazia com que os brinquedos que queria entrassem no seu quarto por telecinese para irem parar ao sítio onde ele os queria ter. Ele sentava-se regularmente em frente à janela aberta a conversar com os velhos sábios como os descrevia, que por assim dizer o ajudavam a fazer escolhas. Para um mortal comum, não havia vestígio de quaisqueres velhos mas digamos que Victor aparentava estar em boa companhia. Tony, que na realidade já podia ter muito, graças à sua relação com Germaine, tinha ainda algumas dificuldades com tudo aquilo. Principalmente quando Victor travara aparentemente amizade com o fantasminha do primeiro andar, que se restringia à dispensa e que manteve o que havia combinado com Victor. Durante o dia, o fantasminha podia ficar com ele no quarto, mas de noite tinha que regressar ao seu lugar. Victor fazia grandes amizades com as flores do jardim que regularmente eram distraídas pela sua companhia e com quem ele mantinha conversas intermináveis. Mas hoje era o dia dos seus anos e iría haver uma pequena festa. Como imaginam, uma festinha com alguns amigos, um bolo e presentes e talvez até uma ou outra surpresa. Em suma uma simples festa, como era costume fazer na Terra. O seu pai tinha-o aconselhado a não começar a falar do fantasminha do primeiro andar e muito menos dos velhos sábios e tinha também dito que uma pessoa normal deixa o seu prato na mesa no sítio onde o colocou. Victor seguia as suas indicações com um espírito de desobediência e Tony estava sempre com o coração nas mãos com receio do que pudesse acontecer. Mas a sua preocupação não tinha fundamento. Victor era o exemplo do que se podia esperar de um rapazinho da sua idade. Pelo menos... na primeira hora. Depois disso podia desfrutar de uma diversa companhia de crianças que o cercavam pelas descrições sobre discos voadores, e as meninas gostavam de se deixar raptar por um extraterreste giro como o Victor. Depois de brincarem um pouco desta maneira, seguiam o aniversariante até ao primeiro andar, onde Victor tinha o seu quarto. Sentavam-se no chão e Victor na sua cama pois que lhes tinha prometido contar uma história muito interessante e verídica. E tiveram-na. A história tratava de um menino de 10 anos que não queria mais ir à escola “...não porque era mau, não... simplesmente porque já tinha aprendido aquilo tudo. Antes mesmo que o professor fizesse a pergunta, e portanto ele achava a escola muito chata. Sabiam que o professor lhe tinha dito... que a água vinha da torneira...” De súbito muda por completo de tom. Parecia que ía tudo ficar muito interessante... “Uma noite, Jantje estava a olhar para o écran da televisão para um dos ridículos programas para crianças e, depois de uns dez minutos, apagou o aparelho e foi para o seu quartinho olhar para as estrelas. Será que eles vêm de novo esta noite, pensou Jantje... Ultimamente, Jantje tinha sido levado por amigos que, por assim dizer, vinham de Sírius. Ele foi levado para a sua nave espacial.”... as meninas do grupo aproximavam-se dos meninos e aguardavam com ansiedade o resto da história...”não têm que ter medo, disse o valente Victor, não há razão alguma para ter medo, pois que os meninos de Sírius eram de facto um tanto ou quanto como as pessoas. Uma espécie de familia do Jantje. E duas vezes por semana levavam Jantje com eles para assistir a uma espécie de reunião, onde haviam muito mais crianças. Mas, de facto, aquilo não eram crianças verdadeiras, pois que as suas almas eram muito mais velhas e sábias...”

Victor parou um pouco, pegou em duas almofadas que colocou à beira da cama e com o seu queixo sobre os seus braçinhos, continuou. Ele desfrutava, por assim dzer da atenção... “Durante a reunião –continuou ele- combinavam-se coisas muito importantes, como as coisas que têm que figurar nas leis Europeias. Riam-se também, muitas vezes na reunião, pois que o que os adultos por vezes punham nas leias era verdadeiramente para rir. Mas as pessoas na Terra não vêm isso. Pois que não conseguem ver as coisas de uma certa distância, como era o caso de Jantje e dos seus amigos de Sírius. Durante aquelas reuniões, Jantje tinha visto o seu priminho Michel umas quantas vezes. Ele era uns anos mais novo e tinha ido pela primeira vez à Terra. Por essa razão é que havia nascido da família de Jantje. Desta forma, Jantje podia ajudá-lo um pouco. Michel vinha oficialmente de Sírius, mas os seu pais claro que não sabiam disto. Claro está que ele nunca lhes havia contado que havia vindo à Terra com uma missão. Mas ele podia falar destas coisas com Jantje. Destas e de muitas outras...” Victor parou um pouco com a sua história. Tinha notado a presença do fantasminha no canto do quarto, que havia sido atraido pela história de Victor, provavelmente porque se sentia um pouco só na dispensa onde já tinha estado muuuuito tempo fechado. Victor olhou de relance para o seu público mas ninguém havia notado algo...”Disso e de muitas coisas mais” repetiu ele... “sobre as guerras, por exemplo. Nem Jantje nem Michel compreendiam o que as pessoas na Terra achavam de graça a fazer guerra. E porque razão tinham na escola lição de história. Nada disso era necessário. Até podes chumbar nisso na escola. O que passou, passou”... disse Victor. E a sua voz tornou-se um pouco zangada. Era naturalmente uma história mas como fora dito, uma história verídica... “a única coisa que conta é o que acontece agora. E disso os dois priminhos estavam bem conscientes. E...” Victor havia-se posto de pé na cama... “e sabem qual é a grande mensagem dos habitantes de Sírius para nós aqui na Terra?” Ele olhou em redor para o pequeno povo que escutava em seu redor. Mas nenhum deles se atreveu a dizer fosse o que fosse. “A mensagem dos habitantes de Sírius é que têm que acreditar em vós próprios. O poder está em vós. A única coisa que têm que fazer é irradiá-lo para outros”... Tornou-se tudo muito quieto no pequeno quarto do menino. Victor tinha dito tudo. Olhou para o fantasminha e com um movimento fez sinal com os seus olhos que ele deveria sair. Uns segundos mais tarde o silêncio era quebrado pelo ruído de uma moldura –com a imagem de um golfinho a saltar- que, de repente, e sem razão, caíu da parede. As crianças desapareceram a correr e aos gritos do quarto. Com a excepção de um. Mike. O priminho de Victor. Ele aproximou-se um pouco mais e disse: “Tu ainda não tens dez anos...” Victor foi-se sentar de novo na ponta da cama. “Não, eu tenho apenas 4. Mas desta maneira eles não desconfiaram que se travata de nós dois ..."

 

 

22. A cereja no bôlo

 

 

 

Alguns minutos mais tarde Victor apareceu de novo no jardim, com o seu priminho. Segurava em ambas as mãos a moldura com os maravilhosos golfinhos e correu em direcção do seu papá. Havia uma grande racha de um canto ao outro do vidro e ele esperava que o pai pudesse fazer qualquer coisa rapidamente para o concertar. Mas Tony estava a falar com a mãe de Mike e dera pouca atenção ao seu filho; pousou a moldura no chão encostada a uma árvore. Victor que detestava adiar coisas –com ele as coisas tinham que acontecer sempre: ali e agora- estava a tentar encontrar uma maneira de conseguir ter toda a atenção do pai. Ele aproximou-se muito da tia, puxou-lhe pela manga com força e disse em tom alto: “ tia Roos!”

-“Sim rapaz...” ela interrompeu a conversa com o seu irmão e pôs-se de joelhos para estar ao mesmo nível de Victor. Isto ele já acho bem melhor e como ela se aproximou tanto, ele continuou quase que a sussurrar...

 

-“Sabias que são todos pessoas?”

-“Pessoas? Quem?”

-“Sim, os golfinhos!”

-“Claro que não, querido Victor. Golfinhos são golfinhos. São decerto mamíferos mas continuam a ser sempre peixes.”

-“Está bem. São golfinhos. Mas antes eram pessoas!”

-“O que é queres dizer com isso? “perguntou a tia Roos, que na verdade achava graça aquilo tudo. Ela olhou para o irmão, piscou-lhe o olho, foi-se então, com o seu lindo vestido branco, sentar na relva e pondo os braços em redor de Victor, compactuou no seu complot, para que ninguém precisasse de ouvir aquilo.

-“Sim, tia Roos. Agora são talvez somente golfinhos, mas muito antes eram pessoas. Pessoas que eram muito sábias e sempre sabiam a razão porque as crianças faziam certas coisas e que entretanto já compreendem que tu e eu, e o papá e a mamã e tudo o que existe, de facto um grande todo é; bem... quando as pessoas morrem, então elas já se encontram um passo mais perto de alguns outros, e assim podem escolher onde o que querem ser da próxima vez que nascerem. E depois existem as almas sábias que escolhem nascer como golfinhos. Portanto, nunca digas somente um peixe a um golfinho. Pois que na verdade nem são peixes. Eles até estão alguns degraus mais altos do que a professora da escola...” A tia Roos ficou calada com tudo aquilo. Tony tinha entretanto pegado na moldura e estava a estudar a racha no vidro como se de uma nova maravilha do mundo se tratasse, para assim não ter que participar naquela conversa. A tia Roos inspirara fundo e perguntara-lhe interessada:

-“E quando se está assim tão alto que se pode escolher ser um golfinho, pode-se escolher não nascer mais?”

-“Sim, pode-se” disse Victor cerimonialmente, “mas nesse caso tens de estar muuuuuuito alto. Mas, na realidade, esses escolhem sempre regressar como uma pessoa, mas depois nascem como Jesus ou Mohamed... compreendes... esta espécie de pessoas altas.”

Germaine, que entrava com uma cesta cheia de fruta do jardim, tinha-se entretanto aproximado e tinha mesmo apanhado as últimas palavras de Victor. Sentia-se cheia de orgulho da imparcialidade, arrojo e simplicidade com que Victor, não obstante a sua idade tão tenra mostrara. Enquanto oferecia a fruta à tia Roos e a Victor, perguntou sorrindo:

-“Victor, conta-nos uma coisa; se poderes escolher da próxima vez, como é que gostarias de regressar, como Jesus ou Mohamed? E porque razão?”

-“Mamã “–disse Victor com uma espécie de tom terno na sua voz –“eu escolhi antes vir ao mundo como Victor, assim como tu escolheste ser a minha mamã. Mas se o papá te perguntar porque escolheste ser a minha mamã, que resposta lhe darias?”

Victor abrira ambas as mãozinhas e esperava uma resposta. Germaine pôs-lhe uma maçã nelas. Tony escutava agora com toda a atenção. Ele sentira que Victor queria tornar claro algo à sua mamã, mas não tinha idéia do quê. Para Germaine era verdadeiramente claro. Por momentos parecia que Victor ía dar uma dentada na maçã, mas, repensou a sua acção e disse:

-“Quando cortas uma maçã ao meio, então vês o caroço. Se pudesses fazer o mesmo com a Terra então poderias ver mais ou menos a mesma coisa. Mas nesse caroço vivem também seres.”

Tony que agora se havia sentado no chão fez o seguinte reparo: “mas ali encontra-se o magma... e isso é muito quente.”

-“Para ti sim, papá, mas não para os pequenos seres. Para eles isso é como se fosse a nossa atmosfera. Pois que habitam lá! No centro. E também por cima... Digamos... assim como à altura da nossa atmosfera. É assim que deves ver as coisas. São umas criaturas muito pequenas, mas podem muito. Quase tudo. E por vezes vão de viagem. Até aos cantos da Terra... mas por vezes também no Universo.” A essa altura, Victor deu uma dentada na maçã, deu-a ao pai e disse:

-“Pega aí um bocadinho. Tenho que ir fazer xixi.” E sem se importar do que se passava na cabeça daqueles três adultos, foi para trás da árvore e desapareceu discretamente da vista. Sua mãe sorria e metia inocentemente uma uva na boca. Victor e a irmã nada mais tinham a dizer. Por detrás da árvore soou triunfante o seguinte:

-“Sabes, mamã, quando eu vim à Terra, vim num raio azul. E então nasci de ti, do papá e da minha outra mamã porque sabia que voçês me iriam compreender. "

 

 

23. A sabedoria de uma árvore

 

A festa terminara. As crianças haviam sido todas levadas pelos seus pais e Mike e Roos tinham escolhido regressar pelo bosque. Era, por assim dizer também mais curto do que o caminho habitual. Roos vivia a poucos quilómetros de seu irmão. Mike, que sempre achou engraçado quando iam pelo bosque, ia um pouco mais à frente e de vez em quando abraçava uma árvore. Tal como o seu priminho, Mike tinha um laço intenso com tudo o que era natureza. De súbito deteve-se imóvel.

A uns metros dali estava uma bétula de tronco duplo. Isto significa, um tronco base onde haviam crescido dois troncos. Um desses troncos havia sido cortado. As pessoas tinham cortado o tronco em fatias que se encontravam amontoadas algo adiante. Mike ficou muito triste. Incluiu de imediato a sua mãe naquela tristeza. “Porque é que as pessoas fazem estas coisas”, queria ele saber. Roos tentou encontrar uma resposta mas não conseguia pensar em nada. Mike dirigiu-se à bétula e pôs os seus braços em redor do tronco reminescente. Roos já houvera tido muitos daqueles momentos com o seu filho e deixou-o calmamente fazer o que entendera. Rapidamente teve um relato do que estava efectivamente a acontecer. “A árvore conta-me que não devo estar triste” traduzira Mike em linguagem humana.

-“Ela diz que na realidade é uma coisa boa que aquela parte foi cortada. Pelo que consta aquela parte estava já muito doente e as pessoas compreenderam isso e vieram cortar aquela parte doente...” E de novo havia um sorriso na sua carinha e quando se dirigiu ao bocado que estava serrado em fatias e observou alguns deles, viu que estavam rachados e que pareciam negros no interior. “Estás a ver, mamã, que a árvore estava a falar a verdade.“ Mike triunfara. Acontecera mais vezes que ele de vez em quando se embrenhava numa conversa com uma ou outra árvore, mas a sua mãe sempre duvidara muito fortemente da veracidade destas conversas. Ela tinha ficado claramente comovida e puxou o seu filho contra si, dando-lhe um forte abraço. “Desculpa-me que no passado por vezes duvidei das tuas histórias. Elas são sempre tão inacreditavelmente fantásticas que eu estava a ver as coisas mal. Desculpa-me”...

Roos tinha lágrimas nos olhos. Pela segunda vez naquele dia sentava-se com o seu vestido branco no chão e parecia que desta vez ía ficar ali algum tempo sentada.

Mike deleitava-se a cada momento. Roos limpou com a manga as lágrimas da sua face e continuou: “Podes compreender que para mim não é sempre fácil compreender o que te acontece? Tu tens somente 8 anos e por vezes é como se fosses mais velho do que eu. Por vezes contas coisas que eu penso... onde é que ele vai buscar isto.” Mike observava a sua mãe já há algum sem proferir uma única palavra. Com as suas mãozinhas acariciou suavemente a sua face. Sentou-se também ele com as costas contra a bétula.

“De onde eu tiro estas coisas, não posso realmente dizer. Mas tudo o que te conto, sei-o simplesmente. Quando o professor de aritmética na escola nos dá um novo problema, eu sei de imediato o resultado, mas não como lá cheguei... não faço idéia.

Os outros meninos da turma têm sempre que seguir o caminho mais complicado antes de saberem o resultado, mas para mim a resposta está por vezes já pronta, ainda antes que o professor tenha acabado a pergunta. Compreendes porque não gosto assim tanto de ir à escola? E sem falar de todas as regras ridículas que somos obrigados a cumprir. Por vezes é insuportável quanto nos é exigido ficarmos sosssegados sentados como mortos vivos que fazem de conta que evoluem. Tanta coisa que fervilha em mim que não me permite ficar restrito aquelas regrazinhas idiotas. Eu como que rebento pelas costuras com a sorte imensa que cresce em mim e com a qual eu podia inundar o mundo, se as pessoas simplesmente ouvissem o que tenho para contar. Tenho uma espécie de missão nesta Terra que consiste em deixar crescer tudo o que me rodeia. E para ser muito sincero: com o papá isso não funciona muito. Existe ainda tanto para vos contar e a minha paciência é permanentemente posta à prova. Mas para tudo existe o momento certo. Isso eu sei. Por conseguinte tenho confiança. Se acreditares que tudo tem uma razão. Nada acontece por acontecer... não é por acaso que Victor é o meu primo... e muito menos a sua mamã é a sua mamã por acaso. Eu só queria te pedir para teres confiança. Não é necessário ter para tudo uma explicação. Por vezes é suficiente que eu ai esteja, simplesmente. As coisas podem ser simples... todas...” Aqui, Mike parou um pouco. Pressionou as suas costas mais contra a bétula como que se o contacto com a árvore fosse determinante para o que se iria seguir... “Na realidade, fazemos todos parte de um plano. Um plan que vem do Universo. E nós aqui na Terra, a região mais física desse Universo, é como se estivessemos na base do Universo, como se fosse uma espécie de torre. Uma torre com diferentes níveis. Mas tudo está interligado. Tudo. O Universo nasceu quando Deus tomou a iniciativa, de fazer uma experiência. Na Terra arranjamos um nome para isso: a evolução. Temos de facto todos uma espécie de Universo em ponto pequeno no nosso interior. E o que respeita à torre. Nela, nenhum dos níveis é superior ou inferior a outro. Não existe em cima ou em baixo (alto ou baixo) e em cada parte se pode encontrar a totalidade. O nível astral é um nível intermediário entre o nível físico e a fonte. É um nível subtil, por onde as almas têm que passar se quiserem voltar para a fonte. Quando se morre volta-se definitivamente de novo a esse nível. Por vezes chegamos lá enquanto vivemos, graças a um certo tipo de ondas mentais, ou durante o sono. Nesse nível o espaço ainda existe mas o tempo não mais. Ao nível da fonte, não existe nem tempo nem espaço. Não existem polaridades. É aí que a energia exerce um efeito de espelho e se reflecte em todos os outros níveis...”

Aqui o Mike ficou em silêncio. O silêncio podia ouvir-se. Ele levantou-se, tomou de novo a árvore nos braços e encostou –quase que solenemente- a cabecinha contra o tronco. Ficou assim cerca de um minuto. Havia uma magia no ar. Quando deixou a árvore e se virou para a sua mamã, era de novo o rapazinho de oito anos. “Vem mamã” disse ele “vamos andando, pois que o papá começa a ficar em cuidados.” Roos não tinha palavras. Ela apenas se limitava a estar ali a observar a sua criança, que tinha na sua testa, por se encostar contra a árvore, mesmo por cima dos sobrôlhos uma espécie de impressão na forma de um ôlho. Lentamente levantou-se de novo. Pegou na mão de Mike, inspirou profundamente e prosseguiu de novo o seu caminho. A bétula continuou pelo murmurar do vento, como se dissesse adeus. Maravilhava-o um pouco que Mike era o mais pequenos dos dois.

 

 

 

 

 

24. Pode ser o teu filho

 

Tony tinha a mão no fecho da porta, mas hesitava. Tinha aprendido o costume de, cada noite, antes de dormir dar um abraço ao seu filhote. Mas naquele dia havia algo que o impedia.

-“Podes entrar, papá” gritou Victor a alta voz, “não tens que ter medo, não há razão para isso. Eu hoje só fiquei um aninho mais velho, mais nada.”

Tony fora surpreendido e abriu suavemente a porta. Na realidade queria apenas pedir ao seu filho o que ele tinha querido dizer aquela tarde quando disse a ‘sua outra mamã’, mas Victor antecipou-se-lhe.

-“Queres mesmo saber a resposta à tua pergunta?”

Tony já estava habituado a tais situações, mas sempre achava aquilo um bocado fantasmagórico. Aquele talento telepático do seu filhote tinha sem dúvida os seus benefícios, mas para um pai não era assim sempre tão evidente saber que o filho poderia ver mesmo através de si. Tony fez que sim com a cabeça.

 

-“Está bem. Por mim não há problema, mas então tens que ir buscar a mamã. Pois que ela tem também que concordar...”

A mamã foi chamada. E ela não achava que havia ali qualquer problema, para se falar sobre o que Victor queria dizer quando referia a sua mamã e a sua outra mamã... Victor tinha sacudido as suas almofadas e colocado-as em pé atrás dele. O papá e a mamã tinham posto ambos uma cadeira perto da caminha e olhavam ambos um pouco como duas crianças que haviam sido chamadas ao gabinete do director por se haverem portado muito mal. Victor observou-os nos olhos durante muito tempo e, de repente, sabia perfeitamente como haveria de começar.

 

-“Papá, quando olhas para os olhos da mamã, podes me dizer se são os mesmos olhos de, digamos, à um mês ou dois atrás?”

Tony não compreendia muito bem onde Victor queria ir com aquila conversa, e confirmou a sua pergunta com um pequeno som e um acenar de cabeça.

-“Mamã, não é verdade que tu nos últimos tempos, te impressionaste com o facto de poderes sempre dizer sem falhar quem é que está no outro lado da linha, quando o telefone toca. E que sempre levas a roupa para dentro mesmo antes de cairem do céu as primeiras gotas de chuva... e que tu, quando o papá tem um bocadinho de dor de cabeça, também o sentes antes dele se queixar? Para não falar das coisas que por vezes contas sobre o que os animais te confiam? Ou do facto de teres feito batatas fritas, quando eu penso nelas o dia todo...”

Esta última coisa fez sorrir Germaine. Ela olhou Tony nos olhos, pegou tomou a sua mão na dela e disse:

-“Ele tem razão. Algo mudou. Eu queria aguardar mais algum tempo mas agora que Victor começou a falar disto esta tarde, podiamos muito bem continuar. E ele também está certo quando afirma que os meus olhos são os mesmos que os do mês passado... apenas...na realidade é um outro alguém que olha através deles...”

Fizera-se um grande silêncio. Mesmo Victor prendeu a respiração. Tony tirou devagar a mão da de Germaine. Olha olhava para Victor ora para Germaine, como se ainda algo mais estivesse para vir. Mas nada mais veio. Somente o silêncio... De facto Tony não sabia muito bem o que pensar de tudo aquilo. Dantes ela falara regularmente naquelas coisas, que podia viajar para fora do corpo, e Victor, por sua vez, havia sensivelmente forçado os limites de Tony, mas pensar que a sua mulher já não era mais a sua mulher... pelo menos foi isso que ele compreendeu... para isso não haviam decerto palavras... por enquanto.

 

-“Portanto”, começou Tony cuidadosamente, e com coragem, pegou de novo na mão de Germaine, ”portanto... se eu compreendo bem, tu és o corpo de Germaine, mas...”

“-Mas a alma que ocupa este corpo é uma outra” Germaine completou a sua frase.

“As nossas almas, como por assim dizer, assinara uma com a outra uma espécie de contrato. E podes estar convicto que isto não aconteceu de uma noite para a outra. Tudo foi planeado com muito cuidado. A minha alma acompanhou-te todo o tempo, se o posso dizer desta maneira, com a pessoa que era a tua mulher, para saber ao certo todos os detalhes e o que podia esperar. E mesmo assim, existem inúmeras coisas, que me espantam, que me assolam ou me assustam. Emoções, por exemplo, com isso eu não tinha contado. É algo tão presente aqui na Terra. Parece como que se voçês fossem viciados nisso. E, na verdade, penso mesmo que assim seja. Tenho toda compreensão para a possibilidade do facto de poderes dizer agora que me queres dar um tempo. Ficaria muito admirada se não o fizesses, mas penso que nós dois poderiamos beneficiar do facto das circunstâncias nesta família, por assim dizer, serem perfeitas para poder fazer face a uma situação destas num curto espaço de tempo. Temos um filho que á mais adulto do que nós juntos, temos ambos uma consciência invejavel para o resto do mundo e... aqui posso só falar de mim própria, mas sinto que todos nós três vivemos muito do coração.”

Victor olhou para a sua mãe com algum orgulho. Parecia que ela havia preparado tudo aquilo um pouco. E, de facto, havia sido mesmo assim. Os últimos dias havia ponderado dizer uma ou outra coisa, mas nunca tinha havido um momento propício. Mas isso não significa que não estivesse já há algum tempo a pensar nisso... como poderia, sem causar muito dano, dar toda essa informação ao seu marido.

Victor tinha posto as suas pequenas mãozinhas sobre as dos seus pais, abriu o seu coração de uma maneira tão característica dele próprio e enviou uma mega carga de energia para os dois adultos perto da cama. Tony sentiu-se de subito muito quente e começou a puxar a t-shirt e até se levantou para se poder afastar. Quando recuperou daquela descarga enorme de energia, formulou apressado uma nova pergunta. –“Esse contracto de que falaste... quero dizer... aquele entre duas almas... o que é isso afinal de contas?”

 

Germaine estendeu convidativamente as suas mãos para Tony e tirou-o sem muito esforço da sua cadeira.

-“Uma alma normalmente conclui uma tarefa nesta vida, quando uma pessoa morre. Mas em algumas vidas, a alma termina a sua tarefa mais cedo. Na maioria das vezes, numa entrada transcendental, existe um compromisso entre as duas almas a um nível etérico. Em alguns casos isto acontece antes da alma nascer num corpo. Há sempre um compromisso entre os dois neste ‘trespasse’. É simplesmente uma outra maneira de vir a este planeta.”

-“Tu falaste de compromissos, mas podes lembra-te ainda deles, neste momento?”

-“É difícil dar uma resposta clara a isso, porque não é assim tudo tão simples como um e um ser um... mas posso tentar. Eu entrei nesta aventura terrena com toda a minha memória. Na maioria das entradas transcendentais, isto não é o caso. Elas sentem-se, por conseguinte muito estranhas. Não conhecem ou reconhecem seja quem for. É como se fizesses uma aterragem de emergência com um avião numa espécie de terra de ninguém onde ninguém sabe falar a tua língua. E tu também não tens qualquer noção da sua língua ou costumes. Sentes-te como uma espécie de peixe fora da água. Não existe qualquer experiência que possas comparar com algo que te seja familiar.”

-“Mas contigo esse não foi o caso?...”

-“Precisamente, mas isso não tira que para tudo isso não seja necessária uma boa dose de capacidade de adaptação. Eu posso imaginar, por exemplo, que tu como criança já tinhas uma certa atracção para com aviões e uma queda para a profissão de piloto. Tal como outros sonham fazer carreira como médicos ou enfermeiros...”

 

Tony achou aquilo tudo deveras interessante. Principalmente por Germaine fazer regularmente comparações com algo onde ele se via a 100%. Por outras palavras: voar.

-“Na verdade começei a interessar-me por aviões e tudo o que tinha a ver com eles; quando, em criança, começei a ler os livros de Antoine de Saint-Exupéry. ‘Vol de Nuit’ e ‘Courrier Sud’. A maneira como aquele homem descrevia a vida de piloto, levou naquela altura muitos meninos a enveredarem mais tarde por essa profissão. E eu à pouco tempo li algo na internet sobre um Alemão, que em Julho de 1944 abateu, nas imediações de Toulon, o avião de reconhecimento de De Saint Exupéry. O seu nome não me recordo, mas li lá também que se tratava do irmão de Ivan Rebrov e que na altura ele tinha se tornado piloto depois de haver lido os livros de Antoine de Saint Exupéry.

-“De momento parecia que a mente de Tony estava repleta de coragem. Tudo o que tinha a ver com voar fazia-o vibrar como nenhuma outra coisa e ele não podia esconder que tinha dificuldade em encarar esta espécie de acontecimentos.

 

-“Imagina! Alguém que se tornou piloto devido aos livros de De Saint-Exupéry, foi abater o homem em tempos de guerra. Como se houvesse sido pre-destinado?!”

Tony olhava para Germaine e para Victor como que um pouco desamparado, como tal se pudesse ter passado também com ele. Os dois sentavam-se algo dubiosamente a sorrir, e isso, dado as circunstâncias, não tornava para ele as coisas mais fáceis. “Ou pensam voçês que isso tenha sido uma coincidência?”

-“Pode bem ser” disseram Germaine e Victor em côro. Após uma pausa para respirar, Germaine continuou:

-“O seu trabalho mais importante ‘O Pequeno Príncipe’ havia sido completado e, entretanto, traduzido num incontável número de línguas. Provavelmente foi isso que se passou. A sua tarefa acabara. E o facto que precisamente alguém houvera devorado os outros livrinhos de De Saint-Exupéry, tenha proporcionado que o pai espiritual do Pequeno Príncipe haja regressado ao outro lado, é a meu ver uma continuação cármica de circunstâncias, que, claro está, foram combinadas entre as almas. Tal como à 2000 anos também Judas foi necessário, para ajudar a por um fim aquele mensageiro das boas novas. Tudo tem a ver com tudo. E enquanto a humanidade não tiver a consciência da unidade das coisas, continuarão sempre a estragar tudo como têm feito até à data. Continuarão a descartar-se das responsabilidades e a continuar a procurar para sempre um culpado para tudo. Mas esquecem-se de assumir as suas próprias responsabilidades neste rotatório circo quadrado.”

Tony deixou descansar a cabeça sobre as suas mãos e tentava compreender as coisas da melhor maneira. Estava tudo como por assim dizer a andar à roda na sua cabeça, como se tivesse feito 33 cambalhotas de seguida. Na verdade, ele queria dizer algo de forma a sentir de novo alguma base sob os seus pés. Inspirou e expirou duas vezes curta mas intensamente e disse, decidido: “agora ganhei uma cerveja!”

 

25. Afinador de pianos procura-se..

 

Tony apressava-se a descer. Uma bebida ía fazer-lhe bem. Tirou duas de uma vez do frigorífico e abriu-as ambas. Por momentos deteve-se diante uma fotografia de Germaine, do tempo em que ainda não eram casados. Ela nada tinha mudado. No seu pensamento surgiram algumas lembranças de tempos passados. Lembrava-se ainda muito bem como eles lhe haviam explicado as coisas que lhe haviam acontecido. De uma certa maneira ele podia ser invejado. Pois que, sejamos sinceros, em qualquer outra família em todo o planeta, estariam nesta altura a tentar formular o facto da senhora esposa e mãe de família se havia tornado numa espécie de fantoche onde outro alguém havia enfiado a mão. Ele achou esta uma maneira respeitável de parafrasear as coisas, mas por aí estava tudo dito. Bebeu um bom golo da garrafa. E como é que ficava aquela história da memória das duas Germaines. Pois que a Germaine 1 houvera-lhe dito uma vez que uma pessoa tem diferentes memórias. Uma delas é o que ela chamava de memória celular. Por conseguinte, se a Germaine 2 ainda estivesse a ver através dos olhos da Germaine 1, então teria, logicamente, ainda acesso à memória celular da sua predecessora. Tony achou-se um crâneo, por conseguir chegar sozinho a tal conclusão. Correu pela escada acima, abriu a porta com um empurrão e disse:

-“Pensei de repente em algo. Quando tu, a este corpo para ti novo, desceste... digamos... a minha mulher deixou para trás, nesse corpo, uma espécie de banco de memória. Quero eu dizer com isto que a memória celular de que ela havia falado, ainda está neste momento funcional?”

-“Temo que sim” respondeu Germaine. “A memória celular encontra-se de facto ainda neste corpo. E dela fazem parte tanto as coisas boas como as menos boas. Também o que ela não conseguiu acabar e os padrões negativos. Há ainda a acrescentar que eu também tenho as minhas coisas a por em ordem...

Pelo menos, podes dizer que se trata de um desafio interessante e que tens que prestar atenção a tudo a dobrar. Mas as coisas são assim mesmo. Eu suspeito que, quando começaste aquela formação de piloto, também tenhas aterrado uma realidade inospitavel que de facto pouco tinha a ver com os teus sonhos de menino, onde tudo houvera começado. Mas presististe...”

-“Nos últimos tempos, Victor falava disso, que tinha sido levado para uma das suas naves. Para mim isto é algo completamente do outro mundo, mas suspeito que para ti não seja estranho?”

-“Ele referia-se então a uma das 12 naves-mãe. E essas têm todas funções diferentes. Planetária, emocional, psicológica, experimental, activa nas pessoas... e ainda outras funções.”

-“Têm voçês também aquilo que é chamado de orgão de controlo, uma espécie de governo, digamos?”

-“Temos, de facto. A federação Galáctica. E todas as nossas naves estão sob a alçada desta federação. Mas também o planeta Terra faz parte desta federação, apesar de não estares ciente disto. O que pensas que Victor vai fazer duas vezes por semana, quando é levado. Mas atenção, neste momento já não é um menino, mas uma anciã alma sábia. Pensa nisso, no que a Terra no seu todo significa. A Terra foi desenhada para fazer mover as coisas – uma espécie de trampolim- para as realidade interdimensionais. Desta maneira, este planeta encontra-se perfeitamente situado no Universo. O planeta Terra é o que posso chamar de um planta total. Como uma espécie de biblioteca viva. Através da Terra temos acesso a outros mundos. Há seres que vêm para cá e que depois centrifugados em wormholes e catapultados para outros lugares. Isto aqui é um local único no Universo.”

-“Através da Terra tens acesso a outros mundos...” continuava a repetir Tony, como se tivesse algumas perguntas sobre isso... E foi aqui que Victor veio em seu auxílio.

-“Papá, tenta pensar num piano, aquela coisa com uma data de teclas brancas e pretas. Cada vez que carregas numa dessas teclas, ouves um som... um tom... mas se fores ver as cordas, vês que vibram. Na corda podes ver o que ouves no ouvido. Uma vibração... uma frequência. E cada tecla encontra-se ligada com uma corda diferente, que vibra sempre à sua frequência. Por conseguinte, quando queres ouvir um determinado tom, sabes, como um exímio pianista, precisamente qual a tecla que tens que carregar. E agora atenção... podes comparar cada tecla com uma outra dimensão, que, claro está, corresponde a uma frequência típica. Como um bom pianista, nós as novas crianças, estamos em estado de sem qualquer problema, passar de uma frequência para a outra. Sabemos precisamente qual tecla temos que pressionar. Claro que isto para alguém que... ainda não seja um pianista, é um pouco difícil de entender, que por simplesmente se pressionar uma corda, pode-se passar para uma outra dimensão. E é por essa razão que a Terra é para nós tão importante. Pois que para nós, este planeta Terra “nada mais é do que esse piano”... só que este instrumento tem urgentemente que ser afinado, para que quando alguém pressione uma tecla, possa produzir sons harmoniosos... de facto, isto é algo que já se sabe desde longa data, pois de onde pensas que vem a expressão: tocar alguém profundamente? O que acontece nessa altura? Alguém faz com que a outra pessoa entre noutra tom –frequência- por pressionar um certo tom escolhido de avanço... e desta espécie de pianistas, andam por aí muitos neste planeta.

No entanto, nem sempre as coisas são em harmonia...

 

Entretanto, Tony havia bebido a sua primeira cerveja e sem pressas, sentou-se no chão perto da cadeira.

-“Por conseguinte.. o facto de seres um exímio pianista dá-te confiança para assim sem mais nem menos, poderes falar seja com quem for, que para nós... quero dizer para mim, por exemplo, é totalmente invisível... ou que a tua mamã tenha os talentos de que há pouco falaste.

 

Victor aprecebeu-se de que aquela conversa muito mais seria do que a princípio aparentava ser. O seu papá era, na realidade o seu papá, e com ele havia sempre jogado limpo. Mas agora tinha a impressão de que tudo o que naquele momento se estava a passar com a sua família, não passava de nem mais nem menos uma espécie de ensaio geral para os momentos em que ele mais tarde ao outro público teria que dar a sua explicação. Um público que muito mais resistência ofereceria do que aquela que o seu papá oferecera. Isto significava que era importante, simplificar as coisas, em termos que as possoas possas reconhecer, pois que faziam parte do seu mundo real.

-“Penso que possa explicar isto muito facilmente. Pela tua experiência na aviação, sabes como um computador de bordo funciona. Sabes naturalmente nada de como a coisa funciona, mas presuponho que seja possivel, num desses computadores, guardar programas que contribuem para que o avião possa fazer certas coisas. Entre as quais detectar outros aviões que se encontrem no espaço aéreo das imediações. E suponho que o piloto tenha acesso a todos esses programas, pois que possui para tal as chaves, códigos ou palavras passe. Porque se não for esse o caso, então o avião, na melhor das hipóteses, só voaria em frente. Para estar certo de que compreendes isto, vou dize-lo de uma maneira mais simples. Imagina que tinha aqui em casa um computador normal. Um computador como muitos outros. No teu disco rígido tens 12 programas guardados. Mas ao que parece, no teu ambiente de trabalho apenas colocaste dois icones, pelo que apenas te possibilita a abrir dois dos doze programas. E mesmo tendo toda aquela informação no teu disco rígido, não tens –pelo menos por agora- acesso a ela. Pois que existem apenas, infelizmente, dois icones. As pessoas deste planeta têm doze cadeias de DNA. E estas correspondem aos doze programas de computador a que me refiro. Mas dessas doze cadeias, apenas duas estão activas. O que te restringe muito as possibilidades do teu computador pessoal. Não consegues, por exemplo, ir á internet, o que te impede de comunicar seja com quem for em todo o mundo. Nós, as crianças da nova era, não temos esse impedimento de ter somente duas cadeias de DNA! Isto significa que podemos conversar, sem problemas, com as entidades que partiram, ou com anjos, ou animais, ou árvores... Pois que o nosso computador não só tem os programas para tal, como também temos o icone que nos dá acesso ao programa que nos permite a, por exemplo, conversar telepaticamente.”

 

Tony tinha estado de boca aberta a ouvir falar o seu filhote. Ele próprio estava tão concentrado que não tinha notado que Germaine lhe havia tirado a segunda cerveja da mão e com ela estava ela própria a matar a sua sede.

 

-“Portanto” disse Tony, para ter a certeza de que ele tinha compreendido tudo, “portanto... as pessoas comuns deste planeta andam todas com um avião sem radar!”

-“Precisamente” disse Victor “por isso é que... tantas vezes se chocam.”

 

26. ‘Avatar’ ou a história da mensagem perdida

 

Roos e Germaine acenavam, juntamente com mais umas jovens radiantes, para os seus respectivos filhos à entrada da escola. Via-se que cada mãe achava o seu próprio filho o mais lindo. Germaine estava a observá-las, e nos seu lábios desenhou-se um largo sorriso. Isto foi devido ao facto de, para além das faces radiantes, também poder ver as auras destas senhoras. Roos dificilmente se podia separar de Mike, que mesmo naquele momento havia desaparecido por detrás do pequeno portão da escola.

“Vamos juntas beber um café?” perguntou Germaine com uma certa convicção na sua voz.

“Eu ía mesmo propor o mesmo”, disse Roos, enquanto já estava a estudar para onde seria melhor se dirigirem.

A apenas duzentos metros de distância, encontrava-se uma alegre esplanada já à espera delas. Sentaram-se todas perto umas das outras, de modo a poderem desfrutar do sol da manhã. O café foi encomendado e trazido e por momentos fez-se silêncio. Germaine olhava com grandes olhos para a sua cunhada, mas não proferiu uma palavra. Roos estava um pouco nervosa, pois que sentia que Germaine a tinha debaixo de olho por qualquer razão e após um grande suspiro, desembuchou.

“Não sei realmente qual a melhor maneira de começar pois que tenho muitas coisas para dizer. Primeiro que tudo, o Micky. Há tantas coisas que me vêm à cabeça sobre aquela criança, que eu me lembro de tudo. Depois o facto do seu pai não estar minimamente interessado nas histórias que Micky tem sempre para contar, pelo que sinto que os dois um tanto ou quanto se afastam um do outro. Até parece que o Fred evita as histórias pouco prováveis para me deixar a mim sozinha com a criança, e desaparece. Não me perguntem para onde, mas ele diz que vai passear, pois que precisa descansar a cabeça, tentar compreender as coisas... e mais dessa espécie de desculpas...

A Roos aqui calou-se por alguns momentos, esperançada que Germaine a ajudasse, mas esta ficou ainda mais, com aqueles olhos fixados, a olhar.

Entretanto, Roos tentava tirar a bolacha da embalagem, mas estava tão nervosa que a reduziu a um monte de migalhas que cairam no seu colo. Roos começou-se a rir desalmadamente, pôs a mão sobre a de Germaine, apertando-a ligeiramente, e fez, de seguida com uma voz acalmante, uma declaração, da qual sabia ser mais do que altura para o fazer.

“Gostaria de vos contar uma pequena história, que provavelmente acharão muito pouco credível, mas de qualquer maneira vou arriscar. Tenho, por assim dizer, toda a confiança de que a informação que nos últimos tempos me chega, as ajudará a compreender a minha história... Aproximadamente dois séculos atrás, vivia algures no sul da França uma pequena família. Um homem, uma mulher e uma menina adorável. O homem tinha, de uma maneira ou de outra, uma afinidade com a sabedoria dos Catars que por sua vez ali naquela vizinhança, haviam tido um triste e muito falado fim. Ele decidiu viajar pela região com uma carroça puxada por um cavalo, com o propósito de consciencializar um pouco as pessoas. Tudo no mesmo contexto do que os Catares haviam proclamado. Assim, acontecia que, por vezes ficava algumas semanas fora de casa. A sua mulher sofria de uma doença difícil de tratar dos pulmões e precisava constantemente de ajuda. Ela tinha que se manter sempre quente, mas um dia, durante uma daquelas viagens de seu marido, na sua, como ele muitas vezes dizia, missão, ela foi forçada a ir ao estábulo durante uma trovoada, para ir buscar madeira. Não obstante as recomendações da sua pequena filha, que lhe tinha pedido para esperar até que a horrivel tempestade amainasse. Resumindo, quando o homem regressou da sua missão, foi mesmo só a tempo de se despedir. Após o funeral, o homem ficou sozinho com a sua inconsolável filha e uns remorsos terriveis. Ele nunca se perdoaria de ter deixado a sua esposa durante tanto tempo e depois disso a sua vida não passava de uma grande amargura. Num dia, saíu de novo de carroça. A sua filha sentada ao seu lado. Ambos teriam que olhar pelo outro, mas sem qualquer esperança no futuro. Para o homem tudo aquilo era demais. Com uma forte chicotada obrigou os cavalos a um galope, dirigindo-os numa corrida louca para a berma do precipício. Um pouco mais tarde, a carroça com os cavalos, o homem e a menina cairam trinta metros abaixo, no fundo do precipício. Um mergulho a que nenhum deles sobreviveu.”

Germaine fez uma pequena pausa. Roos conteve a respiração pois sabia inconscientemente que a história ainda não tinha acabado. E de facto não tinha. Germaine continuou...

“Eu proponho que um destes dias vás falar com Fred, mas posso-te dizer desde já, que ele disse a verdade: ele está neste momento a tentar entender as coisas. Há uma coisa que eu te posso já dizer. Numa vida passada Fred era o homem de quem falava. A sua esposa e a sua filhinha daquela era, encarnaram uma vez mais, encontraram-se, e apesar de não se reconhecerem, como as pessoas que eram dantes, os três têm algo a tratar entre si. Isto significa que a solução deste dado cármico, algo é que tem de ser encontrado pelos três. E tu misturares-te nisso iria tornar as coisas ainda mais complicadas e mais difíceis. Mas não te preocupes, a vossa relação não sofrerá com isso. Somente tens que lhe dar algum tempo.”

“E isso para mim tem que bastar, penso eu?”

“Para ti tem que bastar. No que respeita ao Fred. Eu sinto que, uma vez que o teu marido não sempre está, e se põe aparentemente um pouco de parte no que diz respeito a Micky, que tu procures uma válvula de escape, no que diz respeito aos mistérios com que Micky se bate todo o tempo. Portanto: se tens necessidade de desabafar... força.”

Roos hesitava algo, limpava as últimas migalhas do seu colo. Dera um piparote um bocado desastrado à chávena do café e arrastou por último a sua cadeira para o fim da mesa pelo que as duas agora ficavam sentadas frente-a-frente.

“Naturalmente desconheço como é com o Victor, mas a escola para o Mike é um desastre. Sabias que ele até se consegue fazer doente. Parece que ele, quando não lhe apetece sair de casa de manhã cedo, pois que tem grande aversão por tudo o que se passa na escola, se consegue fazer doente. Quero dizer, mesmo doente, com febre, má disposição e vómitos. Doente de verdade. E então lá mandamos vir o médico que o deixa ficar uns dias em casa sem ir às aulas. Assim temos um atestado do médico para a escola... mas uma vez que o médico saia, e que Micky sabe que está livre do martírio da escola por alguns dias, fica logo de imediato melhor. A febre baixa para normal e uma meia hora mais tarde já está a pedir uma sandes que come com todo o apetite.”

Germaine deleitava-se com o relato. Ela alegrava-se significar algo para Roos, a não ser só escutá-la. Roos abriu a sua mala e tirou de dentro uma cartinha, a qual havia rasgado de um bloco de notas. Nessa carta haviam algumas palavras soltas que ela tinha posto no papel. Estava claro que ela havia esperado por esta conversa com Germaine e nessa óptica, havia anotado algumas coisas, para poder agora falar delas.

“A electricidade... O que é que era isto... Ah, sim! Certo. Quando estou na cozinha e o Micky vem para o pé de mim, então acontece que por vezes os aparelhos eléctricos começam a variar. Ou quando estou no computador, que a internet se desliga, e em alguns casos, o meu computador começa a fazer as coisas mais estranhas. Quando eu e o Fred temos uma discussão mais acerrada e o Micky se aproxima, as lâmpadas começam a apagar e a acender, como se houvessem falhas de corrente ou corrente a mais nos fios... E o que é que havia mais...”

Roos desdobrava o seu papelinho de novo e procurava o próximo item.

“O autocarro da escola... que grande tristeza... e ler um livro... Justamente, essas eram duas coisas que ele me contara um dia que havia regressado da escola no autocarro. Ele estava sentado ao lado de um rapaz de outra turma que ainda não conhecia. De repente, assim me contou ele depois, sentira que o rapaz tinha um grande desgosto. Ele contou-me que parecia como que se o rapaz fosse sair desta vida. Felizmente que Micky se sentara ao lado dele; e que houvera captado estas emoções escondidas, pois que começou de uma maneira descontraída a conversar com o rapazito e qual era o espanto? O seu vizinho aparentava ter as mesmas qualidades e talentos que o Micky, mas não podia falar destas coisas fosse com quem fosse.

Com este o problema resolveu-se e desde essa altura que são grandes amiguinhos. O rapazito vai de vez em quando lá a casa e vejo que nas últimas semanas tem evoluido bastante... e o que era a outra coisa...: ler um livro. Isso foi outra coisa que lhe aconteceu no autocarro da escola. Um dia ía ele sentado a ler um livro no autocarro. Atrás dele estava uma menina pendurada nas costas do assento também a ler o mesmo livro. Algum tempo mais tarde, Micky fechou o livro e pediu à rapariga para parar com aquilo, pois que o estava a incomodar. E sabes o que a moça disse? Mas eu não estou a fazer nada. Só estou a ler em silêncio contigo... Compreendes? Micky tinha uma vez mais apanhado os pensamentos daquela criança... Isto não são coisas normais.”

Nessa altura, Germaine, interpolou.

“O que tu não achas normal, é muito discutível. Pois que o que tu não achas normal, pode ser para mim a coisa mais natural do mundo. Porque é que pensas que te propus em virmos tomar café as duas? Não pelo café, mas...”

“Porque podes ler os meus pensamentos? Que coisa... tenho que ter cuidado com o que estou a pensar, quando tu ou o Micky estão por perto.”

“Prometo-te que nunca abusarei disso. Além do mais, nos últimos tempos tenho podido me isolar mais dessas coisas, por conseguinte não te preocupes. Mas é um facto que, muitas crianças têm essa capacidade de telepatia e que não sabem bem como lidar com isso. E posso-te dizer que cada vez há mais, portanto... Dentro em pouco, isto será algo que se pode considerar normal... Sabes que tenho a possibilidade de saber quando alguém me está a mentir? Para as pessoas que estão perto de mim e que têm uma energia má consigo, faço em pensamento um muro à minha volta, para me proteger. Por vezes vejo coisas, animais e pessoas que para outros não existem. Não há muito tempo, fui visitar alguém e reparei que havia na cozinha um lindo gato amarelinho. Disse à pessoa ‘mas que lindo gato amarelo que tem ali...’ Pelos vistos o animal já tinha morrido à umas duas semanas, mas ainda não tinha abandonado o seu dono... Ou o contrário... Uma vez comecei-me a rir desalmadamente, quando um velhote saiu da sua bicicleta e andou pela minha cozinha. Também fenómenos naturais, como uma forte tempestade com todos os predicados, têm sobre mim uma influência mais forte do que para uma pessoa comum. E tudo ainda fica mais intenso no caso de ser Lua cheia. Podes imaginar um pouco o que significa para nós para termos que lidar com o comportamento limitante, linear, hipócrita, enganador, egoísta e agressivo das pessoas que se aproximam de nós? Côres e sabores são para nós muito mais do que parecem. Tenho regularmente a companhia de anjos, devas, guias, orbs... entidades... e sinto a sua energia e na maior parte das vezes trabalhamos juntos. Os orbs estou quase que constantemente a ver. Também por cima da minha cama, onde por vezes vejo uma núvem azulada. Quando acordo de manhã tenho por vezes a idéia de ter viajado toda a noite... e isso é normalmente verdade. Eu sei que isto para ti e para muitas outras pessoas pode soar um pouco estranho e pouco provável... Mas para mim, estas coisas são normais... E, voltando às aventuras da escola que tanto o Micky como o Victor... a escola é uma altura muito difícil para estas crianças, não somente pelo facto de pouco ou nada aprenderem –a matéria deixa rapidamente de ser interessante-, e também não por toda a tristeza e a negatividade que processam dos outros meninos e dos professores, mas também pelo facto de terem um problema com autoridade. A autoridade só funciona quando se é alguém para com quem eles têm respeito, mas o que elas gostam de fazer e do que gostam de falar não é acessível para os professores, e já nem falando dos colegas te turma.

...O que respeita às novas crianças há que ter sempre em atenção que eles funcionam como uma espécie de antena. Uma espécie de esponja que absorve as emoções ao seu redor. Eles apanham também as emoções de outras pessoas, e nos piores casos, de uma sala de teatro, em suma de um local onde as pessoas estão juntas, e apanham tudo o que lá existe e que atormenta os presentes. E mais o maior problema é que estas crianças nem sempre sabem o que estão a apanhar nas suas antenas e apanham por assim dizer todas as coisas más dos outros. Depois de algum tempo começam a compreender, pois que de súbito ficam muito zangadas ou desapontadas ou tristes, sem que haja alguma razão aparente para tal. Uma vez que compreendam que de facto o problema não é deles mas das outras pessoas, podem começar a processar e a despejar esse lixo com o qual nada podem fazer.”

“Se eu compreendo bem, isto significa também que nós na presença das nossas crianças sempre temos que dizer a verdade... pois que uma mentira é coisa que facilmente apanham, suspeito eu... Mas interrompi-te, desculpa... continua, por favor!”

Roos estava a rever-se completamente naquela história. Inconsciêntemente, já havia compreendido tudo, mas as coisas que compreendera não estavam ainda no lugar certo... digamos... e para isso, a figura de Germaine era de um valor indescritivel. A Continuação de um tal bombardeamento de emoções, pode ser sumariada em três pontos. As crianças podem se fechar completamente dos ataques do mundo exterior e vão começar a agir como autistas, ou vão processar o excesso de pressão que em si se acumula, de maneira a tornarem-se hiperactivas e desta maneira poderem esgotar o excesso de energias indesejáveis. A terceira possibilidade é o paralisar de todas as emoções, através de drogas. Não é agradável dizer isto, mas neste caso os adultos, no nosso caso (nós) os pais, isto é uma responsabilidade muito grande. Pois que a Rilatina (ritaline) é e continua a ser uma droga receitada que a longo prazo tem efeitos nefastos para a criança no geral e em particular para os seus talentos especiais. Mas deve aqui ser dito que para os pais e para o pessoal docente das escolas, esta pareça ser à primeira vista a solução mais elegante. Pois que, desta forma, podem fazer com as crianças aquilo que lhes apetece. Uma espécie de terra de ninguém onde a criança, sem qualquer resistência, vai fazer aquilo que as pessoas esperam dela. Mas que pai, com um pouco de discernimento, e também de consciência, desejará esta solução para os seus filhos? Eu, em qualquer caso, não... Os medicamentos do estilo da Rilatina, não têm que resolver o problema. Faz-se aqui o pedido à nossa sociedade para mudar de rumo, para uma vivência onde, para começar, se dá ouvido aos sinais que nós recebemos das nossas crianças. E é imperativo se pensar numa outra educação e num outro sistema de ensino; que não seja direccionado para prestar e aprender. Mas que a brincar possa trazer algo para a formação da alma... E posso assegurar-vos que a Rilatina faz precisamente o contrário. Não é portanto de admirar que as crianças depois de verem o filme Avatar, e continuando-se a chocar-se com a incompreensão dos pais e dos professores, tenham tendências suicídas. Para eles não é fácil funcionar nesta sociedade, mas se nós como pais e aqueles que se consideram educadores não derem ouvidos à mensagem com que vieram, e que claramente foi levada à imagem num filme como o Avatar, então estas crianças desejam regressar a casa... como elas o normalmente chamam. Pois que lá não se encontram presas num corpo demasiadamente espartilhado e lá existe harmonia por todo o lado... e não existem egos aborrecidos que utilizam as crianças para a sua própria glória. Quando na realidade deveria de ser ao contrário.”

Roos sentava-se como uma estátua na sua cadeira. A sua boca um pouco aberta e de vez em quando piscava os olhos, para ter a certeza de que não estava a sonhar. Tinha na sua cunhada um militante como nunca vira antes. A Germainde que sempre havia conhecido tinha-se tornado talvez conscientemente, uma mente aberta, cheia de amor e um pouco estranha, mas parecia agora como se se tivesse tornado numa outra pessoa. Devido à sua abertura naquele momento, Germaine apanhara os pensamentos de Roos, mas decidiu não dizer fosse o que fosse. Ainda viria o tempo para tal...

“Não é fácil educar crianças e ao mesmo tempo aprender com elas; mas é uma experiência fascinante. As tuas próprias convicções sobre a realidade estão neste momento de cabeça para baixo. Desta maneira continuas a crescer com o teu filho.

Não obstante a sua luz interior, ele precisa de ti para encontrar o caminho na palpável vida do dia a dia, ou como eles dizem da “sua experiência” na “matéria sólida”. Cada um dos seus carácteres necessita de uma aproximação específica, mais ou menos severa mas dentro dos limites certos. Estou convencida de que existem muitas crianças como Michael e Victor. Elas esperam somente ter uma oportunidade para confiar num ambiente mais aberto, para que, desta forma, possam manter a sua ligação com a luz. Cabe-nos a nós criar para eles esse ambiente mais aberto...

Tendo a sua tenra idade em atenção, torna-se claro que as afirmações de Mickey compreendem uma sabedoria que não se adapta à da sua idade e um conhecimento que não é deste mundo.

Além do mais, tanto ele como Victor trouxeram este conhecimento e sabedoria como crianças da nova era, para dar a conhecer ao mundo, pelo que parece –como o Victor diz- a sua missão nesta vida.”...

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

27. Michael teve a pontuação máxima

 

Subitamente, as coisas começaram a acontecer muito depressa. Após alguns dias, por exemplo, Roos foi chamado à escola, porque a professora queria falar do menino querido, que, por sinal, aparentava ter uma visão apurada do mundo. Pelo menos a julgar pela redação que havia redigido. Durante a aula, a professora falara sobre o fenómeno das ‘parábolas’ e havia lido algumas, como ilustração. A parábola do semeador e a dos cinco loucos e das cinco virgens, fizeram despertar no rapazinho uns quantos comentários. Pouco lhe custou até que inventasse ele próprio uma parábola, que deixava muito a desejar à clareza. Após algumas generalidades respeitantes aos talentos especiais de Michael, a professora começou a ler a redação:

 

A Parábola do padeiro do coração...

 

“Era uma vez um padeiro, do qual se dizia que podia fazer um bolo que, a quem o comesse, nunca mais ficaria doente e que, instantaneamente, dava boa disposição para um ano inteiro. Ele havia herdado a receita de seu pai, que se chamava Jefke, e que também havia sido padeiro. Este, por sua vez, havia herdado a receita também do seu pai.

 

Resumidamente: a receita aparentava ser secular e teria tido origem no primeiro de todos os padeiros que alguma vez pisaram a terra. Era de uma época onde, no nosso planeta, ainda nunca se houvera falado de doenças.

Num belo dia, o filho de Jefke fora colar prospectos por toda a aldeia, onde constava o dia em que ele daria a todos os aldeões a receita do seu super bôlo. E assim aconteceu.

 

Não somente da própria aldeia, mas assim como também de aldeias vizinhas, e mesmo da capital do país, veio gente para saber como podiam fazer para nunca ficarem doentes e estarem bem-humorados durante todo o ano.

 

Naquele dia, o filho de Jefke havia dado um longo passeio pelo bosque e pelos campos, para se acalmar, como preparação para o grande acontecimento. Havia também trazido todas as espécies de especiarias e flores e sementes do bosque, e havia, repetidamente, perguntado às árvores e às plantas, se lhe davam permissão para colher e levar consigo aquelas especiarias, flores e plantas. Ele agradecera também às plantas, tocando-as suavemente, como se as acariciasse.

 

Esta maneira de agir era necessária, para que as especiarias, as flores e as sementes

surtissem o seu efeito curativo na eficácia do bôlo.

Por fim estava tudo a postos. Ele falara às pessoas numa voz suave, mas todos o podiam ouvir, pois que se podia ouvir uma borboleta a voar. Com muito amor e paciência, explicara como atingir o feito da preparação daquele bolo maravilhoso. Ele frisara que era necessário manusear os ingredientes com a maior das doçuras, pois que, de contrário, o bôlo não faria qualquer efeito.

 

Toda a gente escrevera com grande empenho todos os detalhes, e acabariam por, em

casa, por tudo na internet, para que, desta forma, todo o mundo estivesse a par da maneira como agir com as coisas, tendo como finalidade nunca mais ficar doente e sempre estar bem disposto.

E as pessoas estavam tão empenhadas em divulgar tal mensagem de regozijo, que não lhes sobrava tempo algum para fazerem o seu próprio bôlo. Algumas imprimiam a receita e vendiam-na na praça do mercado em frente à igreja. Outras estavam tão deliciadas com a postura generosa do filho de Jefke que puseram uma foto dele junto à chaminé.

Era uma linda foto, ele sorria e fazia umas covinhas nas bochechas. Tinha uma mão à

altura do bolso da camisa, como se disesse que vinha tudo do seu coração. Algumas

pessoas compraram até flores no mercado para enfeitar a sua foto. Outros, até acendiam velas perto da sua foto, em agradecimento, por o filho de Jefke lhes ter oferecido a receita secular do bolo mágico. Publicaram-se tantos livros sobre a famosa receita, que fora necessário devastar bosques inteiros para se poder conseguir madeira suficiente para produzir todo o papel usado para nos livros. Em toda aquela azáfama, as pessoas nem se aprecebiam que, não só não conseguiam reunir as especiarias, flores e sementes necessárias, como também, se assim continuassem, nunca poderiam fazer um tal bolo, pois que, no seu fervor, muitos bosques haviam sido destruidos e muitas florzinhas pisadas, pelo que só um ou outro conseguia reunir o necessário para meter um daqueles bolos maravilhosos no forno.

 

O outro padeiro da aldeia via, com apreensão, como a popularidade do filho de Jefke

crescia, e, em conjunto, com outros padeiros de aldeias vizinhas, procurou uma maneira para por um termo aquela situação. Finalmente, não encontraram melhor solução que, em conjunto, irem ter com o filho de Jefke, surpreende-lo na padaria e darem-lhe uma tareia, deixando-o gravemente ferido de morte.

 

Nesse mesmo dia, foi descoberto o corpo sem vida do filho de Jefke. A polícia veio, assim como os fotógrafos, repórteres da imprensa, que com grande avidez e por muito dinheiro, venderam as raras fotos na praça do mercado frente à igreja.

Estas fotos acabariam por ir parar em cima das lareiras das pessoas onde, outrora, havia estado a foto do rapaz sorridente com covinhas nas bochechas. Mas agora as pessoas achavam uma honra ter em seu lugar uma foto do corpo destroçado, que adornavam com um ramo de flores. Não se ficava contente ao ver uma tal foto, mas o filho de Jefke havia dado a sua vida por uma boa causa.

 

Algumas pessoas punham a receita do bolo ao pé da foto, como se fosse uma espécie de relíquia... no entanto, após alguns anos, poucos eram os que ainda sabiam como seguir a receita. A receita que tinha como finalidade libertar toda a humanidade de doenças, e oferecer alegria. Alegria... daqui até ao fim do nosso universo.

 

Mas não se entristeçam, pois que uns meses mais tarde, a mulher do filho de Jefke deu à luz uma criança que, depressa, sem que alguém a ensinasse, fazia bolachas na caixa de areia nas traseiras da casa. Bolachas que decorava com flores, ou grãos, que, como se fossem bolinhas decorativas, e com grande cuidado, espalhava nas suas bolhachas de areia.”...

 

Por momentos, fez-se silêncio na pequena sala de aula, quase vazia. A professora pousara os papéis na mesa, tirara os seus óculos da ponta do nariz e colocara-os no estojo. A Roos procurava um ou outro comentário sábio para dizer, mas, após uma tal mensagem da mão do seu filho, envergonhava-se não dar ao silêncio instaurado uma oportunidade. O seu coração enchera-se de um sentimento de grande orgulho. A professora foi a primeira a tomar da palavra: “Eu acho que talvez algo deva ser feito”, disse, cuidadosamente. “Se uma criança assim, desta maneira inspirada, expõe a crença católica, só pode ser porque a inspiração para tal lhe foi dada por forças sobrenaturais... se compreende o que quero dizer.” A Roos compreendera perfeitamente. Ela estava até muito contente com aquela reação da professora. Isto poupou-a de dar toda a explicação a respeito de Michael e do seu priminho, Victor; pois este também tinha as suas artes...

 

A professora continuou com o seu raciocínio verbal...: “muito francamente, esta criança desperta algo em mim, com que me debato faz tempo, aquando tinha a sua idade e que aprendi a esconder, sob influência da minha educação. Estou muito grata por ter uma criança assim na turma. Ele acordou-me de novo. Caso não se oponha, gostariade partilhar a “parábola” com outros professores. Não com todos, penso, pois que nem toda a gente pensa como eu... Algum tempo atrás, ele aproximou-se de mim no recreio e propos-se a dar-me um grande abraço. Quando me tentei fazer pequena e pus os seus bracinhos em meu redor, ele disse-me, sussurando no ouvido: “vai correr tudo bem; só tens que fazer a escolha certa...”

 

Este foi, por assim dizer, um dos poucos momentos em que Michael, durante o recreio, não subiu à árvore.”

 

-“A sua árvore?” ecou a Roos com alguma insistência.

 

-“Sim... geralmente, durante o quarto de hora de recreio, podemos encontrá-lo numa

das árvores em redor do recinto. Ele escolheu uma que se vislumbra no recinto o mais

afastado das outras crianças. É perfeitamente seguro e ele pediu-me autorização para tal.

 

 

Ao princípio não compreendi logo qual a intenção, mas tenho-o observado de vez em quando e ele aparenta ter criado algo mais do que um laço afectivo com aquela criatura.

Entretanto, compreendi que a sua sensibilidade actua de diversas maneiras, pois que aparenta evitar ou canalizar os estímulos que recebe de outras crianças através da árvore.

Eu sei precisamente do que estou a falar. Quando era criança, sentia-me sempre na escola como se fosse um bebé desnudo num campo de cactos. Temo que para algumas destas crianças ainda seja mais doloroso. Eu diria, usando outra ilustração... que sinto que existe um número incontável de Fénixes a renascer das cinzas, mas que, na sua fuga, por vezes atribulada, se despenham na lama do nosso mundo. Penso ser a nossa tarefa: poupá-los deste futuro desolado. Penso que temos que nos empenhar em algo... o que é ao certo, não sei ainda, mas, caso tenha idéias, que venham elas!

 

 

 

 

 

 

28. Ater Tumti, ou, por outras palavras: Roma Amor!

Para Germaine, passaram-se alguns dias sem acontecimentos de relevante importância, e Toni ausentara-se por uma semana. Havia um número de vôos de longa duração programados, e isso significava que ele regularmente tivesse que passar algumas noites nos mais diversos locais deste planeta. Havia ainda um número de vôos nocturnos, o que significava que ele precisava ser deixado em paz, aquando regressasse, isto traduzido de uma maneira eufemística. A Germaine aproveitava a ocasião para preparar uma ou outra coisa para a palestra que desejava dar em escolas, com o fito de “despertar” uma ou outra coisa, caso não estivessem ocupados a decorar coisas. Para ela tudo aquilo era fácil, e quando entabulava uma conversa com Victor, entendiam-se às mil maravilhas, mas agora tinha que ter em atenção o facto das pessoas que viessem ouvi-la poderem ser completamente ignorantes na matéria e, muito provavelmente, seriam muito criticas e cheias de comentários cínicos. Ela teria que ganhar a sua atenção com algo que pudesse interessar a todos. Decerto, não falar à toa, mas apresentar factos e considerações cientificamente fundamentadas. Se se quiser por uma criança numa mesa, para que fique da nossa altura, temos que nos curvar primeiro ao mesmo nível que a criança, a fim de a podermos pegar...

Ela sentou-se em frente do computador, abriu o Youtube e escreveu sem ver, três letras ao acaso do teclado... M.A.T... e “enter”!

A primeira coisa que encontrou foi: Matias de Stefano: a revolução Indigo. Mas aquela era apenas uma das muitas entrevistas que este rapaz havia dado nos últimos anos. Outros filmes onde o Matias aparecia, tinham como subtítulo: “Ater Tumti” (o céu na Terra), “Roma Amor”, Total recall by Indigo Matias de Stefano”, “Hablando de todo” , “vivir en el universo”,... e “Harwitum”...

Germaine sabia que estava no bom caminho. Mesmo falando o Matias, geralmente, Espanhol, ela tinha a certeza de que algo se anunciaría de maneira a que ela o pudesse entender completamente. E assim aconteceu. Ela escreveu o nome completo de Matias de Stefano e ‘Nederlands” e.... falando de “enter”, apareceu uma página onde havia algo do rapaz em Neerlandês. “Nieuwetijdskind.com”. Podia ter sido pior. Pois, ao que parecia: nesta página, uma tal de Cassandra parecia possuir grande coragem e tinha feito uma tradução para Neerlandês do Ater Tumti. Muito obrigado, Cassandra! Visto a Germaine estar interessada em escolas, e considerando que o termo “indigo” gozava de alguma popularidade, pareceu-lhe ser a explicação de Matias a solução perfeita para fazer uma introdução às novas crianças.

O que sabia ele contar dos “indigos”, que tivesse algum conteúdo científico, e, ao mesmo tempo, fosse acessível ao ouvido da média das pessoas...

 

Matias falava que... “se um nível de energia no nosso planeta muda, isso vai vibrar de uma outra forma. E... se a vibração se tornar diferente, isso faz mudar também a côr respeitante. Pois que cada frequência corresponde a uma certa côr. Com a música acontece o mesmo. Existem crianças que, ao ouvirem música, vêm também as cores. Mas estavamos a falar do nível de vibração do nosso planeta. Isso é responsável pelo aparecimento de côres diferentes, dependentes do “calor” que a respectiva frequência causa. E todas as almas que naquele momento encarnam na Terra, têm que se adaptar aquela côr. E a côr da nossa Terra agora é, por conseguinte: Indigo!

Hoje em dia toda a gente conhece as crianças indigo, mas, as crianças indigo não são um grupo de almas que vieram para ao nosso planeta vestidas de indigo, ou que pertencem a um determinado nível espiritual. São simplesmente novas almas que, durante este período vieram à Terra para nela trabalhar.

A fim de poder nascer na Terra, precisavam de ter a côr indigo, para assim estarem aptas a exercer a sua influência sob as vibrações da Terra. É portanto necessário desmistificar todas as histórias sobre estas crianças especiais que existem por aí em inúmeras publicações, sobre o facto de apenas uma parte das novas crianças serem indigo. Não se trata das crianças mas da Terra que vibra na côr indigo. E o que quer dizer a côr indigo? É a côr da terceira visão. Esta côr está relacionada com a transmutação e as almas vieram para exercer a sua influência da maneira mais apropriada a cada uma delas. Se os seu contexto é agressivo ou passivo, elas criam mudanças mediadas por agressividade e por idéias inovadoras ao nível familiar. Elas conseguem tudo isto através da sexualidade, política, vandalismo, arte, despego e fraternidade mas também através de amor puro ou obsessivo. E elas irão mudar tudo, pois que é essa a sua missão, mudar as coisas para mudar o contexto tal como seja necessário.

Elas mudam também a visão sobre tudo o que existe, transformam essa visão, criam idéias. Por conseguinte, trabalham nestes níveis, criatividade e idealismo e mudam-nos. Portanto, tudo o que nasce na Terra começa a mudança.

Estas mudanças acontecem de maneiras diferentes, através de agressividade, conflictos entre populações, mudanças radicais violentas ou serenas. Através da acção e da passividade, ambas são muito úteis para o universo. Esta vibração faz com que tudo o que venha de novo ao planeta, vibre consigo.

Cada alma que veio à Terra quando a cortina de ferro se abriu nos anos 80, tornou-se indigo. Isto significa que cada árvore, pedra, animal e pessoa que nasceu após 1980, já é um indigo. É um grupo especial. O “grupo” que é considerado como especial, encontra-se dependente do nível de vibração que adquire quando vem à Terra, não porque estas crianças são indigo, mas pela capacidade que possuem aquele nível é o que de facto torna cada ser humano único. Esta é a razão pela qual alguns dos indigos são guerreiros, outros artistas, alguns completamente pacíficos e outros negando tudo. Por exemplo, não é necessário que sejam crentes en Deus ou que falem do universo, somente por serem indigos. Indigo é uma vibração que muda; um indigo pode mudar a economia ou a política sem ser crente em Deus.

Não tem, por conseguinte, nada a ver com espiritualidade, mas com vibração. A classificação das almas tem a ver com a vibração e o seu número depende do seu tipo de visão. Eles combinaram todos o que querem conseguir neste mundo, mas a única coisa da qual estão dependentes é que os adultos não se preocupem tanto com o seu bem-estar e a sua educação. O melhor a fazer com estas crianças é esqueçe-las e começar a escutar a si próprio. As crianças de cristal, ao contrário dos indigos, são criaturas que remontam aos níveis Cristãos... elas são os cem mil pequenos Cristos que vieram para cumprir a missão do amor incondicional. E essa é a geração que veio após o ano 2000. As almas que são mais espirituais, são as crianças de cristal; elas vieram como um grupo de Avatares, como são hoje em dia chamados.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Matias de Stefano

 

Este é um grupo de almas que veio para trabalhar em harmonia espiritual. Isto significa, uma espiritualidade que não tem por si que ver com Deus e os anjos, mas com a harmonia das comunidades e das pessoas a que elas pertencem.

O problema da nossa sociedade é que não sabemos o que fazer com estas crianças indigo. Fechamo-nas na escola, deixamo-las destruir o mundo? O que devem fazer os adultos com estas crianças indigo e o que devem fazer as crianças indigo com os adultos?

As crianças indigo vieram para mudar o que podem mudar e elas começam do princípio, onde vemos pouca acção. O que para eles é passividade é parar o fluir, o movimento que ainda está em marcha; isto parece ser o contrário do que se espera de uma revolução indigo. A idéia de criar algo de novo não é a primeira reacção de um indigo. A primeira reacção é sentar-se e fazer nada que mantenha o velho sistema em andamento. Portanto, criar uma lição e uma vivência para um indigo, é muito difícil. Isto é algo que os adultos devem aceitar nos próximos dois decénios. Quando as pessoas começam a ver que cada tipo de sistema de educação que tentam –seja de que tipo for- falha, pois que os indigos não vieram para ficar aqui, então a vibração irá mudar, tal como é a finalidade.

Então, a maneira de agir é deixá-los executar a sua creatividade na mudança, da maneira melhor que pudermos. A mensagem é ser flexível, flexível para com a sua geração, para com as suas criações e para com o seu trabalho no planeta Terra. A fim de concretizar isto, é necessário expurgar o sistema de educação como o conhecemos de seu trono, o qual é baseado em memorizar, competição, abuso de autoridade, falta de criatividade e imaginação. O novo sistema deveria ser baseado em emoções, o que se aprende através de experimentação e descoberta.

Isto é a melhor adaptação à vibração de um indigo, pois que não possui qualquer sistema que regule o processo de aprendizagem de um indivíduo directamente. Trata-se de um sistema vasto que aceita todos os tipos de outros sistemas, velho, novo ou futuro. Proporciona um alargamento da visão do ensino que vai mais longe do que ensinar. É direccionada para a integração do Homem, tal como nasce até que morre. Proporciona oportunidade a todos os sistemas pedagógicos para colaborarem e discutirem, não no que diz respeito a construir uma nova escola, edifício, mas a criar uma nova maneira de aprendizagem. Vai mais longe do que cada um de nós poderá fazer neste sistema. Esta é a razão porque nós, indigos e cristais, aparecemos: para aprender e ajudar outros a aprender e nada mais. E o que aprendemos dos ecosistemas? Uma visita a um bosque ou com uma foto num livro? O que aprendemos sobre o uso do nosso corpo? Dançar e brincar ou num livro de escola com palavras difíceis? Como aprendemos uma língua? Escrever e ler e comunicar connosco mesmos e com um grupo. Como aprendemos o teorema de Pitágoras? Aprender a fórmula de cor, ou fazer como Pitágoras fez? Sabemos que a Terra gira em redor do Sol, mas alguma vez olhamos para o céu para tentar compreender o porquê? Por conseguinte, aprender, acontece na prática, não na teoria. A teoria é somente útil para a compreensão de uma parte. Existem particularidades que podemos utilizar para trabalhar com uma criança indigo: para acompanhá-los na realização da sua missão, em tudo o que aprendem que seja matéria de aprendizagem, por exemplo, coisas que têm de fazer em casa ou na escola ou na comunidade, têm que ter efectivamente um propósito. Não devem aprender coisas sem significado, como o nome de cada osso do corpo, cada elemento numa célula ou séries numéricas difíceis. Nós somos criaturas (indigo/cristal) provenientes da 6a à 13a dimensão, a fim de tentarmos promover a 4a e a 5a na 3a. Se nos fecham numa sala de aulas pare fazermos séries numéricas da 2a dimensão, quando estamos a fazer coisas a partir da 5a dimensão, então tudo se torna difícil. Por conseguinte, tudo o que nos é ensinado, tem de ter utilidade na vida quotidiana, pois que, na realidade, é isso o nosso trabalho, no qual todos temos que nos aplicar.

O mundo pode ser visto a partir da 4a dimensão, ele é largo e redondo para todos os lados. Sendo assim, usar um quadro de escola para passar informação não é a melhor maneira; melhor seria usar as paredes; é um utensílio, todas as crianças escrevem nas paredes. O que menos utilizam é o quadro escolar. Também devem aprender que não devem ter medo da natureza, do escuro, da trovoada e do vento... isto ajudá-los-á substancialmente na integração das coisas.

 

 

 

O mais importante é claramente os pais e os professores. Estes são os primeiros que deverão mudar a sua visão, os primeiros que têm que quebrar as suas idéias sobre sociedade. Isto significa que os pais deverão parar de serem pais. Os pais deverão começar com o acompanhamento. Acompanhamento na vida, não nos dizerem o que tem de ser feito e porquê. Eles deveriam nos aconselhar sobre o que podemos fazer de melhor, na realidade, devem ser os nossos guias, os nossos ajudantes. E o mesmo se passa com os professores, que não têm de ser alguém que nos diz o que devemos aprender. Um professor deve ser alguém que aprende connosco, um companheiro de estudo. Alguém com quem se pode discutir e não interessa o quanto é que sabemos do assunto, pois que existe sempre algo de novo para descobrir. E isso deveria ser aprendido em conjunto...”

A Germaine foi afastada da sua concentração por umas batidas suaves na janela atrás de si. A Roos ali estava com um grande sorriso, quase como se fosse uma criança a acenar e aos saltos. Quando a Germaine abriu a porta da frente de uma vez só, foi envolvida num grande e intenso abraço. A Roos apertou a bochecha contra a da sua cunhada e suspirou-lhe com excitação: penso que não é por acaso que somos família. Penso que devemos juntar as nossas peças do puzzle... e veremos então o que alcançámos. Temos que trabalhar mais em conjunto. Adicionei, por acaso, ainda hoje, um cúmplice à nossa lista. A professora do Michael está connosco também. Não é fantástico?! E tu, o que estavas a fazer?

 

29. “Ainda te recordas, rapaz…”

 

A Roos e a Germaine haviam estado juntas apenas uns minutos e havia já uma magia no ar. Daqueles momentos em que se sabe que nenhuma expressão é sem propósito, que nenhuma palavra é demais, nenhuma emoção a evitar, nenhum pensamento considerado sem valor.

A Germaine tirou uma garrafa de água da prateleira e pôs dois copos na mesa, enchendo-os até às bordas...

“Imagina, começou... imagina que havia uma explicação para todas as grandes perguntas da humanidade, para tudo o que acontece. Uma explicação que unisse a ciência e a religião, de forma que tudo explicasse, física e espiritualmente. Perguntas do estilo: Como funciona o universo? Existe o bem e o mal? Sabemos mesmo tudo da história da humanidade? Como apareceram as pessoas? Existe um Deus? O que é a alma? O que significa um ano como o de 2012 para nós e para todo o universo? Quem são as crianças Indigo? Houve mesmo uma Atlântida? De onde é que vimos? Para onde vamos? O que é o propósito de tudo?

Em resumo: um somatório de conceitos básicos sobre a nossa existência, como aparecemos, como funciona esse contexto, a verdade e estrutura das coisas que pensamos entender sobre a grande importância de algumas coisas que negamos na nossa vida.

Pois bem, imagina que alguém começa a lembrar-se da concepção do universo. Começa a lembrar-se de pessoas e criaturas, começa a lembrar-se de missões e propósitos e da estrutura daquilo que chamamos de universo...”

A esta altura a Germaine parou um momento. A Roos, havia-se sentado sem ela dar por isso, pegado no seu copo de água com a maior das cautelas, mas estava tão entusiasmada com as palavras de Germaine que se sentara ali imóvel, com o copo a uma distância de 1 cm da superfície da mesa. Nenhuma gota se havia perdido. Germaine pegou também no seu copo, com ambas as mãos e proferiu uma palavra de gratitude, por tudo o que se passava na sua vida. Também pelo copo de água e pela amizade pela Roos.

Depois disso continuou o seu discurso...

“Na internet pode-se, entre outras coisas, encontrar uma foto de Jacques Brel, que foi feita de pequenas fotografias de Brel, ou de momentos que ele passou na sua vida. Todas aquelas pequenas fotos formam numa espécie de collage (uma espécie de mozaico) a cabeça do “Grande Jacques”. Se uma daquelas pequenas fotografias fosse eliminada, o todo modificar-se-ía. O mesmo aconteceria se fosse adicionada outra pequena fotografia. Consideremos que esta collage consiste numa biblioteca visual de toda a vida de Jacques Brel, tal como o conhecemos. Mas visto que, entretanto, estamos convencidos de que nós, assim como ele, passámos por um número incontável de outras vidas, compreendemos de imediato que de cada uma das outras vidas também existe assim uma collage. Para um mortal comum não é possivel passar um par de páginas do seu livro de fotos para o passado, para assim saber, o que se passara nas vidas passadas, coisas que talvez lhe pudessem dar uma explicação sobre outras coisas e emoções ou medos que se tenham manifestado nesta vida. Pois bem, tenho boas notícias!

De há um par de décadas para cá, poucos mortais comums restam. As novas crianças, devido ao facto que cada vez melhor proveito tirarem do seu DNA, têm a possibilidade de passar as páginas cada vez com mais facilidade. Algumas até fazem isso nos albúns das outras pessoas, e podem assim sem qualquer explicação, ou propósito, dizer coisas que fazem os comuns mortais ficar boquiabertos...

E as boas notícias é que cada vez a coisa melhora mais. Eu tomei conhecimento de um ser humano que de tudo se lembra!! Mesmo de tudo. E isso acontece porque ele numa vida passada trabalhou nas Crónicas de Akasha. O que se pode comparar com um disco rígido gigantesco, onde todos os álbuns de fotografias de tudo e todos estão guardados... Este rapaz descreve esta biblioteca como sendo a ‘coluna dorsal de Deus’ e é chamado na lingua Sayonica de “Thamtiorgah”.

-“E o que significa isso?”... perguntou Roos...

-“A origem desta língua foi em 9000 AC e foi concebida por sacerdotes que viviam na presente costa Egípcia, para que todas as pessoas de todas as línguas, culturas e religiões se pudessem entender num país livre. Por se lembrar desta língua é para Matias mais fácil de se recordar de coisas e de as localizar no tempo presente. A história do cosmos é certamente mais extensa do que 9000 anos...”

“Se aquele rapaz, o Matias... se lembra de ‘tudo’, então também se lembra porque escolheu vir à Terra.”

-Penso que sim. Sumariando numa única frase: ele deseja explicar um número de coisas de uma maneira simples –entre as quais acontecimentos históricos- para assim por termo aos mitos que causa medo aos homens...Um grande número de crianças que nasce nesta altura, tem a capacidade de se lembrar de coisas, mesmo não se lembrando de tudo, mas das mais gerais. Podem lembrar-se das suas vidas passadas, de onde vieram de qual estrela, porque nasceram, etc... Mas ele pode lembrar-se da maior parte das coisas da história, da cosmologia...

“E como se chamava então a coluna dorsal de Deus?”

“Akasha”... É uma palavra que tem origem no Sanscrito e que significa uma existência onde todas as situações e acontecimentos, emoções e acções de uma criatura são guardadas. Mas também da história do planeta e de cada ser vivo. Na Akasha encontra-se guardado o propósito da vida, o programa do nosso destino, de acordo com a lei do karma e as nossas aprendizagens. E numa vida passada, era a sua missão trabalhar com uma grande quantidade de informação, e essa é a razão pela qual ele não precisa fazer grande esforço para se lembrar das coisas. Muitos que começam a lembrar-se em tenra idade podem desenvolver autismo, esquizofrenia e podem mesmo morrer antes de fazer 13 anos, disse ele. Mas como ele sabia como trabalhar com aquela informação, recebia mais e mais informação, apesar de começar a sofrer entre o 13° e o 17° ano de idade. Mas ele conseguiu controlar e ordenar tudo aquilo.”

“Fantástico como as coisas são planeadas. O mais que eu me apercebo do que se passa à nossa volta, o mais que começo a crer nas palavras de Mickey, quando diz que temos que ter confiança, e também maior a gratidão que sinto por todas aquelas crianças que neste momento, em condições longe das favoráveis, vêm fazer o seu trabalho...”

A Roos acreditava no que dizia. Sentara-se em silêncio a olhar para o ecrã do computador de Germaine, e proferia assim sem mais nem menos as palavras proféticas: “Sabes que o funcionamento da presente tecnologia, no geral, e do computador, em particular, muito brevemente será utilizado para clarificar aqueles que ainda não estão despertos, o que se está a passar connosco...”

Ela captara de imediato a atenção de Germaine. Após um grande silêncio, a Roos alinhou os seus pensamentos e clarificou a sua equação.

-Se, por exemplo, criares um documento Word no teu computador, podes ler nele sem problemas, tudo o que lá escreveres. Lê-se como se de um livro se tratasse... são palavras umas a seguir às outras. Frases, capítulos...

Mas se quiseres abrir um destes documentos Word sem teres o programa Word, então não o consegues fazer. Na melhor das hipóteses, aparece-te uma espécie de escrita misteriosa, que mais se parece com uma formula matemática. Não sei como posso descreve-lo melhor, mas a propriedade linear que é tão caracteristica da nossa maneira de conversar e comunicar, baseada na língua e palavras, não mais se pode encontrar. Os programadores poderão tentar decifrá-lo mas para os comuns mortais, como tu os chamas, não há maneira de comunicar desta forma. Nos últimos tempos estou mais convicta de que as novas crianças –por assim dizer- já lhes basta aquele icon de um daqueles documentos Word, para poderem receber a verdadeira mensagem. Uma transferência de informação que no seu caso se pode chamar tudo menos linear. Sem palavras. Por isso algumas dessas crianças, somente por pegarem num livro e concentrarem-se, podem dizer do que o livro se trata... Eu até me atrevo a dizer que o fenómeno dos sentidos, como nós o conhecemos como pessoas, do ver e ouvir, sentir e cheirar, de repente se torna fútil pois que estas crianças não somente com os seus sentidos mas com todo o seu corpo, vêm, sentem, ouvem e cheiram. Li recentemente de uma senhora que de olhos vendados, foi colocada com os pés desnudos em cima de um jornal e começou a debitar os capítulos, tal como estavam impressos no jornal... Não à muito tempo atrás, numa das nossas caminhadas nos bosques, o Mickey ficou de repente muito concentrado. Pôs a palma da sua mão direita no chão e andou um par de passos para trás. Como se estivesse a rastrear o solo. A um certo momento, pôs-se de joelhos, remexeu um pouco nas folhas com a mão e tirou uma pedra com as palavras: esta é precisamente a pedra que procurava para afiar a minha faca... Acontecia que ele por vezes começava a contar coisas das quais dizia que só tinha que as contar...

Mensagens do meio ambiente, por assim dizer. Talvez mensagens para o mundo...”

 

A esta altura, a Germaine tomou a vez da cunhada.

 

“Mas agora estás a falar do que, em linguagem comum se chama: canalizar. Para a maioria das pessoas isto ainda é algo considerado misterioso ou impossivel, mas, se formos a ver, trata-se de um excelente método onde as fontes multidimensionais, que muitos entitulam de Deus, comunicam com a raça humana. Eu atrever-me-ia a chamar este processo uma forma de comunicação espiritual. Uma comunicação que é uma extensão daquilo que chamaste de “não-linear”. A pessoa em questão, que canaliza, não tem de qualquer forma uma percepção daquilo que se vai passar. Pode conceber-se como sendo uma passagem sem quaisqueres filtros próprios. Algo que ao princípio não é assim tão evidente e que requer bastante prática...

A consciência humana é complexa. Um dia virá em que a ciênçia considerará a consciência humana como um ramo da física. Tal é devido ao facto de não seguir os conhecidos padrões lineares da física. A consciência é uma energia sincronizada com estrutura. Não te esqueças que todos nós estamos em estado de comunicar em dimensões múltiplas. Mas a maior parte ainda não tomou conhecimento disso. Existe naturalmente uma grande diferença entre a comunicação linear e a não-linear...

Imagina uma máquina de dactilografar muito antiga. Uma máquina onde o papel ainda tem que ser voltado e tem uma fita que permite a que as letras sejam imprimidas no papel quando se dactilografa.

Imagina que a máquina de escrever empana de uma tal maneira que passas o dia todo a dactilografar mas o rolo mantém-se imóvel. Não interessa quantos caracteres dactilografas, a única coisa que obténs é uma mancha de tinta ilegível. Cada caractere sobrepõe-se a um outro. Por conseguinte, o que é que obténs no fim? Uma grande mancha de tinta! Todos os caracteres estão empilhados em tinta e não farias uma mínima ideia do que houveras escrito.

Imagina agora que alguém aparece com capacidades de comunicação não-linear. Essa pessoa estaria em estado de ao ver a mancha de tinta, poder ver claramente toda a mensagem! Pois que são conceptuais e não-lineares. Eles podem ver os pensamentos por detrás da mensagem e estão em estado de poder ver o interior da mancha de tinta. Não te esqueças que os caracteres e as frases ainda lá estão. Escreveste-as todas mas não de uma maneira linear. Em vez disso, todos os caracteres formam juntos um grupo, um única mancha. Alguém que esteja em estado de comunicar não linearmente, poderá compreender toda a mensagem daquela mancha. Tal como certas crianças de hoje em dia, com um simples gesto da mão, conseguem ler um livro completo... O teu exemplo de há pouco, a respeito do documento Word e a leitura do icon, não foi assim tão mal escolhido.

Quando uma pessoa conceptual, não-linear, olha para uma mancha de tinta, olha para algo que já existe. Uma mensagem que foi escrita. Por conseguinte não inventam ou tentam adivinhar o que nela se encontra. A única coisa que fazem é ler o que existe de uma maneira não linear. A mensagem está escrita e todos os caracteres estão lá –oferecidos por uma mancha- mas escritos no tempo existente.

 

Um entendimento não-linear, aquilo que no nosso mundo chamamos de autismo, tem portanto um atributo que não devemos por de parte. Existem muitas pessoas autistas que nos podem dizer qual o dia da semana.. de qualquer mes e ano. Se, por exemplo perguntarmos a essa pessoa: “Que dia da semana será o dia 28 de Fevereiro de 2035?” ela nos dirá o dia de imediato. A maior parte das pessoas teria que inspirar fundo e tentar fazer o melhor possivel para calcular tal facto. Mas aqui não se trata de fazer cálculos. Não é uma fórmula ou mesmo matemática; a resposta já existe, por conseguinte é sabida. Podeis através de qualquer computador com um programa calendário, encontrar tal informação porque já existe. É uma ideia que já foi desenvolvida e encontra-se guardada. O cérebro não-linear funciona da mesma maneira. Muitos com um cérebro autista, estão em estado de interpretar essa informação praticamente automaticamente, pois que conhecem o conceito. Eles não calculam seja o que for; isso é a diferença entre o linear e o não-linear. O cérebro autista é o antecessor de coisas que vêm e vão e que desenvolvem uma irregularidade no desenvolvimento humano futuro. Elas são os sábios do presente e muitas das suas capacidades surgem da sua incapacidade de viver num mundo linear.

 

Mas o que é o canalizar, precisamente? Quando se canaliza, a pituitária abre-se e cede mensagens através do que voçês chamam a Fonte. Quando uma pessoa intrepreta as mensagens, as profere ou as escreve, faz uso natural da sua própria cultura e das suas próprias experiências. Cada entidade, toda a energia de verdadeira comunicação, que passa através da pituitária, vem da Fonte. Podem ter nomes diferentes e personalidades diferentes, mas vêm todas da Fonte. As diferenças entre os canalizadores surgem da maneira como intrepretam a mancha de tinta e da maneira clara dos filtros humanos da sua pituitária...”

 

A Roos tentava resumir tudo aquilo...

 

-Por conseguinte, devemos cuidar que as sinapses do nosso cérebro não se interponham no caminho da nossa relação com a Fonte. Temos que aprender a por a nossa maneira linear e lógica de pensar de parte e dar prioridade às belas idéias não lineares que brotam á nossa frente...”

“Algo do género, sim... Talvez isto seja algo que não se coadune com o nosso instinto de sobrevivência ou algo que os nossos amigos não gostem, mas que melhorará a nossa vida.”

“De qualquer modo”, decidiu Roos, de uma maneira linear, “torna-se difícil mudar a nossa maneira de pensar... a não ser, talvez... com animais!?”

 

 

 

 

(continua)

 

Fontes: Guia dos principiantes para recém-falecidos/David Staume –A sabedoria de uma criança das estrelas/ Phoebe Lauren – Channeling de Ashtar e do Arcanjo Gabriel – A arte de criar/Janosh – Entrar / Anne Givaudan (França) – Entrevista com Kelemeria Myarea Elohim (um ‘walk in’ em Boston) – As missões das Crianças da nova Era / Hans Stolp (Holanda) –Venho do sol / Flavio Cabobianco (Argentina) - Ater Tumti & Indigo Revolution / Matias de Stefano ( Argentina)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Chicco Xavier

 

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A história do médium brasileiro Francisco Cândido Xavier.

https://www.youtube.com/watch?v=PNu0BX72dKM

 

Crianças Cristal e Indigo e sua visão do Universo (4’14”)

https://www.youtube.com/watch?v=E0C1g-ieCFQ

 

 

O filme INDIGO / James Twyman, com Neale Donald Walsh

https://www.youtube.com/watch?v=X6ip_PnPJJ8

 

 

Palestra - Crianças Indígo com Dárcio Cavallini ( 1.25’34” )

https://www.youtube.com/watch?v=c7xO0xT3E3k

 

 

Divaldo Franco - Palestra "Crianças Índigo e Cristais" ( 59’53”)

https://www.youtube.com/watch?v=7cTkr0IsD28

 

 

 

Papo de Mãe - Crianças Índigo e Cristal ( 53’33”)

https://www.youtube.com/watch?v=aoVJ6ZQAHpk

 

 

Saiba como identificar uma criança índigo (9’42” )

https://www.youtube.com/watch?v=bjqiE6P1PpQ

 

 

CRIANÇA CRISTAL ( 5’11”)

https://www.youtube.com/watch?v=pMvdhifaHVg

 

 

Índigo e cristal ( 10’37”)

https://www.youtube.com/watch?v=2rdsJ8RUPm4

 

 

AS CRIANCAS INDIGO, CRISTAL E DIAMANTE

https://www.youtube.com/watch?v=BTB1rKaoz44

 

Provas Científicas da Reencarnação

https://www.youtube.com/watch?v=slwmq0WZPJk

 

 

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Tinta fresca - Memórias de outras vidas

Para pesquisador, há fortes indícios de que muitas crianças conseguem se lembrar de suas vidas anteriores

O professor Jim B. Tucker, da Divisão de Estudos da Personalidade do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Virgínia, nos Estados Unidos, estuda e atende casos de depressão e outros distúrbios em crianças e adolescentes. Tem especial interesse por casos de crianças que alegam ter lembranças de vidas passadas. Nesta entrevista, concedida por e-mail à SUPER, Tucker fala das características mais freqüentes desses relatos e de fatos que mais o impressionaram.

Quantos casos de crianças que alegam lembrar de vidas passadas o senhor já observou?

Temos mais de 2 500 casos registrados em nossos arquivos. Eu, pessoalmente, vi vários.

Quais são as principais características desses casos?

Os casos geralmente envolvem crianças pequenas que dizem se lembrar de uma vida passada. Elas podem descrever a vida de um membro falecido da família ou um amigo da família ou podem descrever a vida de um estranho num outro local. Outros fatos incluem marcas de nascença que combinam com os ferimentos no corpo da pessoa falecida e comportamentos que parecem ligados à vida anterior.

Há uma explicação para o fato de as lembranças ocorrerem principalmente durante a infância?

As crianças começam a fazer seus relatos numa idade precoce, logo que começam a falar. Isso faz sentido, porque parecem ser memórias que elas carregam consigo desde a vida anterior.

Quais tipos de evidências mais impressionaram o senhor?

Ainda acho que a mais forte evidência envolve declarações documentadas que alguma criança tenha feito e que se provaram verdadeiras em relação a uma pessoa que viveu a uma distância significativa. O dr. Jünger Keil (pesquisador da Universidade de Tasmânia, na Austrália) investigou um caso na Turquia no qual um garoto deu muitos detalhes sobre um homem que tinha vivido a 850 quilômetros e morrido 50 anos antes de o menino ter nascido.

Como médico, o senhor considera possível explicar esses relatos de uma perspectiva científica?

Nenhum desses casos é “prova” da reencarnação, e um cético pode sempre encontrar um ponto fraco em um caso ou, como objetivo de desacreditá-lo, em qualquer estudo médico. Entretanto, como um todo, os casos mais significativos constituem um forte argumento de que algumas crianças parecem, sim, possuir memórias de vidas anteriores.

 

Em uma das mais prestigiosas universidades públicas dos Estados Unidos, a Universidade de Virgínia, pesquisadores da área de saúde mental dedicam-se há décadas a desafiar os céticos. Ali são estudados, entre outros casos que ultrapassam os contornos da ciência convencional, relatos sobre reencarnação, muitos deles submetidos à checagem. Resultados conclusivos não há, mas eles são, no mínimo, intrigantes. À frente da Divisão de Estudos da Personalidade está o mais famoso pesquisador sobre o assunto, o já octogenário Ian Stevenson. Seus livros e textos em publicações científicas descrevem casos de crianças que se recordariam de vidas passadas e de pessoas com marcas de nascença que teriam sido originadas por cicatrizes de existências anteriores.

Stevenson e sua equipe avaliam casos de reencarnação da forma que consideram a mais acurada possível. Fazem entrevistas, confrontam a versão narrada com documentações, comparam descrições com fatos que só familiares da pessoa morta poderiam saber. Por tudo isso, ele se tornou um dos maiores responsáveis por ajudar a deslocar – ainda que apenas um pouco – o conceito de reencarnação do campo da fé e do misticismo para o campo da ciência.

Mas o que leva esse renomado médico, com mais de 60 anos de carreira, e tantos outros pesquisadores a encararem a reencarnação como uma hipótese válida?

Bem, são histórias como, por exemplo, a de Swarnlata Mishra, uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia e que se tornou protagonista de um dos casos clássicos – digamos assim – da literatura médica sobre vidas passadas. A história é descrita em um dos livros de Stevenson, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation (“Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, sem versão brasileira), e se assemelha a outros registrados pelo mundo sobre lembranças reveladoras ocorridas, principalmente, na infância. Mas, ao contrário da maioria, não está relacionado a mortes violentas, confrontos ou traumas.

A história de Swarnlata é simples. Aos 3 anos de idade, viajava com seu pai quando, de repente, apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e pediu ao motorista que seguisse por ela até onde estava o que chamou de “minha casa”. Lá, disse, poderiam tomar uma xícara de chá. Katni está localizada a mais de 160 quilômetros da cidade da menina, Pradesh. Logo em seguida, Swarnlata começou a descrever uma série de detalhes sobre sua suposta vida em Katni. Disse que lá seu nome fora Biya Pathak e que tivera dois filhos. Deu detalhes da casa e a localizou no distrito de Zhurkutia. O pai da menina passou a anotar as “memórias” da filha.

Recordações de mãe

Sete anos depois, em 1959, ao ouvir esses relatos, um pesquisador de fenômenos paranormais, o indiano Sri H. N. Banerjee, visitou Katni. Pegou as anotações do pai de Swarnlata e as usou como guia para entrevistar a família Pathak. Tudo o que a menina havia falado sobre Biya (morta em 1939) batia. Até então, nenhuma das duas famílias havia ouvido falar uma da outra.

Naquele mesmo ano, o viúvo de Biya, um de seus filhos e seu irmão mais velho viajaram para a cidade de Chhatarpur, onde Swarnlata morava. Chegaram sem avisar. E, sem revelar suas identidades ou intenções aos moradores da cidade, pediram que nove deles os acompanhassem à casa dos Mishra. Stevenson relata que, imediatamente, a menina reconheceu e pronunciou os nomes dos três visitantes. Ao “irmão”, chamou pelo apelido.

Semanas depois, seu pai a levou para Katni para a casa onde ela dizia ter vivido e morrido. Swarnlata, conta Stevenson, tratou pelo nome cada um dos presentes, parentes e amigos da família. Lembrou-se de episódios domésticos e tratou os filhos de Biya (então na faixa dos 30 anos) com a intimidade de mãe. Swarnlata tinha apenas 11 anos.

As duas famílias se aproximaram e passaram a trocar visitas – aceitando o caso como reencarnação. O próprio Stevenson testemunhou um desses encontros, em 1961. Ao contrário de muitos casos de memórias relatadas como de vidas passadas, as da menina continuaram acompanhando-a na fase adulta – quando Swarnlata já estava casada e formada em Botânica.

Assim como esse, há milhares de outros episódios intrigantes, alguns mais e outros menos verificáveis. Somente na Universidade da Virgínia há registros de mais de 2500 casos desse gênero. Acontece que, para a ciência, a ocorrência de casos isolados, ainda que numerosos, não prova nada. Os céticos atribuem essas histórias a fraudes, coincidências ou auto-induções às vezes bem intencionadas.

Mas, embora a ciência duvide da reencarnação, a humanidade convive com a crença nela faz tempo. De acordo com algumas versões, o conceito de reencarnação chegou ao Ocidente pelas mãos do matemático grego Pitágoras. Durante uma viagem que fizera ao Egito, ele teria ouvido diversas histórias e assistido a cerimônias em que espíritos afirmavam que vinham mais de uma vez à Terra, em corpos humanos ou de animais. O mesmo conceito – com variações aqui e ali – marcou religiões orientais, como o bramanismo e o hinduísmo (e, mais tarde, o budismo), e também religiões africanas e de povos indígenas, segundo Fernando Altmeier, professor de Teologia da PUC de São Paulo. Na verdade, “a reencarnação nasce quase ao mesmo tempo que a idéia religiosa tanto no Ocidente quanto no Oriente, com os egípcios, os gregos, os africanos e os indígenas”, diz Altmeier. A idéia, porém, não deixou traços – pelo menos não com a mesma força – nas três religiões surgidas de Abraão: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo.

No século 19, o francês Hippolyte Leon Denizard Rivail – ou Allan Kardec – e outros estudiosos dedicaram-se a um tema então em voga na Europa: os fenômenos das mesas giratórias, em que os sensitivos alegavam que espíritos se manifestavam com o mundo dos vivos. Kardec escreveu uma série de livros sobre as experiências mediúnicas que observou e, tendo como base a idéia da reencarnação, fundou a doutrina espírita. Para os espíritas, reencarnação é um ponto pacífico. Mas muitos deles preferem dar crédito a relatos embasados no cientificismo. “Dirijo a área de assistência espiritual na Federação Espírita do Estado de São Paulo, por onde passam 200 mil pessoas por mês, mas, no que diz respeito à fenomenologia, sou mais pé no chão, sou muito rigoroso”, afirma o advogado Wlademir Lisso, de 58 anos.

Terapias e evidências

Nas aulas que dá na federação sobre espiritismo e ciência, Lisso – que é autor de três livros – se baseia, sobretudo, nas pesquisas feitas por universidades estrangeiras, que considera mais confiáveis. Lisso diz que já perdeu as contas das vezes que ouviu pessoas lhe dizendo que tinham lembranças de outras vidas, algumas, talvez, por meio das chamadas terapias de vidas passadas. “Terapias, por si só, não provam nada”, diz Lisso, referindo-se a uma prática que supostamente leva a pessoa a escarafunchar memórias tão remotas quanto as de duas, três encarnações anteriores. Os espíritas não recomendam a experiência. “Até os anos 50, flashes ou outras manifestações eram considerados distúrbios mentais”, diz Lisso. Com o tempo, ganhou eco a explicação de que muitos desses sintomas poderiam ser evidências de existências passadas.

No Brasil, um dos poucos que seguiram a linha da investigação mais científica foi Hernani Guimarães Andrade, que morreu há quase dois anos. Autor de diversos livros, entre eles Reencarnações no Brasil (O Clarim, sem data), Andrade conta o caso de uma menina paulistana, identificada apenas como Simone. Nos anos 60, quando tinha então pouco mais de 1 ano, ela começou a pronunciar palavras em italiano, sem que ninguém a tivesse ensinado. Passou também a relatar lembranças que remontavam à Segunda Guerra Mundial. Seu relato era tão vívido que familiares se renderam à idéia de que fragmentos de uma encarnação passada ainda pairavam em sua mente. A avó da menina registrou, em um diário, mais de 30 palavras em italiano pronunciadas pela neta e histórias de explosões, médicos, ferimentos e morte. As recordações pararam de jorrar quando a menina tinha por volta de 3 anos.

Mas as supostas memórias de crianças como Simone e Swarnlata não são os únicos sinais que chamam a atenção dos estudiosos. Em várias universidades ao redor do mundo, os pesquisadores passaram a examinar também marcas de nascença – associadas a lembranças – como possíveis evidências de reencarnação. O mesmo Stevenson reuniu um punhado desses casos num estudo divulgado em 1992. Segundo o levantamento feito com 210 crianças que alegavam ter lembranças de outras vidas, cerca de 35% apresentavam marcas de nascimento na pele. Em 49 casos, foi possível obter um documento médico, geralmente um laudo de necropsia, das pessoas que as crianças haviam supostamente sido em outra encarnação. A correspondência entre o ferimento que causara a morte e a marca de nascença foi considerada, no mínimo, satisfatória em 43 casos (88%), segundo Stevenson.

Um exemplo citado por ele é o de uma criança da antiga Birmânia que dizia se lembrar da vida de uma tia que morrera durante uma cirurgia para corrigir um problema cardíaco congênito. Essa menina tinha uma longa linha vertical hipopigmentada no alto do abdome. A marca correspondia à incisão cirúrgica da tia. Stevenson recorre a uma frase do escritor francês Stendhal para se referir a casos de memórias e de marcas que, às vezes, podem passar despercebidos:

“Originalidade e verdade são encontradas somente nos detalhes .

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Orbs : Seres de luz esferas luminosas

http://www.nacioncosmica.com/fotografiar-seres-de-luz-esferas-luminosas-orbs.html

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Carta entregue ao Papa Francisco

 

http://arcealejandra.blogspot.be/2014/06/carta-al-papa-francisco-matias-de.html

 

 

Papa Francisco:

De várias partes do mundo, nós, peregrinos da consciência, unimo-nos numa mensagem de Unidade que tem como objectivo capturar o Céu na Terra.

Desde a minha infância que comecei a receber mensagens do Céu e da Natureza sobre um plano que nos une e que une a evolução em conjunto, ao qual chamei “Ater Tumti”: o Céu na Terra.

Ao crescer e ao compartilhar as minhas mensagens, muitas pessoas aderiram a esta, pois todos nós, no interior, compartilhamos a mesma verdade, apesar de cada um de nós a ver de uma maneira diferente.

A Verdade única, a Verdade Universal, aparece-nos frente aos olhos quando a sua mensagem é dita e unida por todas as pessoas que, desde a neutralidade, reconhecem que a Divindade está em tudo e que as suas formas são somente ferramentas que escolhemos para vivê-la.

Nós começamos a integrar as formas e iniciámos uma viagem de Unidade chamada o Harwitum: o Caminho do Norte ao Sul, o qual pretende unir a rede da história e culturas do mundo a partir do espírito, reconhecendo a nossa relação directa com a Terra, o universo e através da sua reconexão, permitir a descida do céu na Terra.

A fim de o conseguir, há que abrir as portas do céu. No nosso corpo biológico, a porta do espírito é a glândula hipófise, que conecta a divindade a cada órgão, mobilizando as hormonas que nos permitem ser no dia-a-dia o que somos e o que projectamos ser.

A sociedade não é mais que um reflexo humano, e por tal razão, os seus templos e pirâmides, centros de culto, mesquitas, igrejas e catedrais, são as hipófises da civilização, onde o espírito dá sentido à realidade e a mobiliza.

A hipófise é a Chave mediante a qual se pode abrir a porta do Espírito à nossa vida e transformá-la desde o interior, desde o orgânico e cívico, com o qual, as mensagens que recebi durante 2012, começaram a falar-me de que havia chegado o tempo de girar a Grande Chave do Norte para o Sul, e que Francisco seria quem abriria o caminho para o alcançar.

Desde aquele momento, trouxe comigo a cruz Tau de São Francisco de Assis, o qual também havia reconhecido a natureza como veículo da divindade, mas que jamais havia pensado que o próximo Papa se chamaria Francisco e que viria do Sul.

Agora sei que o senhor pode girar a chave, o Vaticano, para abrir as portas do Céu, girando o poder do Norte para o Sul, permitindo desta forma que os países do Sul possam começar a contemplar uma civilização de acordo com o Divíno.

*O porquê de ir a Roma e o que significa girar a chave.

A Chave, faz referência à forma do Vaticano, aos seus emblemas e ao mandato de São Pedro, o portador das chaves do Céu. Esta chave sempre foi controlada pelo Norte e todos os seus segredos e mandatos se encontram sob ela, assumindo a custódia da Verdade até ao momento em que os Céus descerão sobre a Terra. Ao girar esta Chave, permitir-se-á que todos os conceitos ocultos fluam para o Sul e os conceitos que o Norte dominou possam descender sobre a Nova Terra. Este é um símbolo de troca, baseado na Santíssima Trindade:

Todos os cristãos chamam Pai, Filho e Espírito Santo, mas antes chamavam, Pai, Mãe, Filho. Apesar da filosofia entender como Espírito, Alma e Corpo, o que a cultura conhece como Som, Luz e Forma, ou a ciência como Frequência, Energia, Matéria.

O nosso propósito é colaborar com a transformação dos conceitos, girando o seu sentido para o original, voltando aos princípios, a fim de reconhecer que a palavra, o som, a música, a frequência são a chave para a transformação livre que nos oferece o Amôr Incondicional.

O Amôr Incondicional é um amôr sem condições, livre, e é por isto que para conseguir que o espírito se expresse nas nossas vidas, devemos expressar o amôr desde a liberação dos nossos próprios sistemas de crenças, libertando os outros das suas crenças e das nossas percepções. Tornarmo-nos livres nós, para desta forma libertar os outros.

-O vaticano como hipófise

Sendo o nosso mundo uma extensão biológica, a nossa sociedade também o é e os templos representam assim os centros de conexão de uma cidade com o seu espírito. Por isto mesmo, na nossa cultura global, o vaticano é a Hipófise de todas as hipófises do mundo. Caso haja uma grande mudança de consciênçia a partir daí, na abertura da informação, no apoio à transformação do corpo social e no voltar a plantar as bases, a essência, deixando as formas e as idéias fluir, todo o mundo começará a mudar, apesar de muitas partes do corpo exercerem a sua resistência, a qual não é mais do que um simptoma do seu hábito sedentário.

-Mudança do sistema ideológico para o biológico

Isto refere-se ao momento em que os humanos perdem o contacto com o divíno, o que nos faz sentir perdidos neste mundo, esquecendo-nos da nossa própria divindade, desconectando-nos da nossa evolução biológica e divina na Terra, criando ideologias que geram sistemas paralelos de desenvovimento harmónico do paraíso realizado neste mundo, os quais nos levaram aos conflictos actuais, os quais nós mesmos criámos. Por esta razão, propomos o feito de voltar à aplicação biológica da divindade, a fim de podermos novamente ingressar no fluxo evolutivo deste mundo.

-Tomar consciência de um novo mundo.

Como em todas as culturas, tradições e religiões se afirma: estamos perante uma grande mudança, de uma nova era que trará uma nova humanidade. Sem oposição, isto sempre acontece, constantemente, devido à evolução ser algo de constante, pela qual sempre nos sentiremos perto do momento da mudança, pois somos sempre participantes na possibilidade de o transformar num todo. Hoje em dia, a liberdade que o nosso ser sente, de poder pensar por si mesmo, leva-nos a uma das épocas de maior flexibilidade para co-criar um sistema capaz de permitir a transformação de que a evolução necessita. Estes são os novos tempos, do após...

 

-O propósito da Fundação Arsayian

A fundação que formámos no ano de 2013 em Venado Tuerto, na Argentina, tem como fim colaborar na transformação da nossa sociedade num mecanismo de evolução biológica que colabore com o desenvolvimento harmónico do espírito, do ser, o humano e a Terra, baseando os seus princípios na mencionada santíssima trindade. A intenção é compartilhar actividades de consciencialização sobre uma realidade diferente, gerando actividades que colaborem com uma melhor compreensão integrada da vida e do mundo, aplicando e construindo bases para sistemas aplicados à educação, saúde, economia e política, entre outras.

Nas suas bases, explicar que o sistema actual que existe na Terra, tal como uma doença para o nosso corpo: não é algo de mal, mas apenas a demonstração de uma transformação eminente que o corpo, o mundo aclama perante algo que não pode integrar e transcender.

Tudo o que podemos criticar, seja que sistema for, é somente passivo de crítica por ser um reflexo das nossas próprias incapacidades. E é por isso que no nosso movimento não temos vindo a criticar nem a julgar, mas a unir forças, a honrar e a agradecer para integrar e transcender a história. No entanto, são somente os que criaram os sistemas aqueles que poderão verdadeiramente mudá-los, e o farão somente se for coerente com a Verdade e com o Amôr. Não pretendemos mudar porque o que existe já não nos agrada ou está mal, mas queremos mudar tudo porque Deus, no seu amôr, nos entregou o dom da evolução, da transformação, que é o maior desejo e prazer que temos recebido e que nos tem feito como somos agora e nos permitirá tornar-nos no que o nosso potencial nos tem para entregar, pois só desta forma nos mudamos nós também, em união.

 

O Vaticano, a sua Igreja, a nossa Igreja e a do mundo, criou um sistema de amor baseado na dôr e no sofrimento, o qual, timidamente, está mudando num de alegria e aceitação, e confiamos que as suas formas se abrirão, pois que só aqueles que desde o seu interior a criaram e que confiaram neste sistema que se estagnou, podem, através do seu amor, transformá-lo.

A proposta é que em qualquer altura, sem medo, mas com amôr, se possa oferecer a história humana que se encontra sob o Vaticano, nos arquivos que escondem a nossa luz, a qual sei ter sido guardada para nosso próprio bem, mas que neste novo tempo necessitamos reconhecer para sabermos quem somos, para encerrar uma história de amôr e transcender a uma nova realidade reconhecendo-nos como o que somos.

 

Não existe maior liberdade e amôr para com o ser do que reconhecer a sua história, compreender o seu presente e construir o seu futuro... e a Igreja tem em suas mãos o poder de oferecer tal amôr incondicional ao mundo, mediante o reconhecimento de que todos somos filhos iguais perante Deus, e que o seu maior desejo é que possamos reconhece-lo.

 

Está em suas mãos a maior oferta que os últimos 2000 anos poderão entregar às gerações dos próximos 2000: girar a Chave, libertando o Céu na Terra, o reconhecimento da nossa divindade, para a reconstrução da nossa nova verdade em Amôr em transformação constante. A evolução permitiu-nos ser o que somos e ao transformarmo-nos e reconhecendo-nos, nos permitirá ser as divindades que estamos destinados a ser.

 

-“Lameque, tiveste pouco cuidado...”

Um dia antes de receber o chamamento de Monsenhor Karcher, as vozes do céu me repetiam uma e outra vez... Lameque tiveste pouco cuidado...

Nunca li a Bíblia e, para ser sincero, sei muito pouco de religiões, o que talvez mo faça amá-las a todas de igual modo e a confiar nas mensagens que recebo. Não sabia quem era Lameque, pelo que procurei na Internet. Após muita busca, surpreendeu-me o que descobri. Lameque é, provavelmente, de acordo com a visão das crenças cristãs, uma das suas personagens mais importantes, no entanto, pouco mencionado popularmente, que marcou a nossa história actual.

 

Suponho que sabe a quem me refiro.. Não o pai de Noé, mas o Sétimo descendente de Caim. “Sete vezes sete será o meu nome vingado”. Lameque, por conseguinte, descendente da tribo de Caím, foi um dos grandes pecadores da história, primeiro bígamista, assassino e bárbaro, que teve o atrevimento de condenar a sua própria descendência, tendo o poder de proferir com poder e controle, o qual se atreveu, segundo as escrituras a dizer: “Setenta vezes sete, meu nome será vingado”.

 

Se tomarmos esta história como tendo origem há 26 mil anos atrás (momento do aparecimento da nossa humanidade), e considerar-mos 77 anos por geração, multiplicando por 70 e por 7, dá-nos mais de 37000 anos de história. Isto significa que Lameque, castigou, pela sua avareza, toda a nossa história.

Compartilho esta história porque as bases da Igreja e de muitas crenças do Médio Oriente têm as suas origens nas lendas de Caím, Abel e Sete, filhos de Adão e Eva, bases que têm moldado as nossas realidades, e razão porque, concretizando-as, as podemos integrar a fim de sair dos erros do passado que não passaram de experiências não assimiladas.

O seu julgamento, de certa forma, mostra como uma das primeiras humanidades, nos condenou à decadência, à desconexão, à perda de propósito e de verdade, distanciando-nos do amôr pelo medo e pela confusão, a perseguição e o juízo. No entanto, a história pode ser salva, o qual não significa que o alcançemos nesta vida, mas podemos começar hoje a libertar a nossa história, a abraçar Lameque, a amá-lo e a entregar-lhe em toda a história o amôr que não pode viver nem reconhecer, e tal só poderemos alcançar ao libertar os ditos padrões, desejando-nos transformar livremente, libertando-nos, como nos ensinou Jesus.

 

Amando o próximo, reconhecendo que não existe templo onde encontrar a Deus, a não ser que no lugar onde se levante uma pedra o encontremos.

Por tal razão, o tempo chegou de levantar a maior das Pedras, São Pedro, e de descobrir a verdade de Deus que debaixo dela se esconde.

O reconhecimento da nossa verdade, “somente a Verdade os libertará”.

Encontramo-nos numa época que se nos oferece curar as nossas próprias criações e integrar e transcender as nossas próprias experiências. A pergunta é se realmente temos a coragem de aceitar tanta liberdade própria e dos outros, de reconhecer a Deus em cada ser vivo, para além da religião ou crença.

Questionamo-nos se estamos realmente dispostos a colaborar com o Plano de Deus, que consiste em transformar-nos constantemente num caminho de amôr e alegria, no qual o sacrifício nada mais é que a preserverança e a constância de por em prática as nossas habilidades mais amadas ao serviço do Todo.

 

Estamos a entrar num novo tempo e espaço e isto não é questão de perguntar-mos se pertende-mos faze-lo ou não, isto é simplesmente uma questão de perguntar-mos quando e como o faremos.

A proposta é faze-lo Sempre desde de Hoje, e a maneira é mediante a Liberdade e a aceitação de Tudo o que existe, incluindo as trevas, o qual nada mais é do que um filho do Divino, um adolescente que ainda não se conseguiu encontrar consigo mesmo e que mediande a nossa vida o estamos a ajudar a faze-lo. Reconhecendo-nos e transformando-nos, estamos somente a exprimir o desejo do divino.

 

-As chaves da liberdade

Duas árvores constituem os pilares da nossa existência, de cujas ramificações tudo nasceu. A árvore da Vida, é a evolução, o amôr, a transformação, é a origem dos seres, do nosso pai e mãe, que alguns chamam de Adão e Eva e que hoje alguns reconhecem como a Hélice Dupla do DNA. A espiral é um tronco firme que se ramifica e a partir do seu interior tudo pode transformar.

 

A Árvore da Sabedoria, era a segunda árvore, que dava a razão e consciência, o propósito à vida, mas com a bem-aventurada sabedoria vinha o controle, a mentira, a confusão, esta árvore atribuia também os piores pecados: a avareza, o poder, o ódio, o controle...

Ambas as árvores são sagradas, e ambas existem no nosso interior.

Podemos chamá-las alma e espírito num corpo, ou também sangue e neurónios.

 

O potencial da vida e o potencial da consciência, a união das duas árvores, estão no nosso interior, e unidas podem gerar a maior liberdade, a qual não é a opressão do externo, mas a repressão do interno. Compartilha-mos com todos estas chaves simples que iluminam o nesso ser:

*Somos o que comemos, os nossos alimentos se transformam em sangue, o nosso sangue é o DNA, o DNA dá forma a ambas as árvores da existência: se consumir-mos luz seremos luz, desde o nosso interior, e a luz nasce das árvores, que a respira: e nos frutos e nas sementes encontra-se a luz que nos tornará livres no nosso interior.

 

*Aceitando e reconhecendo que tudo é criação do Divino, reconheceremos que a luz e as trevas são irmãs, não inimigas, as quais se unirão se permitir-mos perdoar-nos, unir-nos e agradecermos por tudo o que nos ensinam.

 

Ajudando para que todos nos conectemos com a nossa verdade interna, a de cada um, veremos a verdade fluir nas vidas do mundo, ensinando ás pessoas a aprender por si próprias, sem dependências.

Caso seja no coração da igreja, desde o coração, que as mensagens de mudança se realizem, o mundo poderá mudar e encontrar a luz, não fora, mas dentro, construindo finalmente: catedrais nos nossos corações.

 

Sem mais para dizer e manifestando o nosso maior apoio na elaboração desta abertura, te agradecemos por haver sido eleito para cumprir este papel que vai mais além de uma religião, mas que é para todos.

Sinceramente e com o maior Amôr Incondicional,

Matias De Stefano

 

( Trad. : Paulo Jorge Liberato Pereira D'Almeida )